O salão principal da Biblioteca Juarez da Gama Batista, no Espaço Cultural, em João Pessoa, foi o palco, ontem (16), do lançamento da coletânea do Prêmio Literário José Lins do Rego. Na ocasião foram publicados cinco livros que foram premiados por meio de edital público. Foram selecionadas obras de poesia, crônica, romance, conto e infantojuvenil, gêneros pelos quais Zé Lins, que dá nome ao prêmio, percorreu em seu caminho de reconhecida obra literária. Os autores vencedores foram Betyane Valentim da Silva, Renato Lima Dantas, Lucimário Augusto da Silva, Ana Clara Velloso Borges Pereira e Tainara da Silva Andrade.
O concurso, que foi realizado em parceria entre a Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) e a Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), teve o resultado final divulgado no dia 1º de novembro. Seguindo os critérios de pontuação que constaram no edital do concurso, a banca examinou 83 obras e selecionou cinco propostas. A diretora-presidente da EPC, Naná Garcez, exaltou o prêmio e a força literária de homens e mulheres da Paraíba.
“Eu fiquei muito contente com as edições publicadas, que teve muito cuidado em reconhecer os autores, com um perfil de cada um na orelha, com um resumo da obra dentro dos livros. Esse prêmio valoriza a diversidade regional e exalta o enraizamento da arte. Foram quase 90 obras inscritas. Isso mostra fortaleza que é a literatura”, destacou Naná.
Autora de “Crônicas para ler entre a pressa e a pausa: para desacelerar, rir, pensar e seguir em frente”, que venceu no gênero de crônica, Betyane Valentim da Silva agradeceu pela deferência. “Eu saí de Mamanguape e estou aqui vendo um sonho realizado. Foi um grande prazer ver o livro em minhas mãos”, contou a escritora.
Vencedor no gênero poesia, Renato Lima Dantas, de João Pessoa, autor de “Enquanto a casa dorme”, falou da importância da literatura em sua vida. “É uma validação muito grande. Eu sempre quis ter um livro publicado, já mandei para editoras e, ou não houve resposta, ou recebi um ‘não’. Agora a minha obra tem seu lugar físico. A poesia me resgata todos os dias”, comentou Renato.
Quem ganhou na categoria romance foi Lucimário Augusto da Silva, natural de Itaporanga, mas habitante de Pilar, terra de Zé Lins, há três décadas. “Meu avô era poeta, um poeta do dia a dia. Acho que com ele tomei gosto pela literatura. Meu livro é um romance em que ninguém sabe o que é real e o que é ficção. Mas tudo é realidade. E passa pela vida de Zé Lins e dessa nossa terra”, descreveu o autor de “Fantasmas do Rio Paraíba: vozes de Pilar”.
Ana Clara Velloso Borges Pereira, de João Pessoa, foi a autora que ganhou o prêmio no gênero infantojuvenil, com o livro “Viagens no tempo causam enjoo (e outras verdades científicas)”. A escritora ficou feliz com o reconhecimento. “É um incentivo fantástico, sobretudo, porque nos dá uma visibilidade maior, para além da publicação. A gente acaba também tendo outras formas de estar em contato com os leitores por meio do poder público”, analisou Ana Clara.
A única autora ausente na cerimônia foi Tainara da Silva Andrade, de Cajazeiras, que foi a vencedora no gênero conto, com a obra “Antepassam terreiros e cajus: a colonização sobre as crenças e os corpos-território de Pindorama/Brasil”, publicado sob o pseudônimo de “Yurema Otxukaiana”.
Foram rodados 400 livros de cada autor ou autora vencedor, totalizando dois mil exemplares impressos. Os escritores e as escritoras premiados terão direito, cada um, a uma cota de 50 exemplares de suas respectivas obras, a título de direitos autorais. Os livros serão distribuídos entre as bibliotecas que fazem parte do Sistema Estadual de Bibliotecas, enquanto outra parte do material impresso vai ficar com a própria EPC, que vai comercializar as obras em feiras e em sua livraria, que fica no Espaço Cultural José Lins do Rêgo.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de dezembro de 2025.