Natural do município de Uiraúna, o monsenhor Gervásio Fernandes de Queiroga possui uma trajetória pastoral que se confunde com a própria vida religiosa e social do Sertão paraibano. Ele construiu um ministério marcado pela simplicidade, pela firmeza doutrinária e pelo compromisso com as causas humanas. Em Cajazeiras, cidade reconhecida por sua tradição educacional e espiritual, exerce o sacerdócio atento às transformações do tempo presente, sem abrir mão dos valores fundamentais do Evangelho.
Sua atuação vai além do altar. Comunicador sereno e reflexivo, participa do debate público com equilíbrio e responsabilidade, abordando temas relacionados à fé, à família e à realidade social nordestina. Para ele, a missão sacerdotal não se restringe à administração dos sacramentos, mas estende-se ao diálogo com a comunidade, à escuta das angústias do povo e à promoção da dignidade humana.
A iniciativa de entrevistá-lo integra a linha editorial de A União de valorizar lideranças que exercem papel significativo na formação ética, cultural e social da Paraíba. Em um momento de intensas transformações e desafios coletivos, a escuta de vozes comprometidas com o diálogo, a orientação espiritual e o bem comum torna-se fundamental para qualificar o debate público.
O mais antigo jornal impresso da Paraíba, ao abrir espaço para este diálogo, reafirma sua missão histórica de promover informação de qualidade, pluralidade de perspectivas e reflexão responsável, contribuindo para o fortalecimento da vida democrática e para o desenvolvimento social do estado.
Para esse momento, também foram convidados a professora Mariana Moreira, integrante do Conselho Editorial da Editora A União, e o jornalista Christiano Moura, editor do blog Coisas de Cajazeiras, ambos membros da Academia Cajazeirense de Artes e Letras (Acal).
A entrevista:
- Como o senhor despertou a vocação para padre?
Eu nunca tive vocação. Já nasci querendo ser padre. Eu não vivi no mundo nunca. Eu trabalhei no mundo. Sempre tive minha vida pessoal cristã e sacerdotal. Eu sou filho de um homem que era santo. Ele era profundamente cristão. Na minha casa, não entrava nada que não fosse límpido. Então eu ia, dava minhas aulas e depois voltava para ver o ambiente.
- Como foi a sua indicação para ir a Roma? Foi dom Zacarias?
Milagre. Quem era Gervásio? Um bichinho pobre, pé no chão. Meu pai era pequeníssimo funcionário dos Telégrafos. Ganhava só o suficiente para garantir nosso café, almoço e jantar. O café era com tapioca. O jantar era mungunzá com leite. Chegou aqui um bispo novo, lá de Pernambuco. Um homem extraordinário, chamado “dom Luís do Amaral Mousinho”. E não sei por que ele se encantou comigo. Com 16 anos, ganhei dele um livro que havia adquirido em Roma. Eu gostava muito de música. Quando completei 17 anos, já corria o boato de que ele tinha me escolhido para ser encaminhado a Roma. Para fazer o quê? Música sacra. Eu chorei, porque queria ser padre, não ser músico. Chorei mesmo. Mas fui chamado no dia 26 de novembro de 1951, ao Palácio Episcopal. Estava tomando café. Fiquei meio sem jeito. Conversa vai, conversa vem, aí, de repente, ele me dá a notícia. Eu jamais senti uma sensação mais profunda do que aquela. Naquele tempo sonhar com Roma era um pecado mortal, porque seria sonhar demais. E eu não podia dizer a ninguém que esse era meu sonho. Com 18 anos, fui para Roma. Dom Zacarias me mandou pela segunda vez porque tinha me prometido que eu terminaria o mestrado de Teologia em Roma. Na terceira vez, me disse que só mandaria se fosse para estudar Direito Canônico. Eu, num primeiro momento, recusei. Minha paixão era a Sagrada Escritura. Mas cedi diante da insistência dele.
- Então tem o dedo de dom Zacarias sua estada na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)?
