Enquanto Hollywood espana o tapete vermelho, o elenco paraibano de O agente secreto já ensaia o discurso de quem sabe que, independentemente da estatueta, a história do cinema brasileiro está sendo escrita com sotaque local. No evento “E o Oscar vai para... — uma noite de cinema, conversas, apostas e você”, realizado na noite de ontem (12), era impossível encontrar quem duvidasse das chances de o país sair vitorioso na cerimônia do próximo domingo (15).
Para organizar as apostas e fazer o aquecimento, a Rádio Parahyba 105.5 FM e a Livraria A União, em parceria com a Fundação Espaço Cultural (Funesc) e a Academia Paraibana de Cinema, promoveram, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, esse encontro cercado de expectativas. O debate contou com nomes que dão rosto e alma ao filme, como Joálisson Cunha, Fafá Dantas, Buda Lira, Flávio Melo, Márcio de Paula e Beto Quirino. Todos relembraram os momentos no set e a parceria de trabalho com Kleber Mendonça Filho.
Para o ator Joálisson Cunha, esse momento é de consolidação de uma jornada profissional. “É um orgulho estar participando disso e estar sendo reconhecido pela mídia internacional. Para nós, é o estágio maior do cinema, assim como as Olimpíadas são para os atletas”, afirma.
Já a atriz Fafá Dantas não esconde o entusiasmo com a visibilidade da produção. “Estou otimista. Espero pelo menos dois prêmios: Melhor Filme Internacional e Melhor Casting [Direção de Elenco]. Se a gente ganhar um, independente de qual for, já é uma vitória coletiva”, projeta.
No cenário das estatuetas, O agente secreto vive um momento de ascensão que desafia o favoritismo de Valor sentimental. Embora o longa norueguês acumule vitórias importantes na indústria, como o BAFTA, o filme brasileiro chega à reta final fortalecido pelas conquistas no Globo de Ouro e no Critics Choice. A disputa na categoria de Melhor Filme Internacional é considerada apertada, mas o fôlego da campanha brasileira coloca o país na rota certa do prêmio.
Além da categoria de Melhor Filme Internacional, os holofotes voltam-se para Wagner Moura em Melhor Ator. Mesmo que Michael B. Jordan e Timothée Chalamet apareçam como francos favoritos, o otimismo estava todo destinado ao baiano, que corre por fora como uma possibilidade surpresa da noite. No bolão, a aposta é no “azarão”. Já para a inédita categoria de Melhor Direção de Elenco, tudo pode acontecer, uma vez que os critérios de votação da Academia para esta estreia ainda são uma incógnita.
O gerente da Rádio Parahyba FM e integrante da Academia Paraibana de Cinema, André Cananéa, destaca que o otimismo tem fundamento na estratégia de mercado do longa. “O agente secreto está muito bem colocado nos Estados Unidos. Em algumas leituras que faço, até melhor do que o Valor sentimental”, pontua André. Para ele, o encontro no Espaço Cultural é essencial para “estimular o público a falar das suas apostas”, celebrando uma obra que, embora tenha projeção global, mantém a alma regional: “É um filme que a gente abraça porque tem o jeito do Nordeste inteiro”.
Entre análises técnicas e muita especulação, o elenco paraibano já prepara a festa para o domingo, que terá recepção oficial na Funesc. E, se o nome do filme ecoar no teatro em Los Angeles, a estratégia já está traçada. “Eu já estou vendo a maquiagem à prova d’água, porque o choro vai ser livre”, brinca Fafá Dantas. “Não sei como vai ser a reação, mas a gritaria é certa!”.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 13 de março de 2026.