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Novo salário mínimo

Trabalhadores consideram reajuste anual insuficiente

publicado: 06/01/2026 09h15, última modificação: 06/01/2026 09h15
Especialistas avaliam que, no geral, aumento é positivo para a economia
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O entregador Jadiel Pereira defende que valor não cobre as altas nos preços dos alimentos | Foto: Evandro Pereira

por Bárbara Wanderley*

Já está em vigor o novo valor do salário mínimo, fixado em R$ 1.621, após reajuste de 6,79% em relação aos R$ 1.518 do ano passado. Apesar do aumento, paraibanos que recebem o piso nacional ou benefícios atrelados a ele avaliam que o reajuste é insuficiente para cobrir os custos básicos do dia a dia. O novo valor começa a ser pago no início de fevereiro.

O reajuste foi calculado usando a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 12 meses até novembro, que foi de 4,18%, somada a um ganho real que se baseia no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mas é limitado a 2,5% pela regra do arcabouço fiscal. O crescimento do PIB de 2024 foi de 3,4%.

Para a empregada doméstica Maria do Socorro de Almeida, os R$ 103 a mais no salário estão longe de ser suficientes. “É muito pouco até aluguel eu pago. Eu pago R$ 600 de aluguel só sobra R$ 1 mil para comprar gás, fazer feira, energia, água”, comentou. Ela admitiu, porém, que embora pequeno, o reajuste deve ajudar um pouco. “É ruim sem ele”, disse.

Apesar de não ter um salário atrelado ao mínimo, o entregador Jadiel Pereira também é da opinião de que o aumento pouco será sentido. “A gente vai ao supermercado fazer uma compra, só Jesus. Você não traz quase nada com esse aumento aí. E outra, quando aumenta isso, aumenta tudo. Aumenta gás, aumenta feira, aumenta tudo. Então, eu não acho viável”, afirmou.

O economista Vitor Nayron explicou que é comum que as pessoas não consigam ter uma percepção do aumento, porque o cálculo é feito com base em uma média que pode não representar todos. “Do ponto de vista individual, por exemplo, pode ser que na minha cesta de consumo, eu tenha muito mais o consumo de carne em comparação com a outra pessoa, então se o preço da carne aumenta um pouco, eu vou ser muito mais impactado de fato”.

A explicação também foi reforçada pelo economista Igor Gonçalves. “Existem dois patamares, que é o geral e o particular. No geral, esse aumento real é positivo e representa um aumento no poder de compra, além de trazer impacto real para economia porque puxa aumentos em benefícios que usam o salário mínimo como base. No particular, vai depender bastante da cesta de consumo individual do consumidor, extrapolando as previsões. Se os itens da cesta básica tiveram um aumento acima da média (inflação) acrescido de 2,5% (aumento real no salário), o consumidor não vai sentir que esse aumento surtiu efeito”, detalhou.

Um exemplo, segundo Igor Gonçalves, é o café, que em 2024 teve um aumento de 40%. Uma pessoa que consome muito café, portanto, acabou tendo uma percepção de inflação maior naquele período.

Para Vitor Nayron, a pesquisa de preços ainda é a melhor forma de economizar e fazer o novo salário render um pouco mais. “Quando a pessoa consegue achar preços mais atrativos, mais baratos, consegue comprar mais e fazer com que a renda possa ‘esticar’ um pouco”, aconselhou.

“Claro, sempre pondero a realidade de quem recebe só um salário e, às vezes, tem uma família para dar conta. Realmente, fica algo mais complicado, mas ter essa visão de pesquisar e encontrar os melhores preços é um paliativo”, concluiu.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de janeiro de 2026.