O artesanato paraibano ganhou uma nova perspectiva ao ser apresentado como alta costura no desfile de moda produzido pelo consultor de estilo e imagem, Haendel Mello e realizado durante o 42º Salão do Artesanato Paraibano, em Campina Grande.
O evento realizado, ontem (1º), reuniu quatro coleções criadas a partir da parceria entre estilistas, designers e artesãos da Paraíba.
Essa é a segunda edição do desfile intitulado “Tramas Arretadas”, que tem como principal intuito posicionar as produções manuais paraibanas junto à moda contemporânea, unindo o saber popular tradicional com o universo fashion, ao mesmo tempo que mantém a cultura e a história local preservadas nas peças produzidas.
A primeira-dama, Camila Mariz, prestigiou o encontro e afirmou ser mais uma oportunidade para os artesãos. “As coleções apresentadas hoje são fruto da parceria entre o Governo do Estado e o Sebrae e fazemos isso com muito zelo para que nossos talentos do artesanato sejam colocados sob uma nova perspectiva. O trabalho mostrado nesse desfile é algo exclusivo e único. Na primeira edição do Tramas Arretadas, nós nos emocionamos ao ver na passarela um trabalho manual virar moda porque o nosso objetivo é um só: dar ao artesão dignidade para que ele compreenda o valor do seu trabalho”, declarou Camila.
As quatro coleções de moda apresentadas foram Jardim de Labirintos, assinada por Lu Azevedo em colaboração com o Quilombo Pedra D’água, de Ingá; Margarida Entre Nós, também de autoria de Lu juntamente com a Cooperativa Mista Agro Artesanal de Juarez Távora; Lar-Jedos, fruto da parceria entre o estilista Ronaldo Fraga e as crocheteiras da comunidade Marinho, de Boqueirão; e Simplesmente Paraíba, criada por Haendel Mello, a professora Sandovânia Bertulino e alunos do curso de Produção de Moda da Escola Cidadã Integral Técnica de Alcantil.
Haendel Mello, consultor do desfile e um dos coautores da coleção Simplesmente Paraíba, destacou a participação dos alunos da rede estadual na construção do conceito por trás do conjunto de peças apresentadas. “É um projeto que envolve a educação e as habilidades manuais tradicionais. Junto com os alunos, fizemos pesquisas e decidimos homenagear a Paraíba por meio de diversas tipologias do artesanato, como cerâmica, metal, fibra, madeira, crochê e bordado. O mais impressionante do processo é que estudantes que, no início, nem sequer sabiam o que era macramê, em 15 dias estavam produzindo alta costura em macramê, se dedicando inteiramente à coleção”, contou o estilista.
Em sua participação no evento, a primeira-dama Camila Mariz também frisou a importância de dar oportunidade às mulheres que trabalham com o fazer manual. “As pessoas estão entendendo que o artesanato paraibano é rentável e, mais que isso, que o dinheiro vai direto para o bolso do artesão. Então trazer a comunidade quilombola e as mulheres para o destaque é também falar de resistência. O artesanato também é isso e tem se consolidado como uma ferramenta de autonomia financeira, principalmente para as mulheres, algo que é determinante para romper ciclos de violência e, inclusive, salvar vidas”, afirmou.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 02 de junho de 2026.