Presos desde o dia 15 de agosto em São Paulo, capital paulista, os influenciadores Hytalo Santos e Israel Vicente (Euro), seu companheiro, finalmente se encontram em solo paraibano. O vôo comercial que os trazia ladeados por quatro policiais civis saiu do Aeroporto Internacional de São Paulo, na cidade de Garulhos, e pousou no Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto por volta das 17h15 de ontem (28). De lá, Hytalo e Israel seguiram com escolta automotiva para o Instituto de Polícia Científica (IPC), por volta das 17h45, onde realizaram exames de corpo de delito. Partiram, então, para o Presídio Desembargador Flóscolo da Nóbrega, mais conhecido como Presídio do Roger, unidade padrão para abrigar presos provisório no estado, ao qual chegaram por volta das 18h44. A operação de recambiamento que visava o transporte aéreo de Hytalo e Israel para o estado reuniu um efetivo de cerca de 100 integrantes das forças de segurança da Paraíba, entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Polícia Rodoviária Federal, além da Semob-JP.
Nos próximos cinco dias, os jovens permanecerão em regime de reconhecimento. Isso indica que estarão em uma mesma cela, sem contatos com outros prisioneiros, sem visitas ou banho de sol, apenas com acesso aos advogados. Após esse período, os presos passarão a ficar no pavilhão voltado para a população de presos LGBT. “Como todos os presos, eles terão o período de reconhecimento para que sintam o presídio e para que a gente também observe, e passe por esse período de adaptação. São cinco dias que a família terá para cadastrar quem for visitá-los, lembrando que o banho de sol e a rotina da cadeia só terão depois desse período”, explicou o diretor do presídio, Edmilson Selva.
O secretário de Administração Penitenciária, João Alves, avaliou de maneira positiva a condução da operação. “Graças a Deus, tudo saiu de acordo com o previsto, não houve nenhum incidente, foi dentro do tempo planejado. Estamos felizes, satisfeitos por estar cumprindo a missão. Quanto aos presos, eles vão cumprir o que a Justiça determinar, vão fazer a ficha, preparar o cadastro, ficar recolhidos no reconhecimento, depois serão incluídos no convívio do pavilhão LGBT. Daqui para frente, é aguardar as decisões do Poder Judiciário”, reforçou Alves, após a chegada dos acusados no Presídio do Roger.
Entre quem acompanhava a chegada, tanto no aeroporto quanto no Presídio do Roger, as opiniões variavam entre reconhecer e amenizar a culpa do acusado. Ednaldo Freitas é jornalista e acompanhou, durante a tarde e início da noite, a movimentação no entorno do presídio. “Apesar de não o conhecer, eu sou a favor da prisão preventiva dele. Claro que há os fãs que são contra essa prisão. Desde o início da tarde, estou aqui observando e acompanhando desde o começo [da operação]. Vi muitas pessoas que eram a favor dele, que diziam que ele era inocente”, percebe Freitas. Bárbara Souza, 28 anos, por sua vez indica que falta ampliar mais o alcance das investigações, sem focar em uma pessoa apenas. “A repercussão está muito grande, mas, se a gente parar para analisar, não é apenas ele, a Justiça deveria ser para todo mundo. Quantos influenciadores não existem por aí, crianças, de menor, nas redes sociais? Tem muita coisa por trás”, opina a jovem.
Acusações
Hytalo Santos e Israel Vicente (Euro) são investigados pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Polícia Civil do estado (PCPB), por exploração e exposição de menores de idade em conteúdos sexualizados e publicados nas redes sociais. A principal acusação contra o casal é a de tráfico de pessoas, mas as apurações sobre o caso apontam, ainda, fortes indícios de exploração sexual de adolescentes, envolvendo a produção, o armazenamento e a divulgação de cenas de sexo e de nudez de menores.
O MPPB e MPT também apuram a prática de trabalho infantil irregular, devido à monetização da imagem dos jovens em redes sociais. Por fim, a conduta do influenciador e de seu marido é investigada por crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como submeter menores a vexame e constrangimento e produzir ou fornecer conteúdo pornográfico. O despacho judicial ainda menciona a suspeita de lavagem de dinheiro, que deve ser apurada no decorrer do processo.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 29 de agosto de 2025.