Sim, porque ninguém queria isso. Ele me mandou para passar um ano, vi que precisava de dois. Terminei passando 22 anos.
- Padre, nesse seu período no jurídico da CNBB, o senhor disse que conhecia os bispos todos por nome. Quais os que mais lhe impressionaram?
Eu nunca conheci uma pessoa mais humilde do que dom Zacarias, bispo de Cajazeiras. Como também nunca conheci uma pessoa humana mais completa do que dom Helder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife. Impressionante isso. Não conheci ninguém igual, nem na política. Dom Hélder era um santo, um gênio. Fez uma opção radical dentro de uma igreja que estava totalmente colada com o poder. E com o mundo, porque a igreja é mundana. Dom Hélder teve a extraordinária capacidade de vencer essas tentações. No começo foi ligado ao poder, como funcionário do Ministério da Educação. Como bispo, ele entendeu que podia resolver o problema das favelas. Era questão só de querer. Mas foi descobrindo que era um problema muito mais profundo. Como poeta escreveu em torno de 10 mil poemas. Todo dia, desde seminarista, ele escrevia poesia. Ia dormir por volta das 10 da noite e, às duas da manhã, acordava e passava horas trabalhando mentalmente, rezando. Dormia de novo por uma hora e saía para visitar o pessoal que dormia nas ruas de Recife. Às seis horas, voltava para celebrar a sua missa. E havia um aspecto em dom Hélder que pouca gente sabe. Ele era um místico. Um colega lá do Rio de Janeiro, que o ajudava, dizia que ele chorava durante a celebração da missa e acariciava a hóstia consagrada. Tinha uma devoção muito grande ao Anjo da Guarda. Era um homem piedosíssimo. O pessoal só fala no Hélder político. Foi a figura mais completa, humana, sacerdotal que conheci. Aí o pessoal só fala do bispo vermelho. Que vermelho coisa nenhuma! Dom Hélder não era comunista nem por longe. Ele era santo. Outra figura extraordinária era o Casaldáliga. Em sua pregação episcopal, não colocava a mitra na cabeça, colocava um chapéu de palha. Muita gente ficou assombradíssima com a sua famosa carta pastoral que pregava a Igreja na luta contra o latifúndio e a exploração, porque era em plena Ditadura Militar.
- É lícito dizer que essas personalidades o inspiraram?
Não. Quem me inspirou foi Jesus Cristo. Já ouviram falar em dom Antônio Fragoso? Quando entrei no seminário, com 12 anos de idade, ele já tinha três anos de padre. O conheci até a morte. Excecpcional como pessoa humana, inteligência e piedade profunda. E adesão total aos pobres. E dom Luís Fernandes, bispo de Campina Grande? Para mim ele foi mais radical do que dom Helder Câmara e não tem esse valor reconhecido no Brasil. Esse pessoal nunca era escolhido para nada na CNBB. Deus me deu essa graça de ter convivido com pessoas sábias, santas e radicais na sua opção.
- O senhor sempre foi tido como um padre muito inteligente, qualidade que o levou a assumir as funções na CNBB...
Isso aí é besteira. Mas não porque era inteligente. É porque só tinha eu no Brasil disponível para trabalhar lá. Era um momento crítico do Direito Eclesiástico, Direito Canônico. Ninguém queria estudar isso, e quem estudava era ridicularizado. Eu mesmo fui ridicularizado porque meu bispo, dom Zacarias, me mandou a Roma para estudar Direito Canônico. As dioceses que tinham algum padre com formação na área não soltavam porque precisavam dele. Aí tinha um pobre, um padre coitado, que não valia nada aqui no Sertão da Paraíba. Que tinha feito uma tese sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e não servia para outra coisa. Comecei a ter contato com a CNBB em 1974 para fazer a pesquisa da tese doutoral. Eu era aluno em Roma. E lá me convenceram, mas até o fim resisti em fazer. Então dom Aloisio Lorscheider me convenceu a fazer a pesquisa para a tese doutoral sobre a CNBB. Ele conseguiu um dinheirinho na Alemanha para a viagem de ida e volta. Durante 22 anos, fui consultor jurídico da CNBB. Funcionava num prédio na Rua do Catete, no Rio de Janeiro, em frente ao Palácio São Joaquim. O material era todo desorganizado. Hoje é organizadíssimo. Tinha a licença de ler tudo o que quisesse. Encontrei lá uma carta de Juscelino Kubitschek.
