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Entrevista

João Azevêdo, Governador da Paraíba

publicado: 29/12/2025 08h46, última modificação: 29/12/2025 08h46
Gestor diz que autoestima dos cidadãos está elevada. “A gente estufa o peito e diz que é paraibano com muito orgulho”
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“Governar é cuidar das pessoas, e é isso o que temos feito”, ressaltou o governador João Azevêdo | Foto: Francisco França/Secom-PB - Foto: Francisco Franca 829 DRT - PB

por Da Redação*

Nos últimos sete anos, a Paraíba mudou para melhor. O estado hoje é o primeiro do Nordeste e o quinto do Brasil em liberdade econômica, além de ter a melhor qualidade de vida da região, de acordo com o índice de Progresso Social. No ranking de competitividade do Centro de Liderança Pública, é o estado mais competitivo do Nordeste pelo segundo ano consecutivo e o Produto Interno Bruto (PIB) cresce acima da média nacional, além de estar no grupo seleto de estados com rating A+ pela Secretaria do Tesouro Nacional. Em entrevista ao jornal A União, o governador João Azevêdo destaca o bom momento que o estado está vivendo e também comenta sobre as obras estruturantes que realizou nos últimos anos do seu governo e as que estão em andamento, tendo como foco principipal o bem-estar dos paraibanos.

A entrevista

Depois de sete anos à frente do Executivo estadual, como o senhor avalia as ações desta gestão? O que mais mudou na Paraíba de hoje em relação à Paraíba de 2019, seu primeiro ano de mandato?
Eu tenho muita satisfação pelo trabalho que realizamos desde 2019. Sempre falo que, acima de tudo, governar é cuidar das pessoas, e é isso que temos feito. A autoestima do paraibano hoje é outra, o que é resultado do esforço coletivo da nossa equipe de governo que rendeu os números positivos que celebramos hoje. Eu digo que antes a gente dizia em voz baixa que era da Paraíba, mas essa realidade hoje é outra — a gente estufa o peito e diz que é paraibano com muito orgulho. A Paraíba de hoje é o melhor estado do Nordeste e o quinto do Brasil em liberdade econômica; somos o estado com a melhor qualidade de vida do Norte/Nordeste, de acordo com o índice de Progresso Social; no ranking de competitividade do Centro de Liderança Pública, somos o estado mais competitivo do Nordeste pelo segundo ano consecutivo; o nosso PIB cresce acima da média nacional; estamos em um grupo seleto de estados com rating A+ pela Secretaria do Tesouro Nacional; e o nosso equilíbrio fiscal e financeiro tem assegurado um grande volume de investimentos com recursos próprios e atraído grandes empreendimentos. Para se ter uma ideia, a Paraíba gerou, de 2019 a setembro de 2025, mais de 1,3 milhão de empregos formais; nesse mesmo período, o saldo de empregos formais foi cinco vezes maior do que o observado entre 2012 e 2018, e isso representa o grande momento da nossa economia, que tem feito o nosso estado ganhar visibilidade regional e nacional. A nossa gestão está presente nos 223 municípios do estado, com obras e políticas públicas e, sem dúvida, tudo isso nos dá a sensação de dever cumprido e de que estamos no caminho certo.

Há alguma entrega da qual o senhor se orgulhe mais?
Eu não vou citar uma obra específica. A obra mais importante para uma pessoa é aquela que mudou a vida dela e pode ser uma ação que demandou um grande volume de recursos ou não. Ao longo do nosso governo, tivemos a capacidade de quebrar paradigmas e tirar do papel obras sonhadas há anos, como a Ponte do Futuro, que interliga os municípios de Cabedelo, Santa Rita e Lucena; o Polo Turístico Cabo Branco, que representa um divisor de águas no turismo paraibano; o Centro de Convenções de Campina Grande; os Hospitais de Trauma do Sertão, além dos hospitais da Mulher de João Pessoa, Campina Grande e Sousa; as adutoras do Curimataú e do Cariri; mas também tem uma passagem molhada que tirou famílias do isolamento, os sistemas de abastecimento de água que levaram água para as torneiras e que fizeram pessoas tomarem banho de chuveiro pela primeira vez na vida, ou seja, é o poder de transformação de uma política pública que vai dimensionar o seu valor para uma determinada pessoa, e nós ficamos orgulhosos porque o nosso governo chegou em todos os 223 municípios, seja com creche, com escola, com travessia urbana, com programas de segurança alimentar como o Tá na Mesa ou Restaurantes Populares, com a interiorização do atendimento de média e alta complexidade na Saúde, com UTIs aéreas para transportar pacientes do SUS. Uma Paraíba que verdadeiramente mudou para melhor e transformou realidades de muita gente.

