O indicativo de greve dos trabalhadores terceirizados da limpeza urbana de João Pessoa, que previa a paralisação das atividades a partir de hoje, foi suspenso após um acordo firmado entre o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Limpeza Urbana no Estado da Paraíba (Sindlimp-PB) e as empresas responsáveis pelo serviço. A negociação garante a continuidade dos serviços prestados por cerca de 1.200 trabalhadores vinculados às empresas Inovar Soluções Ambientais e TechSol Infraestrutura.
O acordo foi fechado ontem, após uma reunião realizada no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que começou por volta das 9h30 e se estendeu até o fim da tarde. A paralisação havia sido aprovada pela categoria após semanas de negociações sem consenso. Segundo o sindicato, a última proposta apresentada pelas empresas previa reajuste salarial de 4,11%, percentual considerado insuficiente pelos trabalhadores, que reivindicavam melhorias salariais e mudanças nas condições de trabalho.
De acordo com o presidente do Sindlimp-PB, Radamés Alves, a retomada do diálogo ocorreu após as empresas procurarem o sindicato e solicitarem uma nova rodada de negociações para evitar a greve. O principal ponto de divergência durante a reunião foi justamente o percentual de reajuste salarial. Segundo Radamés, a proposta final apresentada pelas empresas elevou o índice inicialmente ofertado e abriu caminho para o entendimento entre as partes.
Pelo acordo, os trabalhadores terão reajustes salariais de 8,11% ou 6,11%, conforme a função exercida na categoria. Além disso, foi incluída uma cláusula de correção automática vinculada aos futuros reajustes do salário mínimo federal, mecanismo reivindicado pelo sindicato para evitar a perda gradual da diferença salarial entre as funções. “Conseguimos o gatilho para o ano que vem. Quando aumentar o salário mínimo, aumenta também o percentual em cima do salário-base da categoria. Isso garante a valorização do piso salarial”, explicou o dirigente sindical.
Outro ponto que concentrou as discussões foi a adoção da escala de trabalho 5x2, uma das principais reivindicações dos trabalhadores. O novo modelo prevê cinco dias de trabalho seguidos por dois dias de descanso, substituindo a rotina atual da categoria.
A mudança veio acompanhada da redução da jornada semanal de trabalho, que passará de 44 para 42 horas. “A gente trabalha em torno de 12 horas por dia. Ninguém aguenta isso mais não. Então a gente vai ter dois dias de folga na semana e uma redução da carga horária, isso é muito bom”, disse Radamés.
As negociações também mantiveram regras para a renovação periódica dos uniformes e equipamentos utilizados pelos trabalhadores. Pelo acordo, os profissionais da coleta terão substituição dos fardamentos a cada quatro meses, enquanto os trabalhadores da varrição e do arrastão receberão novos equipamentos a cada seis meses. Entre as conquistas da categoria, estão ainda o aumento de R$ 40 do vale--alimentação e a manutenção do vale-combustível, de R$ 270.
Durante a reunião, também foi discutida a situação da frota utilizada na limpeza urbana da capital. Embora o tema não integrasse diretamente a pauta da campanha salarial, representantes das empresas informaram que novos veículos já começaram a ser incorporados à operação e que outras unidades devem chegar nos próximos dias.
Com o entendimento firmado entre as partes, o indicativo de greve foi retirado e os serviços de limpeza urbana seguem sendo executados normalmente em João Pessoa. O acordo será agora submetido à apreciação dos trabalhadores em assembleias convocadas pelo sindicato, mas a suspensão da paralisação já foi definida após a conclusão das negociações.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 10 de junho de 2026.