- Nunca pensou em ser bispo?
Para quê? Eu não daria para ser bispo de jeito nenhum. Primeiro porque meu temperamento é severo, óbvio que não daria para ser bispo. Teria sido um desastre para mim e para a diocese que assumisse. Em segundo lugar, nunca fui consultado a respeito.
- Quando entrevistei dom Zacarias, perguntei sobre a bomba do Apolo 11. Ele nunca dizia nada a respeito. Só me disse que aquele episódio daria um filme. Qual o enredo que o senhor escreveria para esse filme?
Nada. Eu estava no Canadá. Era vigário numa paróquia de Montreal. Indo de Roma passar as férias no Canadá, ajudar na pastoral de lá. Chega uma carta do padre Francisco Sitônio contando a história. Falaram muitas besteiras a respeito. Na verdade, se a Polícia Federal quisesse levar a questão à frente, tinha levado. Cajazeiras, por ser uma cidade pequena, não tinha muita importância a nível nacional. Quem evitou que muitas pessoas perdessem a vida foi o relógio da igreja, que estava avançado na hora. Então o filme começou pelo relógio da catedral e terminou antes da bomba explodir. Dom Zacarias jamais comentou sobre qualquer suspeição que tivesse, porque isso poderia fazer um inocente sofrer. Mas eu penso que ele tinha suspeita de quem teria feito aquilo. Aí colocaram o Mister Boy. Dom Zacarias era amicíssimo dele, que foi quem o ordenou. Não tinha cabimento a versão de que ele faria uma bomba para matar dom Zacarias.
- O que o senhor acrescentaria sobre dom Zacarias?
Depois que a Ditadura Militar fechou o Movimento de Educação de Base (MEB), por entender que era uma forma de ensinar ideologia no meio rural, dom Zacarias distribuiu 100 aparelhos de rádio, sintonizados na programação da Alto Piranhas. Vejam só, um bispo considerado reacionário tinha ideias superavançadas. Eram as escolas radiofônicas. Uma ideia que tirou da Colômbia. Por isso que eu digo: dom Zacarias é uma figura a ser estudada. Sabe quem fundou os primeiros sindicatos rurais aqui no Alto Sertão da Paraíba? Um filho de latifundiário chamado “Zacarias Rolim de Moura”. Os sindicatos rurais não eram legais ainda; foram legalizados no governo de João Goulart. A Igreja começou a atuar em favor dos camponeses aqui, no Nordeste, através de uma grande figura que, infelizmente, virou conservadora, dom Eugênio Sales. Era amigo de dom Hélder, mas não seguia a sua ideologia.
- Aquele programa da Rádio Alto Piranhas: Verdade e Vida. Como foi essa experiência?
Quando tinha 15 anos, não havia telefone e eu já não vinha passar as férias em casa. Naquele tempo soube que, em uma nova cidade, perto de Campina Grande, tinha uma difusora. Realizei meu sonho de fazer um programa na difusora. Essa foi a minha paixão, a comunicação. Em 1964, quando das comemorações dos 50 anos da diocese de Cajazeiras, fiz, com o padre Andriola, um programa religioso na Difusora de Cajazeiras. Verdade e Vida era o tema episcopal de dom Zacarias. Em latim, Veritates Vita. Foi um dos programas religiosos mais antigos de toda essa área aqui. O pessoal parava para assistir. Naquele ano, quem estava na presidência da República era Castelo Branco. Eu não falava contra o Governo Federal, mas falava sobre a doutrina social da Igreja, que é revolucionária. Assim, não poderiam me acusar de criticar o governo. Castelo Branco, ingenuamente, imaginava que poderia fazer a Reforma Agrária nacional. Olha que sonho belíssimo! Encontrou um bloqueio total de Minas e São Paulo. Viu, então, que não podia fazer. Decidiu editar o Estatuto da Terra. Foi uma revolução. Nunca os problemas dos camponeses eram tratados no Código Penal. Ninguém tinha a coragem de ler esse estatuto. Resolvi explicá-lo nos detalhes, no programa. Os latifundiários ficaram furiosíssimos. Mas não podiam fazer nada porque era o Estatuto da Terra elaborado pelo Governo Federal.
