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no centro histórico

Palácio dos Despachos é inaugurado

publicado: 20/01/2026 08h30, última modificação: 20/01/2026 08h30
Com investimento de R$ 22 milhões, prédio passa a abrigar o gabinete do governador, secretarias e galeria de arte
2026.01.19 Inauguração Palacio dos Despachos © João Pedrosa (21).JPG

Na solenidade de inauguração, o governador João Azevêdo destacou os investimentos feitos no Centro Histórico de João Pessoa | Foto: João Pedrosa

por Marcelo Lima*

Depois de um ano e oito meses de obras e investimento de R$ 22 milhões, o Palácio dos Despachos foi inaugurado, no fim da tarde de ontem, no Centro Histórico de João Pessoa. Com 158 anos completados no domingo (18), o prédio passa a abrigar o gabinete do governador da Paraíba, secretarias do núcleo mais próximo de governança e uma galeria de arte.

Na cerimônia de inauguração, o governador João Azevêdo assinou também a ordem de serviço para a construção do Memorial Augusto dos Anjos no valor de R$ 2,3 milhões. Localizado ao lado da Academia Paraibana de Letras (APL), o espaço dedicado ao maior poeta do estado faz parte do programa Viva o Centro, assim como o recém-inaugurado palácio e outras edificações históricas restauradas.

De acordo com o chefe do Executivo estadual, prédios do Centro Histórico de João Pessoa já receberam mais de R$ 140 milhões para reforma e restauração, por meio do programa de renúncia de tributos. “Essa reestruturação do Centro Histórico é feita em parceria com a Arquidiocese e várias entidades, e são mais de 30 prédios sendo recuperados pelo ICMS Cultural”, disse Azevêdo na inauguração.

Entre as edificações históricas restauradas, estão Theatro Santa Roza, Palácio da Justiça, Museu de História da Paraíba (Palácio da Redenção), Casa do Artista Popular Janete Costa, Casa do Artesão, Parque Tecnológico Horizontes da Inovação e Igreja de Nossa Senhora de Lourdes.

O objetivo do programa Viva o Centro agora é criar um grande corredor cultural.  “Imagina a recuperação do adro da Igreja de São Francisco e poder fazer um grande corredor para que o turista passe pela Academia Paraibana de Letras, pelo Memorial Augusto dos Anjos, caminhe pela Duque de Caxias toda, passando pela Rio Branco, pelo Museu do TRE, chegando até a Praça João Pessoa, onde vai encontrar o Museu de História da Paraíba”, descreveu o governador.

Para a titular da Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan), Simone Guimarães, a ação governamental pode ser indutora da reocupação da região central de João Pessoa. “Reabilitar imóveis históricos e edifícios antigos recoloca essas áreas no mapa da moradia, uma coisa muito importante para evitar o abandono do Centro Histórico. Quando o mercado percebe que existe um caminho viável para reativar o patrimônio, ele começa a olhar com outros olhos para essas regiões. Isso pode significar mais habitação do Centro, mais segurança, mais vitalidade urbana e mais oportunidades, sem empurrar a cidade para as suas bordas”, argumentou.

Além do papel fundamental para a história e identidade dos pessoenses e paraibanos, Guimarães frisou que reaproveitar estruturas existentes é muito mais barato. “Recuperar é mais econômico do que reconstruir um novo prédio, porque parte do produto já está aqui: a estrutura, a volumetria, a localização, a infraestrutura e, consequentemente, a possibilidade real de viabilizar a moradia em equipamentos públicos em áreas onde hoje parece ser impossível”, afirmou.

A cerimônia teve a presença do vice-governador, Lucas Ribeiro, do presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, Fred Coutinho, e de parlamentares estaduais, federais e municipais.

Galeria aberta

No térreo, a Galeria de Artes Chico Pereira ficará aberta à visitação pública. “Resolvemos dar o nome de Chico Pereira, que nos deixou há pouco tempo e que foi o grande responsável que pensou, sonhou com todo o projeto do nosso Museu de História da Paraíba. Tivemos a sorte de tê-lo ainda pensando, resolvendo e planejando aquilo tudo”, explicou o governador.

Francisco Pereira da Silva Júnior nasceu em dezembro de 1944, em Campina Grande. Era artista plástico, escritor e professor universitário de Artes na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Ele morreu em 25 de dezembro do ano passado. Por enquanto, o espaço foi ocupado com uma linha do tempo, com fotografias e textos, sobre o próprio prédio.

Secretarias

Além da galeria de artes, o pavimento térreo será ocupado pelo cerimonial, atendimento, monitoramento e serviços de apoio da governadoria. O primeiro andar será o espaço da Casa Civil. No segundo andar, funcionará a Secretaria de Comunicação Institucional, o que inclui estúdio e áreas de produção. O terceiro andar manterá o gabinete do governador da Paraíba. 

Originalmente erguido com dois pavimentos em 1868, o prédio foi ampliado em 1931 e passou a ser denominado “Palácio das Secretarias” à época.

Predominantemente em estilo neobarroco, o prédio já teve várias funções públicas em cerca de 160 anos. Por último, foi a sede do Comando-Geral da Polícia Militar. A Praça Pedro Américo também ganhou intervenções urbanísticas. A calçada em frente ao prédio recebeu concreto intertravado, iluminação cênica e áreas ajardinadas.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 20 de janeiro de 2026.