Nesta semana, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) inseriu Patos no ranking das cinco cidades mais quentes do país. A Morada do Sol chegou a registrar temperatura de 39,2 ºC, no dia 3 de fevereiro — atrás apenas dos municípios de Pão de Açúcar (AL), com 39,9 ºC, e Caicó (RN), com 39,8 ºC.
Ao mesmo tempo que os termômetros marcam o calor intenso, o município também passou a integrar a lista do Inmet de risco potencial, com previsões de chuvas intensas. Nesta época do ano, a região vive dois extremos: o sol escaldante e o registro de precipitações significativas.
Quando o Inmet emite um aviso meteorológico classificando “perigo potencial”, é levada em consideração a previsão de chuvas de 20 mm a 30 mm por hora ou até 50 mm por dia. Ventos intensos chegando a atingir 60 km/h também é um fator determinante para a classificação de risco pelo instituto.
Embora a oscilação entre sol a pino e chuva torrencial cause estranheza, na avaliação dos especialistas, essa variação está dentro da normalidade. “A temperatura alta já é um indicativo que a chuva vem. Quanto mais quentes estiver, mais forte será a chuva. Essa é a primeira condição a ser levada em consideração nessas previsões”, certificou o meteorologista Mário Leitão.
Previsões confirmadas
A meteorologia já previa chuvas para o Sertão paraibano a partir deste mês de fevereiro, como confirmam os boletins do Inmet. Mesmo assim, a estimativa da temperatura nos próximos dias segue acima dos 30 ºC.
Além de Patos, outras 79 cidades também estão em estado de alerta. Em situações como essas, as orientações do Inmet são não se abrigar debaixo de árvores, considerando o risco de queda e descargas elétricas, principalmente em caso de rajadas de vento, e evitar usar aparelhos eletrônicos ligados à tomada.
Esse fenômeno afeta também as reações fisiológicas do corpo e o modo como o organismo reage a elas. A transpiração é um mecanismo de resfriamento do corpo humano. Quando ela não acontece, causa extremo desconforto térmico. “A umidade está aumentando. O ar estando úmido absorve mais energia solar. Isso causa uma sensação de calor terrível. Você transpira, mas o suor que está no seu corpo não evapora”, explicou Mário.
Primeiras chuvas de fevereiro
As primeiras precipitações foram registradas na noite do dia 4 e madrugada de ontem Segundo dados da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer), Patos registrou 17,5 mm de chuva no período. Os índices mais altos de precipitação foram registrados nas cidades de Passagem (61,0 mm), Mãe D’Água (55,5 mm), Cacimba de Areia (41,0 mm), São José de Espinharas (45,8 mm), Malta (34,7 mm) e Quixaba (34,0 mm).
O período chuvoso vai até o mês de abril. Segundo Mário Leitão, a previsão é de bons índices pluviométricos, com expectativa para melhoria dos níveis dos mananciais que abastecem as cidades sertanejas.
Litoral prepara-se para as precipitaçõs com o fim do verão
por: Íris Machado
Fevereiro segue ensolarado em João Pessoa, mas moradores da cidade já passam a observar o céu com mais atenção. Os últimos dias do verão anunciam a chegada do período chuvoso no Litoral paraibano, que começa em março e estende-se até julho, acendendo o alerta principalmente para quem vive em bairros ribeirinhos ou próximos a cursos d’água. Nessas áreas, o assoreamento e o acúmulo de lixo aumentam o risco de enchentes e inundações.
Essa é a preocupação de quem vive na comunidade do Parque Parahyba I, no bairro do Bessa. Segundo os moradores, o canal que corta a praça do local está tomado pela vegetação e passou a ser utilizado como ponto de descarte de resíduos. Durante o período de chuvas, a situação provoca transtornos recorrentes na região, como relata a dona de casa Valéria Albuquerque. “Na última vez, o canal transbordou até a quadra de areia, que ficou toda coberta. Invadiu mesmo aqui. O pessoal começou a fazer a limpeza, mas ainda jogam muito lixo. A gente vê muita garrafa, muito saco, muito papel acumulado”, avalia.
A vizinhança também denuncia um suposto despejo irregular de esgoto nas águas do parque, que, segundo os moradores, contribui para o rápido crescimento da vegetação no local. “O esgoto chega e é canalizado aqui. Há pessoas que cuidam, mas também existem aquelas que não têm essa iniciativa. Além disso, há muito lixo, já que [a água] vem dos canais fluviais. Não existe uma política realmente punitiva”, afirma Clóvis Marques, morador do bairro há oito anos.
Para o aposentado Antônio de Pádua, as ações de limpeza no bairro são insuficientes, apesar de ocorrerem com maior regularidade nos últimos seis meses. Como ele explica, as equipes de reparo não conseguem controlar a quantidade de detritos nos arredores do parque. A solução, embora temporária, surge apenas quando a comunidade entra em contato com as autoridades. “Quando as equipes fazem a manutenção do jardim, a prefeitura demora a recolher o entulho, então o lixo fica por muito tempo aqui. Vai acumulando e vão surgindo mosquitos, bichos, que podem causar doenças. Quando o canal enche, na época de chuva, muitas coisas são jogadas dentro dele”, afirma.
Ao jornal A União, a Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur) de João Pessoa relatou que as reclamações dos moradores do Parque Parahyba I já foram atendidas, tendo em vista que as equipes estão realizando a limpeza do canal durante toda a semana.
Prevenção
De acordo com o chefe da Divisão de Prevenção à Emergência e Desastre da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil de João Pessoa, Philipe Aires, a frequência de limpeza depende do volume de descarte irregular. Locais que sofrem mais com despejo de entulho de construção civil, móveis, eletrodomésticos e lixo doméstico exigem um retorno mais ágil. “Não se fala em ‘intensificar’ ações apenas no inverno, pois a segurança deve ser garantida em todas as estações. O trabalho de limpeza e desassoreamento é rotineiro e não sofre paradas. Quem trabalha com prevenção entende que a segurança é uma necessidade diária, independente da época do ano”, pontua.
O especialista esclarece que o trabalho permanece ativo. Os pontos focais das operações atuais são o Rio Cuiá, na altura da Av. Brasiliano Alves da Nóbrega, o Rio Timbó, nas imediações da Rua Médico João Crisóstomo R. Coutinho, e o bairro de Mandacaru, nas proximidades da Rua João de Brito Lima Moura. Essas ações envolvem a remoção de barreiras físicas, tanto artificiais — lixo, pneus e móveis — quanto naturais, a exemplo dos sedimentos carregados pela dragagem.
Sinais de risco iminente exigem acionamento imediato da Defesa Civil. Como reforça o agente Philipe Aires, a população precisa estar atenta a detalhes estruturais, como estalos, rachaduras em paredes e pisos, portas e janelas emperradas. A inclinação anômala de árvores, postes ou cercas, o surgimento de degraus no solo e a elevação súbita do nível do rio também demandam cuidado.
A Defesa Civil funciona 24 horas, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Ela pode ser acionada pelo Disque 199 e pelo número (83) 98831-6885 no WhatsApp. Outro canal é o aplicativo João Pessoa na Palma da Mão, disponível gratuitamente nas plataformas Play Store e AppStore
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de fevereiro de 2026.