O preço do limão disparou em supermercados e feiras livres de João Pessoa, acompanhando uma tendência que ocorre em todo o país. Um levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que, no cinturão citrícola paulista, de onde sai 80% da produção nacional, a média do preço pago ao produtor do limão-taiti aumentou 226,4% nos meses de junho a agosto. Na Feira de Jaguaribe, em João Pessoa, a média de preços está de R$ 10 a R$ 12 o quilo.
O feirante José do Nascimento contou que só está conseguindo vender o pacote de sete limões por R$ 5, porque conseguiu algumas unidades com um preço melhor. “Se eu tivesse comprado no valor que está hoje, não dava para vender nesse preço, não”, afirmou
Já o comerciante Josean Silva, também da Feira de Jaguaribe, não teve a mesma sorte. Ele contou que o preço da caixa com 250 limões está variando de R$ 200 a R$ 250, por isso os preços estão mais altos para o consumidor final. “Está faltando mesmo limão. Tem de onde tirar não. Na Ceasa de Recife, não tem, o da gente vem de Recife. Poucas lojas lá em Recife têm limão”, relatou ele, acrescentando ainda que o problema ocorre há cerca de um mês.
O feirante Raminho Manoel contou que costumava vender de 12 a 15 limões por R$ 5, mas atualmente está vendendo a R$ 12 o quilo. “Agora não tem limão. Isso aí está vindo de Petrolina e olhe, olhe quem tem lá. Aí não dá, chega aqui caro e é caro mesmo. No supermercado, está R$ 13 ou R$ 14 o quilo”, afirmou.
Ele destacou, porém, que o preço ainda pode baixar em breve. “É só chegar de novo o limão, chegar a safra. É que fruta é assim, não é direto. Vai depender da safra, sabe? Banana agora está na safra; quando for daqui a uns dois meses, banana vai estar cara. Porque não tem”, avaliou ele, que também observou que, além do limão, os maracujás também desapareceram das prateleiras e estão chegando mais caros.
A dona de casa Márcia Lima contou que percebeu a diferença e, ultimamente, tem evitado comprar limões por causa disso. “Eu estou achando muito caro, está R$ 10 o quilo”, comentou.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Ediran Teixeira, explicou que estamos em um período de entressafra do limão, especialmente o limão-taiti. Além disso, as plantações, que se concentram principalmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais foram afetadas pelas chuvas. Daí o aumento.
“Isso foi por conta desse momento de entressafra do limão associado ao excesso de chuvas e às tempestades no início da florada, que prejudicaram o desenvolvimento dos frutos nas principais regiões produtoras do cinturão citrícola. O clima foi mais quente em agosto e setembro, aumentou o consumo de limão por um lado, enquanto uma parte do limão também sai para exportação. Então, você tem aí também o fator exportação atrapalhando o mercado interno”, avaliou.
De acordo com a Conab, os preços da fruta só devem normalizar no fim do ano, com a chegada de uma nova safra. “Se não houver nenhum evento climático, já é agora em novembro e dezembro”, completou Teixeira.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de outubro de 2026.