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Programa alcançou mais de 34 mil vidas em três anos

publicado: 11/03/2026 08h38, última modificação: 11/03/2026 08h38
Número reflete uma rede fortalecida no combate às doenças cardiovasculares
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Estrutura conta com duas aeronaves, aptas para realizar o atendimento médico quando o tempo disponível é mais curto | Foto: Divulgação/Secom-PB

O Programa Coração Paraibano, iniciativa do Governo da Paraíba gerenciada pela Fundação Paraíba de Gestão em Saúde (PB Saúde), completou três anos ontem, fortalecendo o atendimento às urgências cardíacas em todo o estado. Desde a implantação, a rede já impactou mais de 34,8 mil vidas, por meio de um sistema que conecta hospitais, profissionais e tecnologia para garantir atendimento rápido a pacientes com sintomas de infarto em todas as regiões da Paraíba.

Em 2023, primeiro ano de funcionamento do programa, foram registrados 8.157 atendimentos. Em 2024, o número chegou a 13.459. Já em 2025, houve 13.263 pessoas atendidas pela rede do Coração Paraibano. Com os atendimentos já realizados neste ano — dados ainda não consolidados —, avalia-se que os números já tenham ultrapassado a casa dos 35 mil.

Para o superintendente da PB Saúde, Cícero Ludgero, os números refletem o fortalecimento da rede estadual de atendimento às urgências cardiovasculares e o impacto da integração entre hospitais, equipes de saúde e serviços de regulação. “As doenças do coração são a principal causa de morte no Brasil, e enfrentar esse problema exige organização da rede de saúde e acesso rápido ao tratamento. Com o programa, a Paraíba estruturou uma linha de cuidado que integra diagnóstico, regulação, transporte e atendimento especializado. Isso permitiu reduzir o tempo de atendimento e diminuir a mortalidade por doenças cardíacas no estado”, afirmou.

Atendimento rápido

O Coração Paraibano atende pacientes com sintomas sugestivos de infarto por meio de um Protocolo de Dor Torácica sistematizado. O atendimento começa nas unidades de saúde que funcionam como centros de referência, onde a equipe realiza o eletrocardiograma (ECG) nos primeiros 10 minutos após a chegada do paciente, etapa conhecida como “tempo porta-eletro”.

De acordo com o médico cardiologista e coordenador do programa, Ivson Braga, a organização da rede permite acelerar o diagnóstico e garantir que o paciente receba o tratamento adequado no menor tempo possível. “Assim que o paciente chega a uma unidade de saúde, é realizado um eletrocardiograma nos primeiros minutos e esse exame é avaliado pela equipe de cardiologia por meio da telemedicina. A partir dessa análise, conseguimos orientar a conduta mais adequada e encaminhar o paciente para o serviço especializado quando necessário, reduzindo o tempo para o diagnóstico e início do tratamento”, explica.

O fluxo de atendimento é organizado pela Central Estadual de Regulação Hospitalar (Cerh), responsável por direcionar o paciente para o serviço mais adequado dentro da rede. Quando necessário, o tratamento pode incluir trombólise, procedimento medicamentoso utilizado para dissolver coágulos responsáveis pelo infarto, especialmente quando o paciente está distante de um centro com hemodinâmica e o tempo de deslocamento ultrapassa 120 minutos.

Estrutura integrada

A rede do programa é organizada de forma regionalizada para ampliar o acesso ao atendimento especializado em diferentes regiões da Paraíba. A estrutura inclui 12 centros de referência distribuídos pelo estado, compostos por hospitais regionais e unidades de pronto atendimento (UPAs) responsáveis pelo primeiro atendimento, estabilização do paciente e início do protocolo de dor torácica.

O Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires (HMDJMP), localizado em Santa Rita, funciona como o centro coordenador da rede e é referência estadual em alta complexidade cardiovascular, contando com duas salas de hemodinâmica. Além dessas, o programa também dispõe de outros dois centros de hemodinâmica: um no Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, e outro no Complexo Hospitalar Regional Deputado Janduhy Carneiro, em Patos.

Para garantir a rapidez no deslocamento entre as unidades da rede, o programa também conta com uma estrutura de transporte coordenada pela Central de Operação de Frotas Interhospitalar (Cofih). A logística inclui 62 ambulâncias distribuídas em diferentes regiões do estado, de João Pessoa a Cajazeiras, além de duas aeronaves aeromédicas, utilizadas em situações em que o transporte terrestre ultrapassa o tempo recomendado para atendimento especializado.

Cenário

A criação do Programa Coração Paraibano foi motivada pelo cenário das doenças cardiovasculares, já que, apesar dos avanços na assistência, as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil e no mundo. O aumento da expectativa de vida, aliado à maior prevalência de fatores de risco, como obesidade, diabetes e tabagismo, contribui para a manutenção desse cenário e reforça a importância de políticas públicas voltadas à prevenção e ao cuidado com a saúde do coração.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 11 de março de 2026.