- Como era sua relação com os comunistas e o Sindicato dos Trabalhadores?
Em 15 de novembro de 1961, chegou aqui um fiscal do Ministério do Trabalho e encontrou o pessoal da prefeitura trabalhando em pleno feriado. Convocou uma reunião no Sesc [Serviço Social do Comércio] para fundar exatamente um sindicato dos trabalhadores. Quem tomava conta do Sesc era Nadir Maciel, que telefonou assombrada, dizendo: “Aqui tem um comunista. Dom Zacarias me mandou participar da reunião”. Na mesa estava participando o doutor Gineto Pires e Sabino da Barbona, como era conhecido. E me botaram para participar também. Eu era superconservador, na época. Chegou um momento em que Sabino atacou João XXIII. Me levantei e tomei as dores, defendendo o papa. A reação dele foi falar que eu estava defendendo o papa porque vestia batina. Então eu disse: “Defendo com batina e sem batina”. E comecei a tirá-la. Fui então agarrado. Foi uma confusão. Superado o conflito, ao final da reunião, descemos todos conversando alegremente. A guerra ficou lá no local da reunião. Foi quando eu soube que iam trazer Francisco Julião para Cajazeiras. Peguei minha equipe de estudantes. Um deles vocês conhecem, Cajá, que chegou a ser preso pela Ditadura Militar, quando exercia a função de assessor de dom Hélder. Soube que havia uma turma preparada para botar para fora a Liga Camponesa na base do cassetete. Enfrentamos e ajudamos a fundar os sindicatos rurais na região. Em Sousa havia o Centro Educativo Rural. Em Catolé do Rocha, uma grande figura, o frei Marcelino. Em São José da Lagoa Tapada, o padre Nelson.
- Os padres italianos que vieram para Cajazeiras, como o senhor os via?
Como grandes amigos. Mas eram italianos e não tinham medo de falar do papa, nem de dom Zacarias, que não aguentou e os mandou embora. Mas eram figuras totalmente dedicadas ao povo.
- O senhor já era sacerdote quando aconteceu o Vaticano II? Como o senhor vê a caminhada da Igreja a partir dele?
A Igreja virou de pernas para o ar. Foi uma revolução. O Concílio não mexeu na Santa Sé, nem na cúpula romana. Não tinha coragem. Mas, quanto à teologia, à pastoral e à liturgia, foi uma revolução formidável. A segunda revolução na Igreja ainda vai terminar de acontecer, é de um personagem chamado “Francisco”. Quem esperaria que o arcebispo de Buenos Aires, um sujeito chamado “Jorge Mario Bergoglio”, viria a ser escolhido papa?
- Qual avaliação sobre os líderes atuais no país?
Eu tenho uma pena imensa do Brasil. Antigamente tínhamos grandes lideranças políticas. Carlos Lacerda, por exemplo. Eu o conheci pessoalmente. Hoje não tenho mais a mesma admiração da época. Mas era um grande líder. Tínhamos Getúlio Vargas, Henrique Teixeira Lott, que evitou dois golpes para garantir a posse de Juscelino, e Leonel Brizola. Hoje só tem um líder em nosso país: Lula, por quem tenho uma admiração profunda. Mas sinto uma tristeza profunda porque, debaixo dessa árvore, nenhuma outra cresceu. Isso é uma vergonha. Um país com mais de 200 milhões de habitantes. Quase a metade dos votos do Sul foi para essa liderança nacional que a Polícia Federal pegou e colocou na cadeia.
