Conquistar o primeiro emprego pode ser um desafio para muitos jovens, que esbarram na necessidade de experiência profissional exigida para a maioria das vagas. Pensando nisso, o Governo do Estado criou o Programa Estadual Primeira Chance, ligado a Secretaria de Estado da Educação da Paraíba (SEE-PB). Instituído em 2019 pela Lei nº 11.344, ele visa incentivar a inserção de estudantes e egressos da rede estadual no mundo do trabalho, por meio de estágios supervisionados e mentorias. Desde a sua primeira edição, a ação já ofereceu mais de 12 mil vagas de estágio, contando com a parceria de mais de 4.500 empresas concedentes, algumas participam da ação desde o início.
De 2019, quando foram 111 estagiários, até a última edição, em 2025, com 5.837, o crescimento em termos de estudantes beneficiados foi de mais de 5.000%. A gerente operacional responsável pela Gerência Executiva de Educação das Escolas Cidadãs Técnicas da SEE-PB, Mayra Paula Correia da Silva, explica que esse aumento se deu em razão da ampliação do número de vagas. “No início, em 2019, até 2023, nós tínhamos um número de vagas lançadas em edital e, em 2024, a secretaria universalizou a oferta. Isso significa que todo estudante, que esteja vinculado a uma escola técnica, que deseje estagiar e que tenha um campo de estágio, a secretaria tem orçamento para cobrir o período de estágio dele”, destaca.
O programa funciona da seguinte forma: os alunos que querem estagiar e as empresas aptas, que desejem ofertar vagas de estágio, inscrevem-se em edital previamente divulgado pela SEE-PB. “Durante o período do edital, podem se inscrever estudantes e as concedentes, ou seja, as empresas que tenham as condições, do ponto de vista burocrático, legalizadas, que não tenham débitos com a Receita Federal ou Estadual, que esteja regular”, esclarece Mayra. Já os estudantes, para concorrer a uma vaga, precisam estar vinculados a uma escola técnica, cursando o último ano, e terem ingressado no curso desde a 1a série do Ensino Médio.
O governo encarrega-se do pagamento de uma bolsa no valor de R$ 500 reais por mês, além de auxílio-transporte e seguro-estágio, para os estudantes selecionados. Ou seja, a despesa é do Estado, e não da empresa que disponibiliza a vaga. Ela só precisa conceder o estágio, dispondo-se a contribuir com a formação profissional dos alunos. O programa, além de fortalecer a Educação Profissional e Tecnológica, ainda contribui diretamente para o desenvolvimento do setor produtivo estadual, promovendo a inserção de estudantes qualificados, com currículos alinhados às demandas do segmento.
Para o ano de 2026, a projeção é que sejam disponibilizadas em torno de 11.405 vagas de estágio. “É uma oportunidade real de inserção no mundo do trabalho, de forma qualificada, porque um dos desafios que a gente vê também é a empregabilidade informal, muitas vezes em trabalhos precários, ou em funções que não condizem com a formação ou preparo do estudante. Então, é uma oportunidade de entrar no mundo do trabalho dentro daquilo que ele passou três anos estudando, se preparando para atuar”, ressalta Mayra.
Essa inserção no mercado de trabalho traz aos estagiários uma série de benefícios, o principal deles seria a vivência da aplicação prática de seus estudos. “Considerando que, principalmente na Educação Profissional, o processo entre teoria e prática é meio que indissociável, o estudante precisa ter essa articulação com o setor produtivo, para que ele consiga refinar os conhecimentos que adquiriu ao longo do curso”, reforça a gerente operacional.
A rotina em uma empresa também contribui para que os estudantes desenvolvam habilidades como a inteligência emocional, resolução de problemas e a capacidade de trabalhar em equipe, lidando com perfis diversos, além da responsabilidade e compromisso em respeitar horários, realizar tarefas e cumprir metas. “Ele tem a oportunidade de fazer essa orientação para a carreira, porque ele está fazendo um curso integrado ao Ensino Médio e, no estágio, ele poderá ver se realmente aquela carreira faz sentido para ele ou não, porque vai estar imbuído dentro do setor produtivo”, afirma Mayra.
Outro ponto é o impacto financeiro gerado pelo estágio. “Em 2025, fizemos um formulário de entrada para os estudantes que começaram a estagiar, e a gente identificou que 62% deles estavam em famílias que sobreviviam com um salário mínimo. Então, durante esses seis meses de estágio, eles recebem uma bolsa e a gente percebe que esse recurso tem um impacto muito positivo na vida do estudante”, conclui.
Experiência agrega conhecimento prático à formação profissional
Sair da sala de aula para a rotina de trabalho traz novas perspectivas e ensinamentos. A estudante egressa da Escola Cidadã Integral Técnica (Ecit) Cônego Francisco Gomes de Lima, Ana Luísa Pereira de Almeida, teve essa experiência. Ela concluiu o Ensino Médio no ano passado quando também finalizou o curso técnico em Administração. Durante este período, por meio do Programa Primeira Chance, estagiou em uma imobiliária, em João Pessoa, e conta que a vivência no local foi de muito aprendizado. “Foi a minha primeira oportunidade de emprego, e eu tive a sorte de encontrar um ambiente muito tranquilo, com chefes muito prestativos e solícitos, que me deram oportunidades ótimas ali dentro do trabalho. Foi maravilhoso!”, afirma. Para ela, poder estagiar fez toda diferença em sua formação profissional, pois foi nas atividades práticas que pôde averiguar em quais áreas tinha mais competência e em quais áreas precisava se aprimorar dentro das atividades administrativas. “Sair da teoria e ir para a prática foi muito bom”, destaca.
Por seu desempenho durante o estágio, Ana Luísa foi efetivada e hoje integra o quadro de funcionários da empresa. “Para o trabalho, o curso técnico me ajudou bastante. Eu tive ótimas oportunidades, até mesmo de conhecer mais o ramo da corretagem, porque é como eu costumo dizer para as pessoas que me perguntam, eu caí de paraquedas em imobiliária, nunca tinha me imaginado trabalhando em uma, então foi muito bom descobrir um novo caminho, um novo mundo”, relata, ressaltando que o estágio também lhe abriu esta nova porta.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 22 de fevereiro de 2026.