O cidadão paraibano que já registrou um boletim de ocorrência on-line, renovou a carteira nacional de habilitação, ou passou por uma teleconsulta no SUS, pode estar usando os serviços da Companhia de Processamento de Dados da Paraíba (Codata) sem nem mesmo saber. Criada em 1976, a empresa, que é uma sociedade economia mista, tem a missão de prover soluções, através de Tecnologia da Informação, para os órgãos públicos estaduais, buscando um melhor atendimento à sociedade em geral. Quase 50 anos depois, com a tecnologia avançando rapidamente e a compreensão do Estado da necessidade de modernização dos serviços, a Codata passou a ter um papel cada vez mais importante na administração pública.
Durante anos a empresa serviu, principalmente, para processar a folha de pagamento do estado, mas a partir dos anos 2000, começou a apoiar a transformação digital no estado. Foi durante a pandemia de covid-19, em 2020, porém, que enfrentou seu maior desafio: fazer com que todos os processos do estado, que até então eram físicos, pudessem ser administrados de forma digital, para que os serviços não parassem. Foi aí que surgiu o PBDoc.
Foi nessa época que o atual presidente da companhia, Ângelo Giuseppe Guido Rodrigues, foi convidado para a função. “Cheguei aqui, eu disse: ‘Não sei nem o que é que eu estou fazendo aqui’”, comentou relembrando as dificuldades de um período que exigiu adaptações em tempo recorde.
Ele ressaltou, no entanto, que vencer esse desafio e promover o crescimento da Codata só foi possível porque o Governo do Estado entendia a importância disso. “O governador João Azevêdo era engenheiro e foi professor de TI [Tecnologia da Informação]. Ele sabia da importância, do papel da TI para alavancar e melhorar cada vez mais o serviço. Então, houve muito investimento na empresa”, afirmou Guido.
“A empresa, da forma como estava antes, não ia conseguir atender. A gente tinha déficit de pessoas, a gente não tinha um prédio, um equipamento adequado. Salários baixíssimos numa área hoje altamente concorrida”, lembrou.
Desde então, a empresa ganhou uma nova sede, dentro do Centro Administrativo, em Jaguaribe, houve uma reestruturação organizacional e a realização de um concurso público. “Então, a gente começou a criar, de uma certa forma, alicerces para poder oferecer melhor um serviço. E aí, claro, começamos a trabalhar com uma coisa de cliente e de fornecedor. Então, começou a ter muito mais demandas, que a gente começou a assumir um papel de responsabilidade estratégica. Quanto mais você cresce, mais responsabilidade você tem e, principalmente, você tem que manter a qualidade dos serviços que você entrega. Para você ter uma noção, hoje a gente tem clientes privados hoje aqui”, comentou, acrescentando que o maior cliente continua sendo o Estado.
Entre esses clientes está o Detran da Paraíba. “A Codata é parceiro do Detran no desenvolvimento dos sistemas que nós utilizamos aqui. Temos um sistema já, é seguro, mas que já tem um certo tempo uma linguagem que não é tão comercial. De um ano e meio para cá, nós passamos a desenvolver juntamente com o pessoal da Codata um ambiente novo, totalmente atualizado, utilizando tecnologias e linguagens mais compatíveis com o mercado atual, facilitando as manutenções futuras. Então a gente está desenvolvendo um ambiente chamado Detranet, e a parceria com a Codata está sendo fundamental para que isso seja viabilizado”, contou o coordenador de TI do Detran, Israel Aureliano.
Ele lembrou ainda que, em dezembro de 2025, a resolução 1020 da Senatran alterou o processo para emissão da primeira habilitação com o programa CNH do Brasil. Foi com o auxílio da Codata que o Detran da Paraíba conseguiu realizar os ajustes necessários no sistema para ser o primeiro estado do país a emitir a CNH no novo padrão da resolução.
Outros clientes
Outro sistema que facilita a vida da população e foi possibilitado pela companhia é a Delegacia Online, que possibilita o registro de boletins de ocorrência sem sair de casa. “É uma aplicação que a gente não pode se dar o luxo de tê-la fora do ar, porque a população demanda esta aplicação 24 horas por dia, os sete dias da semana. E ela tem um impacto muito grande para o cidadão, porque evita que ele precise se deslocar até uma delegacia de polícia para o registro de uma ocorrência policial que muitas vezes não tem necessidade de uma investigação. Então, é uma ocorrência, por exemplo, que ela vai usar apenas para obter um seguro, ou para poder tirar uma segunda via de um documento que ela perdeu”, avaliou o diretor de Tecnologia da Informação da Polícia Civil do Estado da Paraíba, Jeorgy Ramalho.
Ele destacou também a importância do sistema para mulheres vítimas de violência doméstica. “Ela pode iniciar esse registro online, preencher o formulário de avaliação de risco e aí sim a delegacia da mulher requerer a medida protetiva de urgência junto ao judiciário, e ela já receber em casa essa medida protetiva, sem necessidade de se deslocar e sem levantar suspeitas para o agressor de que ela estava fazendo isso. Porque aí se ela sai de casa, se ela vai para uma delegacia, pode levantar essa suspeita no agressor”, disse.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) também tem recorrido à tecnologia para melhorar o atendimento. O Saúde Meet é um sistema de telemedicina desenvolvido pela Codata, conforme explicou o gerente executivo de TI em Saúde da SES, Kleyber Araújo. “Nós temos rodando nessa ferramenta a Rede Cuidar, que é uma rede de médicos, cardiologistas, pediatras, neonatologistas e obstetras de alto risco que trabalham em regime de plantão ambulatorial e de consultoria fazendo atendimento remoto de crianças e mulheres no estado da Paraíba”.
A ferramenta possibilita o atendimento por videoconferência e a emissão de documentos como receitas, atestados e laudos. O sistema já é integrado a Rede Nacional de Dados em Saúde e funciona 24h, todos os dias.
“O Saúde Meet também trabalha com o ‘Paraíba contra o câncer’, que é uma um sistema que a gente utiliza para fazer todo o serviço de oncologia, da primeira consulta até os exames. Nós temos a enfermeira navegadora que acompanha o paciente assim que ele é diagnosticado e entra nessa rede da teleoncologia, em que nós temos hoje em torno de 200 profissionais, somando enfermeiras e médicos oncologistas”, explicou Kleyber, que também contou que um sistema prontuário eletrônico também está sendo implantado em toda a rede municipal com a parceria da Codata.
Não é a Codata que recebe os holofotes, mas nem por isso a responsabilidade é menor. “A gente tem que ter uma capacidade muito grande de deixar esse serviço sempre online. Ninguém nunca vê. Eu sempre comparo determinadas situações com o saneamento. Você já viu um prédio de luxo ser construído onde não tem saneamento? Não. Então, o saneamento entra pela parte de infraestrutura. Tem toda parte de segurança também, que quanto mais digital, mais exposto o estado fica. Então, eu acredito que a TI hoje é altamente estratégica para se atender melhor, no caso dos serviços que o Estado oferece”, concluiu Guido.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 10 de maio de 2026.