O papa Francisco denunciou a situação humanitária “extremamente grave” em Gaza, cidade palestina, enquanto apelava pela libertação de cativos e por um cessar-fogo no enclave costeiro devastado pelo ataque genocida israelense. Em seu discurso de Natal urbi et orbi (à cidade e ao mundo, em livre tradução) ontem no balcão central da Basílica de São Pedro, no Vaticano, Francisco também pediu paz na Ucrânia e no Sudão.
“Pensei nas comunidades cristãs em Israel e na Palestina, particularmente em Gaza, onde a situação humanitária é extremamente grave. Que haja um cessar-fogo, que os reféns sejam libertados e que a ajuda seja dada aos palestinos gastos pela fome e pela guerra”, disse ele.
Israel matou pelo menos 45 mil palestinos em seus ataques contra Gaza e feriu 107.803 apenas de outubro de 2023 até ontem. Nesse tempo, Israel deslocou quase toda a população de Gaza e deixou grande parte do enclave em ruínas.
O político, de 88 anos, celebrando o 12o Natal de seu pontificado, pediu o fim dos conflitos, políticos, sociais ou militares, em lugares como Líbano, Mali, Moçambique, Haiti, Venezuela e Nicarágua. “Convido cada indivíduo e todas as pessoas de todas as nações a se tornarem peregrinos da esperança, a silenciar os sons das armas e superar as divisões”, disse o papa.
Fim da guerra na Ucrânia
Falando da varanda central da Basílica de São Pedro para milhares de pessoas na praça abaixo, o papa disse: “Que o som das armas seja silenciado na Ucrânia devastada pela guerra”. Ele também pediu “gestos de diálogo e de encontro, para alcançar uma paz justa e duradoura”.
Francisco foi criticado por autoridades ucranianas neste ano, quando disse que o país deveria ter a coragem da “bandeira branca” para negociar o fim da guerra com a Rússia.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já havia descartado o envolvimento em negociações de paz sem a restauração das fronteiras pré- -guerra da Ucrânia. Mas, com o decrescente apoio financeiro dos EUA e da Europa, Zelensky aumentou sua disposição em negociar com os russos.
Paz no Sudão
O chefe da Igreja Católica também estendeu seu apelo por um silenciamento de armas no Sudão, que foi devastado por 20 meses de guerra civil brutal, onde milhões estão sob a ameaça de fome.
“Que o Filho do Altíssimo sustente os esforços da comunidade internacional para facilitar o acesso à ajuda humanitária para a população civil do Sudão e iniciar novas negociações para um cessar-fogo”, disse ele.
No início desta semana, um grupo global de monitoramento da fome, apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), disse que a fome estava se espalhando no Sudão.
A guerra começou em abril de 2023, quando as tensões entre os militares e o grupo paramilitar Rapid Support Forces explodiram em combates abertos na capital, Cartum, antes de se espalhar para o resto do país.