A Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande, por meio da Gerência de Vigilância Sanitária (Gevisa), determinou a suspensão da produção e da comercialização da água destilada não estéril da marca Cristal Med, fabricada no bairro Tambor. A decisão foi tomada após o recebimento de uma denúncia anônima e uma inspeção realizada no local, onde foram identificadas diversas irregularidades sanitárias.
Além das falhas sanitárias graves, como presença de animais domésticos no ambiente de produção, instalações inadequadas, fiação exposta, ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs) para os funcionários, durante a fiscalização, também foram constatados erros técnicos. “Durante a inspeção, verificamos que a documentação apresentada pela empresa não autorizava a fabricação desse tipo de produto. A empresa tem autorização para produzir água purificada, muito utilizada em automóveis. Então estamos falando de uma série de irregularidades e, por essa razão, o setor da fábrica que produzia a água destilada foi interditado de imediato e os rótulos do produto foram confiscados”, afirmou Betânia Araújo, gerente de Vigilância Sanitária de Campina Grande.
A suspensão imediata da produção e da comercialização da água destilada foi considerada necessária porque o produto é amplamente utilizado em processos de esterilização de equipamentos de saúde, além do abastecimento de aparelhos odontológicos, como reservatórios e equipos presentes em consultórios.
Segundo a gerente da Gevisa, o controle sanitário é essencial para assegurar a proteção de pacientes e profissionais da área da saúde.
A Gevisa reforçou ainda que os estabelecimentos que tiverem unidades da água destilada em estoque devem interromper o uso e a comercialização do produto, além de comunicar o órgão para que sejam realizadas a apreensão e o descarte adequados. Fiscalizações também estão ocorrendo em locais onde foram identificadas notas fiscais de compra da água destilada da Cristal Med durante a inspeção na fábrica.
Além das questões sanitárias e documentais, outros órgãos foram acionados para investigar outras possíveis irregularidades relacionadas à empresa. Dentre eles estão a Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Conselho Regional de Química da Paraíba. De acordo com Betânia, o MPT foi comunicado devido às condições inadequadas de trabalho na fábrica, onde funcionários atuavam em ambiente insalubre e sem equipamentos de proteção adequados. “Já o Conselho Regional de Química deverá apurar a responsabilidade técnica da empresa, uma vez que o químico responsável possivelmente tinha conhecimento das falhas no processo de fabricação da água destilada”, ressaltou.
Após a suspensão da comercialização e do uso do produto, bem como a interdição da produção da água destilada da Cristal Med, a empresa terá um prazo de 10 dias para apresentar defesa. Em seguida, a equipe jurídica da Gevisa emitirá um parecer e tomará a decisão administrativa definitiva sobre o caso.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 16 de maio de 2026.