- O senhor conheceu Tarcísio Burity?
Conheci. Uma figura notabilíssima. Tinha 10 anos de idade, quando nos tornamos amigos. Ao ingressar no seminário, estava de luto pela morte da mãe. Eu era mais velho do que ele. Fomos amigos até a data em que morreu. Porém, o maior amigo dele era dom Luís Fernandes, o bispo mais radical de esquerda da Igreja. Burity era um homem de visão. No dia de sua posse como governador do Estado, eu cheguei a João Pessoa no meu jipe, passei por trás do Palácio da Redenção e fui para o bairro de Jaguaribe. Me encaminhei para a casa do pai de dom Luís Fernandes, que celebrou a missa da posse, mas não foi à cerimônia no Palácio. Estava lá conversando com dom Luís, no alpendre da casa, quando para um Landau. Dele desceu Tarcísio Burity, ainda de fraque. A primeira coisa que ele fez como governador foi visitar Didi, o pai de dom Luís Fernandes.
- E sobre Bosco Barreto, o que o senhor nos conta?
Apareceu uma figura política, aqui em Cajazeiras, chamada “João Bosco Barreto”. Um jovem advogado, que assumiu a defesa dos camponeses, mesmo sendo filho de um proprietário de terras. Como aquele de Pernambuco, também advogado, Francisco Julião, que liderou politicamente o movimento que ficou conhecido como “Ligas Camponesas”. Bosco Barreto era superavançado, não tinha medo de dizer as verdades. Certo dia, às seis horas da manhã, agentes da Polícia Federal chegaram à sua casa, sendo atendidos por sua esposa. Como ele ainda estava deitado, ela o acordou dizendo: “A Polícia Federal está aí querendo falar com você”. No que ele respondeu: “Diga à Polícia Federal que só atendo às nove horas”. Hoje aconteceria isso? Claro que não. Esperaram até as nove horas para Bosco sair. Ele que me contou isso. Ao ouvir essa história, falei: “Não te prenderam por quatro motivos: primeiro, você é de família muito rica; segundo, você é advogado, tem OAB; terceiro, é político, tem o MDB; e o quarto, você é doido”.
- Como o senhor vê, hoje, a Teologia da Libertação?
Eu nunca li uma obra da Teologia da Libertação e nem quero ler. Só li um livro de Leonardo Boff, porque um bispo da direita fez a acusação de que ele negava a divindade de Jesus, e isso é um absurdo. Li Igreja, Carisma e Poder.
- Como é que o senhor vê hoje a Igreja com essas novas tecnologias, a missa on-line, por exemplo?
Eu gosto muito de história. Minha fé se aprofundou vendo a história da Igreja Católica Romana. Uma história divina. Quando aconteceu o Conselho Vaticano II, era terrível o entrechoque das pessoas, mas terminou uma maravilha. Então eu tenho uma fé absoluta na igreja, porque com ela vivi e estudei muito. Não tem diabo que a derrube. Ninguém vence a Deus.
- Nesses 92 anos de vida, como o senhor conciliou a vivência entre o padre, o mundo lá fora, as tentações?
Eu não vivi no mundo nunca. Eu trabalhei no mundo, mas não vivi nele. Eu tinha minha vida pessoal cristã e sacerdotal.
- E o seu livro de memórias, A tristeza de não ser santo?
Não fui quem escolheu a frase para título do livro. Não gostei da frase. Foi um catarinense que fez. Além do mais, botou uma capa preta, atrás um resto do Coliseu. Só pedra velha e um padrezinho, vestido de batina. Leon Bloy, um escritor francês e católico, da primeira metade do século passado, foi quem falou isso.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 28 de junho de 2026.

