O lançamento dos livros “Tóti: o jabuti colorido e que torcia por árvores” e “ABC dos Bichos” reuniu fãs de literatura numa tarde em que duplas inseparáveis saltaram aos olhos: prosa e poema; infância e vida adulta; ilustração e palavra; pipoca e manteiga da terra; escritor e inspiração. A cerimônia ocorreu, em frente à Livraria A União, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa. Para o autor de “Tóti: o jabuti colorido e que torcia por árvores”, Edvaldo Nunes, a inspiração para construir uma narrativa infantil surgiu quando sua filha tinha cinco anos de idade. A ideia ficou engavetada por 36 anos até se materializar num livro de 48 páginas, ilustrado por Matheus da Fonseca e publicado pela Editora A União.
As quase quatro décadas de gestação do jabuti devem-se as outras atividades de Nunes, seja como empresário, seja na literatura. “Já tenho quatro livros de poesia, três livros de Engenharia na área de Segurança do Trabalho, um livro de história que trata do Botafogo da Paraíba e do Estado na década de 1930”, listou. Tanto tempo depois, a ignição para concretizar a viagem de Tóti em obra impressa vem de uma dupla: os netos de nove e cinco anos de idade. Para Nunes, uma das grandes dificuldades nessa jornada de autor infantil foi encontrar a fórmula para se comunicar adequadamente com os pequenos. “Tive que ter muita paciência e resiliência para escrever com a linguagem que atendesse ao público infantojuvenil”, ressaltou.
Na visão do autor de “ABC dos Bichos”, hipervalorizar a ingenuidade da criança na hora de escrever para eles é um erro. “A literatura para criança é como qualquer outra, com todos os tratamentos estéticos, de sonoridade, de ritmo, de escolha vocabular. A diferença é a necessidade de um mediador de leitura, o pai, o tio, a mãe, o professor. Eles vão fazer com que esse livro chegue à criança”, argumentou Jairo Cézar.
A inspiração do poeta e professor também estava dentro de casa. Rapunzel e outros poemas da infância (Forma, 2010) é o primeiro livro que Beatriz Gomes, de 15 anos, leu. Ela é filha de Jairo. Com textos do pai e ilustrações do avó, a obra alicerçou o gosto pela literatura na adolescente. “Eu decorei todos os poemas de Rapunzel. Gosto muito de livros de romance ou de terror, mas no momento estou lendo Vidas Secas de Graciliano Ramos”, contou.
Sem barreira etária
Dos 11 livros de Jairo Cézar, nove são infantis e dois são para adultos. Todos em verso. “Poesia é um estado de infância, como diria Carlos Drummond de Andrade. Eu escrevo para crianças de todas as idades. Essa linha do infatil e infantojuvenil é muito tênue. Talvez, o livro lançado hoje se encaixe para crianças de 10 a 12 anos”, discorreu.
Ou talvez não se restrinja a essa faixa de idade. A estudante de jornalismo Ana Valéria Silva esteve no lançamento do livro com o filho Pedro, de oito anos. Ela disse que comprou o livro para o filho e para ela mesma. “Jairo é meu professor há dois anos e eu prestigio os livros dele nas aulas. Desde sempre, ele se inspira na filha e busquei esse livro também para inspirar o meu filho”, comentou.
Propósito editorial
Conforme o gerente da editora A União, Alexandre Macedo, os títulos direcionados para essa faixa de idade tem crescido continuamente, o que indica o realce na formação de novos cidadãos-leitores. “Esse ano, a gente inicia de uma forma bastante satisfatória, lançando dois livros, um infantil e outro infantojuvenil. São duas obras que são de importância para a cultura paraibana, para as crianças, os jovens, e além do que trazem mensagens muito positivas sobre preservação ambiental, cuidado e respeito com os animais”, declarou. Os títulos lançados ontem estão disponíveis para venda na Livraria A União.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 23 de janeiro de 2026.