Há pelo menos 100 anos, na esquina das ruas Pedro Caetano e Felizardo Leite, no Centro de Patos, vive uma testemunha da história da cidade. É uma craibeira, de mais de 12 m de altura, que se impõe como um dos poucos pontos verdes que ainda resistem no cenário urbano local, cercada por prédios comerciais e residenciais. A árvore, considerada uma das mais representativas da Caatinga, deixará de fazer parte da paisagem de quem circula pelas ruas da Capital do Sertão. A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Patos anunciou a retirada da craibeira do local.
A justificativa para a ação é o risco que a árvore ofereceria à população, devido ao seu grande porte, às dificuldades na manutenção da copa e às quedas de galhos. Ainda não há, no entanto, uma data definida para que a remoção da craibeira seja efetivada. Por exigir uma logística bem específica, uma operação está sendo montada para a realização da extração, reunindo esforços da Semad, da Superintendência de Trânsito e Transportes (STTrans), da Energisa e do Corpo de Bombeiros.
Segundo o secretário da Semad, Alex Wagner, a craibeira passou por análises feitas por um engenheiro florestal e por uma equipe da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), cujos laudos técnicos atestaram a importância da remoção. “Por mais que seja feita uma poda ou algum manejo diferente, o risco não é eliminado. A Defesa Civil também demonstrou preocupação com as quedas de galhos, por ser uma via de grande fluxo de veículos e pedestres”, explicou o titular da Semad.
Outro risco exposto é a proximidade da árvore com a rede elétrica, que vem sendo contornado com a poda das folhas e galhos em “V”, alterando o formato orgânico da espécie, que tem como característica uma copa fechada. Ainda de acordo com o secretário, um abaixo-assinado foi entregue pela população, solicitando a retirada da craibeira, e há registros de solicitações feitas por comerciantes da localidade.
Órgão promete plantar 123 mudas no município
O Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comam) pediu explicações à Semad, alegando falta de comunicação entre os órgãos para tratar do assunto. “Essa é uma decisão da secretaria, mas, por ser uma árvore histórica, importante para a cidade e simbólica, a gente não queria ficar sabendo de um assunto tão importante por meio da mídia”, afirmou Claudiano Brito, integrante do Comam.
“Nós vamos tentar sensibilizar a secretaria em busca de alternativas. A gente quer entender quais dados técnicos embasam essa decisão e fazer valer o que está no regimento do Conselho, que diz que uma das nossas funções é acompanhar todas as ações que dizem respeito ao meio ambiente em Patos”, reforçou o conselheiro.
Uma reunião entre o Comam e Semad sobre o tema deve ser marcada, mas, de acordo com Alex Wagner, essa não é uma pauta que necessita de consulta aos conselheiros da entidade. Ainda assim, o secretário apontou que a gestão anterior da pasta debateu a retirada da árvore com o Comam, que havia, segundo ele, aprovado a medida. “De lá para cá, houve mudança na gestão e mudança no conselho. Ou seja, os conselheiros que estão lá, hoje, não foram os mesmos que votaram pela retirada da árvore”, comentou.
Outras espécies
Como forma de amenizar os danos ambientais causados pela remoção da craibeira, a Semad planeja plantar mudas de novas espécies no município. “Nós não temos como fazer a substituição da árvore, por causa da fiação elétrica. Então, faremos uma compensação ambiental: em homenagem ao aniversário de Patos [que fará 123 anos no dia 24 de outubro] e, em alusão à retirada da craibeira, faremos o plantio de 123 árvores na cidade, a partir da próxima semana, avançando na arborização urbana”, adiantou Wagner.
Devido às altas temperaturas registradas em Patos, existe uma grande preocupação em proporcionar conforto térmico à população da cidade. O trabalho de arborização inclui espécies como oliveiras, pitangueiras, angicos, catingueiras, acácias, sibipirunas e tamarindos. A ideia da Semad é implantar áreas verdes nos bairros, a fim de compensar os problemas provocados sobre o meio ambiente e minimizar os impactos na qualidade de vida dos moradores.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 22 de janeiro de 2026.