Em novembro, uma comitiva do Governo Estadual participou da COP30. Como a Paraíba tem colaborado com a sustentabilidade do planeta?
Nós tivemos a oportunidade de mostrar ao mundo como o nosso estado tem se destacado na construção de soluções climáticas justas e inovadoras, colaborando com a sustentabilidade do planeta por meio de políticas públicas consistentes, programas estruturantes e, agora, pela adoção de tecnologias de ponta para monitoramento e planejamento climático. Uma das iniciativas que o nosso governo apresentou lá foi o Programa Paraíba Mais Verde, que abrange ações de restauração ambiental, inclusão social e desenvolvimento sustentável. Além disso, demos um passo inédito no Nordeste ao firmar um acordo de cooperação técnica com o Google e o Instituto Climático Von Bohlen&Halbac, nos tornando o primeiro estado da região a utilizar um conjunto de ferramentas avançadas de inteligência artificial para monitorar emissões de gases do efeito estufa; mapear qualidade do ar; analisar trânsito e mobilidade urbana; identificar áreas de calor e priorizar o plantio de árvores; estimar o potencial de energia solar em cada telhado dos municípios, ou seja, a Paraíba entra em uma nova fase da gestão ambiental com o uso da tecnologia, alinhada às demandas climáticas do século 21.

Com a Paraíba projetando um crescimento do PIB em 2025 — acima das médias do Nordeste e do Brasil —, quais ações concretas o Governo do Estado pretende adotar para garantir que essa estimativa se traduza em crescimento real e sustentável?
A nossa gestão já vem adotando essas medidas. Aqui eu posso citar o programa Paraíba 2025–2026 com investimentos de R$ 11,5 bilhões que abrangem um amplo conjunto de obras e ações, seja em infraestrutura, educação, programas sociais; atração de investimentos, com programas de incentivos locacional e fiscal. Temos também o Polo Turístico Cabo Branco, maior complexo turístico planejado em execução no Brasil, com investimento de R$ 2,8 bilhões da iniciativa privada, onde estão sendo construídos 14 mil leitos de hotelaria, com geração de 20 mil empregos na etapa de construção e 21 mil na fase de operação, já com os primeiros empreendimentos entrando em operação a partir de 2026; a implantação do Polo Têxtil da Capital, contemplando 42 empresas, mais de R$ 41 milhões em investimentos e geração de três mil empregos apenas nesta primeira fase, dentre tantas outras ações.

Quais medidas estão sendo adotadas para manter a sustentabilidade fiscal do estado?
O governo já adota medidas de prudência, visando a manutenção de estrutura fiscal sólida, dentre elas o resultado fiscal positivo. A Paraíba é um dos estados com as finanças mais saudáveis do país, e esse equilíbrio permite que o governo tenha margem para investir sem comprometer os serviços públicos, o pagamento regular da folha e obrigações financeiras. Também temos atraído empresas para ampliar a nossa base produtiva, potencializar a geração de empregos e renda, o que fortalece as contas públicas de forma estrutural e sustentável.

A Paraíba vem se destacando na geração de energia limpa, com projetos de energia eólica e usinas fotovoltaicas. Como o senhor avalia o papel do estado na transição energética nacional?
A Paraíba tem se consolidado como um dos estados relevantes na transição energética do Brasil. O nosso estado não apenas acompanha a transição, como é um exemplo prático dela, operando hoje com uma matriz elétrica 100% renovável. Atualmente, a nossa matriz elétrica conta com 1,83 GW de capacidade instalada, resultado da forte expansão das fontes eólica e solar fotovoltaica. A energia eólica representa mais de 60% da matriz, com 42 parques em operação, enquanto a energia solar já ultrapassa 39%, com 34 usinas em operação, evidenciando um equilíbrio robusto entre essas fontes. Porém, o dado mais importante sobre o papel da Paraíba na transição energética nacional não é apenas analisando o cenário atual, mas o que está em construção. Com os projetos já autorizados e em fase de construção, a Paraíba atingirá cerca de 8,4 GW de capacidade instalada, um crescimento superior a 360%. Esse avanço será impulsionado principalmente pela energia solar. O estado possui 85 novos empreendimentos fotovoltaicos outorgados, que adicionarão mais de 3.903 MW ao sistema elétrico. No setor eólico, também está prevista uma expansão expressiva, com 57 novos parques eólicos outorgados, resultando um acréscimo de 2.130 MW.

Na área de segurança pública, o ano foi marcado por operações de combate a lideranças e grupos criminosos vinculados, especialmente, ao Comando Vermelho. Que providências serão tomadas em 2026?
Essas medidas vêm sendo adotadas com a qualificação das nossas polícias, que trabalham de forma integrada para o enfrentamento diário da criminalidade, com ações orientadas pelo Serviço de Inteligência, focando na descapitalização dos núcleos criminosos. Nós também temos realizado operações integradas com o Gaeco, Polícia Federal e com outros estados, a exemplo do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, além do fortalecimento de ações de cooperação, como a que assinamos agora com o Ministério Público do Estado para fortalecer o combate ao crime organizado no estado, para que a gente possa, cada vez mais, garantir a segurança da população. É importante ressaltar os importantes investimentos que temos feito em tecnologia e na aquisição de equipamentos, fardamentos e viaturas e, principalmente, em recursos humanos, com a realização de concursos públicos para a Polícia Civil, com 1.400 vagas, e para a Polícia Militar, com 1.300 vagas, promoções, realização de Planos de Cargos, Carreira e Remuneração, criação da ajuda de custo operacional, redução no tempo de promoções e atualização das Leis de Organização Básica da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, abertura da Policlínica Integrada de Segurança Pública, incorporação da bolsa desempenho ao salário, aumento da bonificação por apreensão de armas de fogo, o que, sem dúvida, deixa as corporações mais motivadas e faz o estado ter uma das melhores seguranças do Brasil, como aponta o Centro de Liderança Pública.

