O Hospital Napoleão Laureano (HNL) iniciou a realização de transplantes de medula óssea (TMO) pelo Sistema Único de Saúde (SUS), retomando o procedimento na Paraíba. A iniciativa visa atender à demanda de pacientes, principalmente aqueles com leucemia, que antes precisavam ser encaminhados para o Rio Grande do Norte devido à ausência do serviço no estado. A solenidade que marca esse retorno foi realizada ontem, no próprio HNL, com a presença de autoridades do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde (SES), além dos deputados Luciano Cartaxo (Republicanos) e Dra. Paula (PP).
O momento foi marcado pelo início do procedimento em um paciente de 58 anos, natural de Juripiranga, que já estava internado na unidade. O processo consiste na coleta de células-tronco, uma etapa que dura de três a quatro horas.
Segundo o médico hematologista Rodolfo Soares, as células coletadas foram armazenadas para serem reinseridas no paciente na próxima etapa do tratamento. “O procedimento foi tranquilo: coletamos a quantidade de células boas e estamos enviando para quantificação, validação laboratorial e armazenamento. Esse transplante já está programado para a próxima terça-feira [28], quando ele vai receber de volta essa medula e aguardar o tempo de recuperação. Além deste, temos outros pacientes em preparação, finalizando a avaliação pré-transplante para iniciar nos próximos dias”, explicou.
A expectativa é que, até o fim do ano, o hospital realize oito transplantes por mês. Além disso, em um período de 60 a 90 dias a partir de agora, a unidade planeja iniciar o transplante alogênico, modalidade de maior complexidade, na qual a medula provém de um doador externo.
O diretor-geral do HNL, Marcílio Cartaxo, destacou que o transplante é um procedimento complexo com índices de cura que chegam a 90%. “O paciente oncológico agora tem um lugar para fazer o seu transplante de medula perto de casa”, celebrou.
Segundo o presidente de honra do HNL, Antônio Carneiro Arnaud, o hospital tem como missão principal atender pessoas de menores condições financeiras. “A Paraíba está crescendo e é esse o nosso objetivo a cada dia: melhorar o benefício para o paciente mais modesto”, ressaltou.
Estrutura do hospital precisou de adaptação
O presidente da Fundação Napoleão Laureano (FNL), Marcelo Lucena, explicou que o hospital realizou “adaptações obrigatórias pelas normatizações”, que incluíram uma grande reforma e a criação dos apartamentos-leito específicos. “O Laureano é o maior hospital oncológico do estado. Então, a gente tem que fazer esse trabalho, é uma obrigação que a gente tem com a Paraíba. Começamos, há mais de um ano, uma obra específica para abrigar todos esses pacientes, que são muito delicados e sensíveis”, pontuou. Segundo Lucena, o investimento ultrapassou os R$ 3 milhões, distribuídos entre recursos dos governos Estadual e Federal e da própria FNL, além de emendas parlamentares.
A secretária-executiva de Gestão da Rede de Unidades de Saúde da SES, Tália Sales, ressaltou que a iniciativa é fruto de uma parceria cada vez mais estreita entre a SES e o HNL. “É um passo realmente que vai mudar várias realidades de pessoas que precisam desse tratamento, que é muito específico”, ratificou.
A diretora do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, Guacyra Magalhães, enfatizou que a presença de centros de TMO reduz os gastos dos estados, além de promover o aumento de doações de medula. “O governo não precisa arcar com o transporte para fora do estado, como os custos de transporte e hospedagem da família e do próprio paciente. Além disso, os lugares que têm transplante de medula óssea acabam provocando um maior estímulo à doação de medula e isso também ajuda outros pacientes a conseguir encontrar o seu doador”, reforçou.
O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço, destacou a alegria de presenciar as novas entregas do hospital, além de ressaltar que a iniciativa está alinhada ao programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal.
“Aqui, na Paraíba, isso nos traz grande alegria e demonstra exatamente o quanto esse investimento é necessário. A gente só veio a ter uma política de atenção especializada em 2024 e isso demonstra a prioridade do Governo Federal para que se reduza o tempo de espera, para que a pessoa não precise se deslocar tanto para ter um atendimento”, afirmou.
Robô-cirurgião
Além de transmitir a realização da coleta de medula, a equipe do HNL apresentou outra importante aquisição realizada pela instituição em janeiro: o robô cirúrgico Da Vinci Xi. A ferramenta pode ser utilizada para diversas áreas, como urologia, ginecologia, cirurgias torácica, cardíaca e do aparelho digestivo.
O robô permite cirurgias minimamente invasivas com visão tridimensional em alta definição, ampliação de até 20 vezes e filtragem dos tremores naturais das mãos humanas, oferecendo maior precisão e segurança. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, esse tipo de procedimento apresenta menor risco de infecção, menor perda de sangue, menos dor no pós-operatório e recuperação mais rápida.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 22 de abril de 2026.
