Período de 40 dias de preparação para a Páscoa, dentro da tradição católica, a Quaresma é um tempo de silêncio, reflexão e compromisso concreto com o amor ao próximo. Ontem, esse tempo teve início na Arquidiocese da Paraíba, recebendo os fiéis para a celebração da missa com imposição das cinzas.
Às 18h, na Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, no Centro, em João Pessoa, a celebração foi presidida pelo arcebispo metropolitano da Paraíba, dom Manoel Delson Pedreira. “Vivenciamos todos os anos a Quaresma, com aqueles valores da penitência, da oração, da caridade, e devemos assumir com mais intensidade, abrindo o nosso coração para a experiência do encontro com Deus e deixando que as suas graças entrem na nossa vida, para nos tornar seres humanos melhores na nossa convivência com o outro, com mais caridade, respeito e humanismo”, comentou o arcebispo sobre o período que se inicia.
A Arquidiocese da Paraíba enfatizou que a Quarta-Feira de Cinzas abre, para toda a Igreja, um tempo forte de “conversão, penitência e renovação espiritual”. “Sinal externo de humildade e reconhecimento da fragilidade humana, a imposição das cinzas recorda aos fiéis o chamado à mudança de vida e ao retorno sincero a Deus”. Ao receber as cinzas, cada cristão é convidado a refletir sobre a brevidade da vida. “Jesus Cristo passou 40 dias no deserto, sendo tentado, sofrendo, e venceu as tentações. Então, 40 dias na Sagrada Escritura é muito indicativo. É um tempo propício para um movimento espiritual muito, muito grande”, destacou dom Delson.
Severina do Nascimento Meira comparece, todos os anos, com o marido, Amilton, e as netas Maria Júlia e Maria Inês, à celebração de cinzas. “Só se eu estiver doente, ou acontecer alguma emergência, eu perco essa celebração. Para mim, que estou no catolicismo uma vida inteira, esse tempo que antecede a Páscoa é muito importante. Faço questão de participar”, conta.
“Fraternidade e Moradia”
A ocasião também foi espaço para divulgar a Campanha da Fraternidade de 2026, que tem como tema “Fraternidade e Moradia”, e reforça aos fiéis o chamado ao compromisso com os mais vulneráveis, especialmente as pessoas em situação de rua. “É um tema que nos desafia, porque, num país como o nosso, ainda há mais de 100 milhões de pessoas que não têm moradia, e também mais de 23 milhões no Brasil que vivem de modo precário”, afirmou o arcebispo da Paraíba.
Inspirado nos dias que Jesus passou no deserto, o tempo litúrgico quaresmal convida à prática da caridade e da oração, conduzindo os católicos a um caminho de fortalecimento da fé. Dom Delson reiterou que a campanha se volta para uma realidade socioeconômica do país que merece atenção particular de toda a sociedade. “Cada ano, a gente, como igreja, pega um desses temas para aprofundar mais, fazer um estudo também sociológico do que está acontecendo e encontrar saídas e motivar nossos governantes para políticas públicas no sentido de melhorar as moradias, dar moradia para quem não tem e também tirar as pessoas daqueles lugares que não apresentam condições dignas para se viver”, afirmou.
A campanha acontece em todas as dioceses do Brasil, e o dinheiro arrecadado pelas doações será destinado, neste ano, a projetos na linha de moradia. “O pouco que nós recebermos, vamos destinar a ajudar a construir e reformar algumas casas. Estamos estudando, nas nossas foranias, o que nós podemos fazer, dependendo da quantidade de recursos. É muito importante essa partilha do que temos e o bem que conseguimos fazer; são projetos significativos. Mais de 245 mil pessoas foram beneficiadas com a campanha do ano passado, então é um número importante e uma expressão da fé e da comunhão da Igreja”, concluiu.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 19 de fevereiro de 2026.