O Congresso Nacional vem sendo alvo de muitas críticas em várias partes do país. Como o senhor avalia as decisões daquela Casa?
Os debates no Parlamento fazem parte da democracia e é natural que, em algumas discussões, os ânimos sejam acirrados. O importante é que a nossa democracia seja preservada e que as decisões acompanhem os interesses da sociedade, afinal os parlamentares são representantes do povo.

Em relação ao Governo Federal, que resultados a Paraíba tem colhido de seu bom relacionamento com o presidente?
Desde o primeiro ano do governo do presidente Lula, as relações institucionais entre a União e os estados foram retomadas. Tanto é que, na condição de presidente do Consórcio Nordeste à época, fomos chamados pelo presidente para apresentarmos as principais demandas da região e, ao longo dos anos, tivemos a abertura com os Ministérios para pleitearmos ações em conjunto com o Governo Federal. Aqui eu posso citar a implantação do Centro Internacional de Computação Quântica na Paraíba, a partir de uma parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, onde serão investidos cerca de R$ 75 milhões, sendo metade dos recursos do Governo do Estado e a outra metade da gestão do presidente Lula. Nós também temos as obras do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com investimentos importantes em infraestrutura, com obras na área de recursos hídricos, como a terceira etapa do canal Acauã–Araçagi; na educação, com construção de escolas; na cultura, com os Centros Culturais; na saúde, podemos destacar o Hospital de Trauma do Sertão, em Patos, e o Hospital da Mulher, em Sousa; que totalizam recursos de R$ 18 bilhões apenas para o Estado, além de tantas outras parcerias que conseguimos firmar ao longo desse tempo, uma demonstração do olhar especial do Governo Federal com a Paraíba e com o Nordeste.

Quais são as prioridades do Governo do Estado para impulsionar os principais setores da economia paraibana — agropecuária, indústria e serviços?
Nós temos várias iniciativas para estimular esses setores. Na agropecuária, temos incentivado a realização de feiras, que, apenas em 2025, movimentaram mais de R$ 270 milhões em negócios, além de termos ações estruturantes de apoio à agricultura, a exemplo do PB Rural Sustentável, que vai entrar na sua segunda fase, com investimentos que irão injetar mais R$ 336 milhões no segmento; também construímos 120 bancos de sementes distribuídos em 15 territórios rurais do estado, beneficiando diretamente mais 25 mil famílias agricultoras; além da destinação de recursos para o Programa de Aquisição de Alimentos e o Incluir Paraíba, que ajuda famílias agricultoras em situação de vulnerabilidade. Para fortalecer a nossa indústria, temos atraído empresas de diversos segmentos, inclusive com incentivos para micro e pequenas empresas, assegurando a base tributária e a geração de emprego, contribuindo para a arrecadação e para a resiliência fiscal, tanto é que o setor industrial da Paraíba terá o terceiro maior crescimento do país e o primeiro do Nordeste em 2025, de acordo com estudos do Banco do Brasil. Nós também mantivemos a liderança na taxa de crescimento no setor de serviços no Nordeste e alcançamos o terceiro maior índice do país no ano, demonstrando a força do segmento. Ao combinarmos indústria, serviços, infraestrutura, habitação, economia verde, turismo e programas sociais, o governo evita concentrar a economia em poucos vetores e, assim, asseguramos o desenvolvimento do estado em várias áreas e de forma descentralizada.

O que o senhor ainda deseja fazer pela Paraíba até o fim do mandato?
Muito foi feito, mas ainda há muito para fazer. Mas tenho certeza de que deixamos a Paraíba melhor. Melhor na educação, na segurança pública, na saúde, na infraestrutura, nas políticas públicas de assistência social e de geração de emprego e renda, no trato com o servidor público, no diálogo com os demais poderes. Fizemos uma gestão de muito trabalho, muitas obras, mas, acima de tudo, com muito respeito às pessoas, levando dignidade e cidadania. Nós esperamos concluir um grande volume de obras até o final de nosso mandato, seja na infraestrutura hídrica, como as adutoras do Cariri e Curimataú, os hospitais que estão com obras em andamento, e é importante dizer que a Paraíba chegou a um patamar de muitas ações que não podem retroceder. Nós estamos cumprindo a nossa missão e tenho convicção de que a vida do paraibano está muito melhor porque tivemos a coragem, ousadia, compromisso e, principalmente, um trabalho incansável para que as pessoas tenham novas oportunidades de oferecer uma vida melhor às suas famílias.

*Entrevista publicada originalmente na edição impressa do dia 28 de dezembro de 2025.