Os acidentes fatais de trânsito seguem como uma grave realidade em todo o país. Na Paraíba, centenas de pessoas perdem a vida todos os anos em sinistros ocorridos nas ruas e nas estradas estaduais e federais. Entre as principais causas, estão o excesso de velocidade, a combinação de álcool e direção, a falta de atenção, o uso do celular ao volante, entre outros fatores de risco.
De acordo com levantamento do Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba (Detran-PB) — com base em dados da Secretaria da Segurança e da Defesa Social da Paraíba (Sesds-PB) — em 2024 foram registradas 858 mortes no trânsito, no estado. Já em 2025, esse número subiu para 868 óbitos, o que representa um aumento de 10 vítimas, ou aproximadamente 1,17%.
Em relação ao local de ocorrência dos sinistros com vítimas fatais em 2025, a maioria aconteceu em vias estaduais, com 247 registros; logo depois aparecem as vias municipais, com 221 mortes; seguidas das estradas federais, com 186; e das vias vicinais, com 23 óbitos. Há ainda 184 registros em ruas ou estradas cuja instância de administração — municipal, estadual ou federal — não foi identificada.
A coordenadora de Educação para o Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba (Detran-PB), Ariana Nogueira, ressalta que a conscientização é fundamental para reduzir a imprudência e, consequentemente, o número de vítimas fatais no trânsito. Segundo ela, é necessário que a população esteja atenta e sensível ao alto índice de mortes e sinistros, muitos deles com lesões graves e irreversíveis. “As pessoas precisam entender que o trânsito mata e tem matado muito. É preciso refletir sobre a nossa conduta nesse espaço, que é de convivência coletiva, onde todos exercem algum papel, seja como ciclistas, pedestres ou motoristas. O trânsito é feito para as pessoas e pelas pessoas”, afirmou.
O agente da Operação Lei Seca e integrante da equipe de Educação para o Trânsito do Detran-PB, Wilham Alves, destaca que cerca de 90% dos sinistros de trânsito estão relacionados ao mau comportamento humano. Entre as práticas mais recorrentes, ele cita a não utilização do capacete, especialmente entre motociclistas, grupo que concentra a maioria das vítimas fatais. Segundo o agente, também contribuem para os acidentes fatores como a falta de atenção — a exemplo do uso do celular ao volante —, a combinação de álcool e direção e o excesso de velocidade.
Ao analisar a dinâmica dos sinistros, Wilham Alves ressalta que, enquanto não houver uma mudança cultural no comportamento dos condutores, os índices de acidentes e mortes continuarão elevados. Diante desse cenário, o agente reforça que o Detran-PB, juntamente com os demais órgãos que integram o Sistema Nacional de Trânsito, atua de forma integrada para enfrentar o problema, por meio de ações de educação, orientação e conscientização, como palestras em empresas e escolas, blitze educativas e outras iniciativas. Paralelamente, a fiscalização também é intensificada. “Educação e fiscalização precisam caminhar juntas”, relata.
Wilham também ressalta o papel da Operação Lei Seca na prevenção de riscos no trânsito, ao impedir que condutores sob efeito de álcool continuem dirigindo e coloquem em perigo a segurança coletiva. Segundo ele, a ação não tem como foco a punição, mas a interrupção imediata da condução por parte de quem foi flagrado embriagado.
“Quando uma pessoa é parada em uma fiscalização como essa, a partir daquele momento, ela não pode mais conduzir o veículo. É necessário chamar alguém habilitado, que realize o teste e apresente resultado zero, para que o veículo seja liberado”, explica. Dessa forma, completa Wilham, evita-se que o condutor siga no trânsito, reduzindo a probabilidade de que ele perca a própria vida ou coloque a vida de outras pessoas em risco.
Para ele, a Operação Lei Seca tem um caráter muito mais preventivo do que punitivo, justamente por atuar antes que o sinistro ocorra, aliando fiscalização à orientação e ao diálogo durante a abordagem. “A gente sempre trabalha pela preservação da vida, seja no âmbito da educação para o trânsito ou da fiscalização”, conclui.
Hospitalizações
Os impactos dos acidentes também se refletem na rede de saúde. Ainda segundo dados dos atendimentos hospitalares, em 2025, 24.572 pessoas deram entrada em unidades de saúde em decorrência de acidentes de trânsito. O número representa um aumento aproximado de 6,8% em relação a 2024, quando foram registrados 22.998 atendimentos.
Os índices têm como base os dados das duas principais unidades de saúde da Paraíba, referências no atendimento a vítimas de acidentes de trânsito: o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, e o Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande.
Nesse cenário, os atendimentos decorrentes de sinistros envolvendo motocicletas lideram nos dois anos analisados, totalizando 18.601 casos em 2024 e 20.472 em 2025, o que representa um crescimento de 10%. Em 2025, os demais veículos com maior número de atendimentos de vítimas de acidentes foram os automóveis, com 1.382 registros, e as bicicletas, com 1.273.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 23 de janeiro de 2026.