O encontro dos blocos Muriçoquinhas e Melhor Idade consolidou-se como um evento marcante e plural das prévias carnavalescas de João Pessoa. Agregando diferentes gerações, a festa aconteceu, ontem, no Busto de Tamandaré. Um dos momentos mais animados do Folia de Rua, o evento fez parte do Folia em Sol Maior, promovido pela Prefeitura de João Pessoa, por meio de sua Fundação Cultural, a Funjope.
O bloco infantil Muriçoquinhas começou às 16h30, com concentração na Via Folia (Avenida Epitácio Pessoa). Com o tema Faça uma Criança Feliz, que reforçou a essência lúdica e inclusiva da festa, o bloco reuniu os pequenos foliões, acompanhados de pais ou responsáveis, para homenagear o Clube Cabo Branco. Barca Maluka, orquestras de frevo, grupos de cultura popular, palhaços e artistas circenses animaram a festa. Encerrando o desfile, as apresentações de Paulo Barreto, Ivan Martins, Bira Delgado e da banda Paraíba Feliz fizeram um resgate dos antigos carnavais do Clube Cabo Branco.
Dentre as peculiaridades do Muriçoquinhas, destaca-se o fato de que o bloco, todos anos, é o evento de estreia para novos pequenos foliões. Márcia Michele, mãe de Maria Giulia, de dois anos, acompanhou a menina, que participou do bloco pela primeira vez. “No ano passado, ela ainda não entendia muito bem, era muito nova”, conta a mãe. Segundo ela, atualmente, a filha já gosta de dançar e mostra mais interesse em eventos festivos. “Estou contente em ver o primeiro Carnaval de rua com ela”, completa.
Já Márcia Monteiro acompanhou a filha Evelyn, de oito anos, e duas sobrinhas, Wylliana, de 10 anos, e Letícia, de 16. A cor rosa, favorita de Evelyn, motivou a escolha da fantasia com asas de borboleta. Já Wylliana, juntou peças que tinha em casa e uma tiara com orelhas de coelha para aproveitar o Carnaval. Márcia participa do Muriçoquinhas com as meninas há quatro anos. “Um momento de brincadeiras e animação”, concordam as garotas, que enxergam nessa festa pré-carnavalesca uma oportunidade de sair de casa, encontrar pessoas e viver momentos alegres.
Foliões experientes
Formado principalmente por foliões acima dos 60 anos, o bloco Melhor Idade foi criado em 1992, pela empresária e ex-vereadora da capital Creuza Pires. Provando que a idade definitivamente não limita quem gosta da folia, a festa reúne grande público todos os anos. Ontem, foram homenageados o time master do Botafogo-PB e Chico Matemático — rei da festa, ídolo e maior goleador da história da equipe. As atrações musicais foram Gracinha Teles, Banda PB Pop Frevo, Trio Elétrico e Orquestra de Frevo.
Amante do Carnaval, Verônica Ribeiro participa da festa e do grupo Creuza Pires há 15 anos. Na edição deste ano, ela desfilou como rainha do bloco. “Também participo do Carnaval de escola de samba, na avenida. Na ala das baianas”, conta, animada. Aproximando-se dos 74 anos, a bancária aposentada vê o Carnaval como uma oportunidade de “deixar qualquer problema de saúde para trás e cair na folia”. “O importante é participar, usar brilhos e deixar metade da idade em casa”, ressalta.
Gerações unidas
Para Verônica, o encontro dos dois blocos é um momento especial, que ajuda, sobretudo, a levar adiante as tradições carnavalescas, ao mesmo tempo que promove a renovação dessas festas, com a presença das gerações mais jovens. “Acho muito bonito, ver as crianças acompanhadas e incentivadas pelos pais, escolhendo suas fantasias e ajudando a manter vivas as tradições dos antigos Carnavais”.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 25 de fevereiro de 2025.