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Animais de vida livre são atração à parte no Parque Zoobotânico

por publicado: 10/05/2022 09h16 última modificação: 10/05/2022 09h16
Foto: Secom-PB

Foto: Secom-PB

No Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), uma das reservas ecológicas da cidade de João Pessoa, os animais de vida livre são atração à parte para os visitantes. Dezenas deles habitam uma área de 26,8 hectares de reserva natural - resquício de Mata Atlântica, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) desde a década de 80.

Caminhando nas trilhas, os visitantes devem ficar atentos para ver esses animais entre a vegetação ou no alto das árvores. São saguis, cutias, bichos-preguiça, calangos, cobras, timbus, jacarés e diversos pássaros, sem contar com o universo de animais de pequeno porte, como aranhas, borboletas, besouros, anfíbios e répteis. Espécies nativas que fazem parte da fauna brasileira.

Os especialistas do parque recomendam não tentar contato direto, mesmo com o bicho-preguiça, que embora tenha uma aparência dócil, possui garras que podem machucar aqueles que tentarem tocá-los, sem contar com a possibilidade de transmissão de zoonoses - que são as doenças transmitidas entre animais e humanos.

Samuel Fonseca, educador ambiental da Bica, usa o exemplo do sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus) para explicar a transmissão das zoonoses. Segundo ele, o animal pode transmitir raiva aos humanos. Por outro lado, a herpes vírus, comum à grande parte da população, pode ser transmitida aos primatas. “Para a maioria das pessoas não é algo muito grave, mas para os saguis é uma doença extremamente prejudicial, sujeito a evoluir para o óbito”, explicou. Sendo assim, quando mordemos um alimento e oferecemos ao animal, há grandes chances de ocorrer uma contaminação.

Os visitantes devem ficar atentos às placas espalhadas estrategicamente pelo parque, orientando a não alimentar os animais. Parte deles se acostuma com a presença de seres humanos e muitos visitantes se encantam, aproximam e oferecem alimentos. Contudo, essa prática é desencorajada por Cíntia Cleub, zootecnista da Bica.

Segundo ela, grande parte dos alimentos oferecidos é industrializada, ou seja, rica em gordura, sal, açúcar e corantes. “Esta prática é prejudicial porque o animal pode se tornar dependente, tanto de comida urbana quanto de ser alimentado, além de que certos alimentos podem causar intoxicação e até a morte do animal”, afirmou.

A zootecnista explicou, ainda, que “na mata, os animais conseguem se alimentar e não têm necessidade de um alimento ‘extra’, mesmo durante o período de escassez, quando a quantidade de frutos é reduzida”. Ela citou como exemplo os saguis. “Eles se alimentam principalmente de uma goma extraída das árvores e insetos”, complementou.

Descarte de resíduos 

A alimentação desses animais de vida livre também pode ser prejudicada pelo descarte inadequado de resíduos feito pelos visitantes nas áreas do parque. É que eles acabam se alimentando das sobras encontradas nas embalagens e podem também ingerir partes delas, o que pode adoecê-los ou causar a sua morte. 

Espécies ameaçadas

O Parque Arruda Câmara também é importante para preservação de espécies ameaçadas. O educador Samuel Fonsêca fez, recentemente, o primeiro registro de um Falcão Relógio (Micrastur semitorquatus) na Bica. “Também registrei uma espécie de borboleta de um gênero que tem várias espécies ameaçadas (Parides zacynthus)”. Ele citou, ainda, o jacaré-coroa (Paleosuchus palpebrosus), que se beneficia da grande quantidade de nascentes que existem dentro do território da Bica.

Samuel ressalta que a base da educação ambiental é falar sobre a importância da natureza e as diversas formas de como podemos preservá-la. “Relacionando isso aos animais de vida livre, sempre falamos para os visitantes que todos eles estão vindo para a casa desses animais e não o contrário. É preciso respeito! Não é para correr atrás desses animais, já que isso vai estressar bastante o bicho. Não é para ficar gritando dentro da mata, já que muitos desses animais têm uma audição bastante desenvolvida, e também falamos da possibilidade de transmissão de doenças”, observou.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa de 10 de maio de 2022

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