Notícias

luto

Morre em João Pessoa, aos 71 anos, o advogado Marcos Pires

publicado: 08/10/2026 08h47, última modificação: 08/10/2026 12h33
arquivo pessoal (1).jpeg

Marcos Pires deixa um legado de humanidade e gentileza | Foto: Arquivo pessoal

por Bárbara Nascimento*

O advogado Marcos Pires dos Anjos Bezerra morreu aos 71 anos, ontem, em João Pessoa, em decorrência de um câncer no pâncreas. Ele estava internado no Hospital Nossa Senhora das Neves. O velório será realizado hoje, a partir das 8h, no Cemitério Parque das Acácias, onde também ocorrerá o sepultamento, às 16h. Marcos deixa a esposa, dois filhos e netos.

Além da excelência jurídica e da forte presença no meio cultural, Marcos deixa um legado pautado, sobretudo, por uma humanidade e gentileza ímpares. “Marcos era um exemplo raro de ser humano. Solidário, agregador e dono de um coração gigante, ele fazia das mesas da padaria Bonfim, no Cabo Branco, o verdadeiro ponto de encontro da amizade verdadeira. Era ali, entre um cafezinho e uma boa prosa, que ele exercia sua melhor profissão: a de ser amigo de todos”, lembra a nota publicada no perfil da Fatos e Letras no Instagram.

O amigo de longa data e colunista do jornal A União, Abelardo Jurema, definiu a essência de Marcos. “Nunca conheci ninguém tão generoso em toda a minha vida. Vai fazer falta na cidade inteira. Do governador ao servidor do Palácio, ele tratava todos de forma igualitária”, recordou Abelardo.

A advocacia paraibana também perde uma de suas referências mais respeitadas. Em nota, a Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PB) destacou que Marcos Pires “construiu uma trajetória de cerca de 40 anos na advocacia, conhecido para além dos tribunais pela relação com a cultura, o Carnaval e a memória de João Pessoa. No sistema OAB, exerceu diversos cargos, a exemplo de conselheiro estadual e presidente de comissões temáticas da Ordem”, destaca a mensagem de pesar.

O presidente da OAB-PB, Harrison Targino, lamentou a perda. “Nos deixa um paradigma de advogado, um exemplo de profissional, de pessoa e de amigo. Marcos Pires foi sempre uma unanimidade na advocacia pelo respeito ao seu ser profissional, à sua competência e pela forma leve com que sempre levou a vida em todos os campos. Alguém que me inspirou sempre, renovando a esperança na vida e a alegria de tê-lo como amigo”.

Para o jornalista Gerardo Rabello, o luto é profundo. “Marcos Pires foi um menino rico que ficou pobre e, através do conhecimento, virou um grande advogado da Paraíba. Nunca valorizou o dinheiro e criou um mundo de amigos. A Paraíba e o Brasil perdem um grande filho”, declarou.

Com crônicas marcadas pelo humor e pela observação da vida, Marcos Pires consagrou-se como um dos colunistas mais lidos de O Norte Online, conquistando os leitores com o mesmo carisma que tinha entre os amigos. “Quando criei o portal, no fim de 2024, Marcos foi um dos primeiros colunistas que convidei. A maneira como aceitou prontamente me encheu de otimismo. Naquele começo, ter sua companhia significava muito; seu ‘sim’ foi um gesto de confiança que guardo com gratidão”, destacou o diretor e editor do portal, Marcondes Brito.

Caso Zuzu Angel

Além de sua trajetória na advocacia paraibana, Marcos Pires teve atuação importante no caso Zuzu Angel. Em 1976, quando estudava Direito no Rio de Janeiro, ele presenciou o acidente forçado que matou a estilista na saída do Túnel Dois Irmãos. Anos mais tarde, seu depoimento e uma carta detalhada ajudaram a comprovar que o veículo havia sido abalroado, desmentindo a versão oficial da Ditadura Militar de que ela teria dormido ao volante e permitindo que a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos reconhecesse a responsabilidade do Estado na morte de Zuzu.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de outubro de 2026.