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Laboratório terá fábrica de insulina e canabidiol

publicado: 23/03/2026 08h46, última modificação: 23/03/2026 08h46
Unidade de Caaporã é fruto de política nacional de fortalecimento do SUS
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Instituição fornece medicamentos e outros insumos de saúde a 32 prefeituras da Paraíba | Foto: Divulgação/Lifesa

por Maria Beatriz Oliveira*

Fundado há mais de 60 anos, o Laboratório Farmacêutico da Paraíba (Lifesa) é uma empresa, ligada ao Governo do Estado, fundamental para a promoção da saúde pública de qualidade na Paraíba. Isso acontece por meio da produção de remédios e outros insumos de saúde, que são distribuídos de forma gratuita nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) de 32 municípios. E, neste ano, os serviços serão ampliados, já que o Lifesa ganhará uma nova fábrica de medicamentos.

A nova unidade de produção do Lifesa deve ser instalada no município de Caaporã, a 54 km da capital João Pessoa, e permitirá a fabricação de medicamentos como a insulina e o canabidiol (CBD). “Estamos em fase de consolidação de uma transferência de tecnologia de produtos derivados de cânabis em que o nosso parceiro se compromete a instalar, com recursos próprios, uma fábrica aqui na Paraíba e transferir toda a tecnologia de produção e o know-how para um projeto de saúde pública já em andamento. Nele, o Lifesa irá treinar médicos, farmacêuticos e enfermeiros para o melhor entendimento sobre prescrição, dispensação e uso dos canabinoides, que serão distribuídos pela Secretaria de Estado da Saúde [SES-PB] diretamente e gratuitamente aos usuários do SUS”, explica o diretor-presidente da empresa, Luciano Piquet.

O gestor descreve, ainda, o cenário que permite essa ampliação. “O Governo Federal lançou um programa para que os comprimidos e líquidos medicamentosos passem a ser produzidos no Brasil porque, hoje, 80% dos medicamentos disponíveis no SUS são importados, algo que tem um alto custo aos cofres públicos. A fábrica do Lifesa fará parte dessa produção nacional e será algo fantástico, porque o mercado do SUS é garantido”, afirma.

O programa federal ao qual o diretor-presidente se refere é a Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, lançada em 2023. A expectativa dos gestores é que, até o fim deste ano, sejam investidos R$ 42 bilhões em seis programas estruturantes, com o intuito de expandir a produção nacional de itens prioritários para o SUS e, consequentemente, reduzir a dependência do Brasil de insumos, medicamentos e vacinas estrangeiros. Essa expansão será feita, sobretudo, mediante a atuação dos laboratórios oficiais brasileiros.

O Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) são os exemplos mais conhecidos de laboratórios oficiais. Ambos foram fundamentais para o controle da crise sanitária da Covid-19 no Brasil. No entanto, o Lifesa também é um exemplo de instituição pública que produz medicamentos, vacinas, soros e insumos para o SUS, garantindo o acesso da população a recursos de saúde essenciais e reduzindo a dependência de produtos externos.

Luciano esclarece, ainda, que, embora o foco de laboratórios públicos como o Lifesa seja o atendimento ao SUS, isso não impede a parceria com empresas privadas para a troca de conhecimentos e o auxílio na produção de fármacos. “Por meio do Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, podemos fazer parcerias e transferência de tecnologia entre indústrias nacionais, estrangeiras e laboratórios oficiais como o Lifesa, que, por sua vez, vai produzir para o SUS”, aponta.

Empresa investe em tecnologias inovadoras

Para além da produção de comprimidos e líquidos medicamentosos, o Laboratório Farmacêutico da Paraíba desenvolve estudos voltados à produção de novos fármacos. Atualmente, a empresa tem trabalhado em uma pesquisa, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), para a detecção do papilomavírus humano (HPV), principal causa de câncer de colo de útero. “Essa pesquisa envolve 10 mil mulheres paraibanas que estão sendo testadas com um novo exame biomolecular, de patente do Lifesa, que pode detectar previamente o aparecimento do câncer de colo de útero com 99,9% de eficácia, se comparado ao tradicional exame papanicolau”, detalhou Luciano Piquet.

Teste em desenvolvimento antecipará detecção do HPV | Foto: Reprodução/Instagram @Fapesq_pb

De acordo com um relatório divulgado em 2023 pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente em mulheres, sendo a taxa de mortalidade da doença de 4,5 óbitos a cada 100 mil mulheres. Esse número pode ser reduzido com o diagnóstico precoce, algo que se torna possível com o exame biomolecular do Lifesa.

Diferentemente do papanicolau, que detecta a contaminação do vírus HPV por meio da visualização de lesões genitais, o teste biomolecular consegue antecipar se a mulher tem mais probabilidades de desenvolver o câncer de colo do útero ou não por meio da identificação dos genótipos do patógeno de alto risco oncogênico, ou seja, aqueles que têm maior potencial de evoluir para câncer.

Com a antecipação da doença, o tratamento torna-se mais simples e a mulher diagnosticada tende a ter menos complicações, podendo continuar sua vida normal com mais rapidez e sem necessidade de grandes cirurgias ou radioterapia e quimioterapia. O Ministério da Saúde implantou o teste no SUS no ano passado como uma tecnologia 100% nacional, vista como um marco para a saúde da mulher. A expectativa é que, até o fim de 2026, todos os estados do Brasil já tenham implementado o novo método de rastreio do câncer de colo do útero em toda a rede pública de saúde nacional.

Outra pesquisa desenvolvida pelo Lifesa é a criação de um aparelho que funcionaria de forma semelhante ao bafômetro. Porém, em vez de captar e medir a concentração de álcool no sangue, o equipamento seria utilizado para identificar doenças como diabetes e hipertensão.

“Temos trabalhado em conjunto com pesquisadores de toda a Paraíba para criar esse aparelho que detectará, por meio de biossensores, doenças cardiológicas e metabólicas. É algo que funcionará por meio de nanotecnologia e nossa expectativa é que, dentro de um ano, estejamos realizando, junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a fase de testes desse produto”, finaliza Piquet.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 22 de março de 2026.