Em João Pessoa, a Campanha da Fraternidade de 2026 teve início na manhã de ontem (18), com a organização de um café da manhã compartilhado com pessoas em situação de rua, na Praça Dom Adauto. Intitulada “Mesa da Fraternidade”, a ação, que começou às 9h, integra o Ano da Caridade no calendário pastoral, reafirmando a importância da inclusão, o papel social da Igreja e o compromisso cristão de cear em conjunto, como irmãos.
De acordo com o arcebispo metropolitano da Paraíba, dom Manoel Delson, a Campanha da Fraternidade procura, ano após ano, despertar o espírito comunitário e renovar a consciência de que todos são responsáveis por buscar o bem comum, acolhendo o próximo com respeito e amor. Neste ano, em especial, a iniciativa promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada durante a Quaresma, tem como tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele Veio Morar Entre Nós”, advindo de João, capítulo 1, versículo 14, mensagem central para compreender a presença de Deus no mundo.
“A Quaresma exige, de todos nós, conversão, caridade e humanidade. A Campanha da Fraternidade existe para nos aproximar, criar entre nós o sentimento bonito de que somos irmãos. Com esse gesto, queremos dizer às pessoas mais carentes que nenhuma delas está oculta aos nossos olhos. São todos nossos irmãos, que merecem nosso acolhimento, e garantir essa acolhida é um compromisso cristão”, disse o arcebispo.
Além do café da manhã partilhado, o evento incluiu momentos de escuta e convivência com as pessoas em situação de rua, e contou com a participação de autoridades eclesiais, voluntários e profissionais da imprensa.
O padre Márcio José, coordenador de Pastoral da arquidiocese paraibana, relatou que o Mesa da Fraternidade recebeu apoio de diversos grupos e instituições, como a comunidade Filhos da Misericórdia e membros dos Encontros de Casais com Cristo (ECCs) e de Encontros de Jovens com Cristo (EJCs). “Durante a organização, ficamos muito felizes ao perceber o engajamento de tantas instituições. É por meio de gestos de fraternidade como este que a comunidade cristã permite que Deus toque e trabalhe para curar chagas sociais”.
Ao falar sobre o direito relacionado à moradia digna, o diácono Sílvio Alighieri comentou que, segundo as pesquisas mais recentes — divulgadas pela Fundação João Pinheiro (FJP), em parceria com a Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades —, no Brasil, existe um déficit habitacional de seis milhões de domicílios. “Neste ano, em que nossa campanha trata de moradia, a ideia de um café da manhã surgiu como uma forma de lançar visibilidade sobre esses nossos irmãos, que não possuem uma casa digna. É uma forma singela, mas fraterna, de dizer que eles são importantes para nós. A partir desse evento, esperamos acolhê-los para que sintam um pouco desse calor humano, que o próprio Cristo, por meio da sua Igreja, proporciona”. Segundo o diácono, é preciso sempre manter o coração aberto, e a Quaresma é um convite para chegar perto daqueles que precisam.
Coordenador da Pastoral Social da Arquidiocese-PB, o padre Adriano Soares ressaltou que a ação social é o modo concreto por meio do qual a Igreja anuncia o Evangelho. “Ao longo de todo o ano, a arquidiocese desenvolve ações que buscam, de alguma forma, amenizar o sofrimento que aflige nossos irmãos, sobretudo as pessoas mais aviltadas, que são constantemente marginalizadas e excluídas da sociedade. É nosso dever chegar perto delas, escutá-las e caminhar junto. Durante a Quaresma, somos todos convidados a pensar e agir em conjunto,” explicou o padre.
Em 2026, o valor arrecadado pela Igreja durante a Campanha da Fraternidade será destinado para ajudar a construir e reformar casas para pessoas carentes. “Contamos com a ajuda de todos os católicos que fazem suas ofertas para a campanha deste ano”, finaliza o arcebispo dom Delson.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 19 de fevereiro de 2026.
