O Irã fechou, ontem (1º), o Estreito de Ormuz, uma das principais hidrovias para o transporte de petróleo no mundo, após escalada em confronto contra os Estados Unidos e Israel. A Guarda Revolucionária afirmou que incendiará qualquer navio que tentar passar pela única saída do Golfo Pérsico para o mar aberto.
Um comandante sênior da Guarda Revolucionária do Irã advertiu que Teerã teria como alvo o transporte marítimo pelo estreito e atacaria a infraestrutura de petróleo no Oriente Médio para impedir as exportações, segundo a agência de notícias Iran International, baseada em Londres. “Também atacaremos oleodutos e não permitiremos que uma única gota de petróleo saia da região”, disse o brigadeiro-general Ebrahim Jabbari em declarações divulgadas pela mídia iraniana ontem. Ele acrescentou que “os preços do petróleo chegarão a US$ 200 nos próximos dias”.
O Estreito de Ormuz, entre a Península Arábica e o Irã, é uma artéria vital para o comércio mundial, principalmente para o transporte de petróleo. O estreito conecta grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, e concentra cerca de 20% do fluxo global da commodity.
Dólar sobe
Depois de escalar a R$ 5,21 pela manhã com a aversão a risco generalizada diante da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, o dólar à vista arrefeceu a alta e encerrou, ontem, a R$ 5,1659 (+0,62%). Operadores do mercado financeiro mencionam que houve uma moderação no sentimento negativo ao longo da tarde — portanto, antes do anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz —, focando na possibilidade de o conflito não se estender. Além disso, o real é a terceira moeda com maior exposição ao preço do petróleo, que saltou mais de 6%, segundo cálculos do JPMorgan.
O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, chegou a afirmar que houve uma moderação no sentimento de aversão a risco com o andamento do pregão. “Acho que é a percepção de que talvez possa haver algum tipo de diálogo, se é que dá para falar em diálogo depois de tantas agressões. Mas talvez a percepção de que as coisas podem não escalar além do nível que já se escalou”, acrescentou na ocasião.
Galhardo enfatizou que o DXY também arrefeceu a alta, assim como o petróleo, sendo sinais de que o sentimento negativo havia sido suavizado no momento. O contrato Brent para maio chegou a saltar quase 10% e fechou com avanço de 6,68%, a US$ 77,74 por barril.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 02 de março de 2026.