Com o verão, cresce a presença de turistas em João Pessoa — sobretudo neste ano, quando a capital se destaca como um dos destinos mais buscados pelos brasileiros para passar as férias. Os dados são de um levantamento da agência de viagens Decolar e reforçam o potencial turístico do estado. As belezas do Litoral e sua extensa faixa de areia contribuem, desse modo, para um cenário de lotação da orla, o que requer atenção de turistas e moradores locais para o aumento da probabilidade de situações de risco — como afogamentos, acidentes com embarcações, queimaduras de águas-vivas, quedas em barreiras e casos de crianças perdidas.
Para prevenir afogamentos, por exemplo, o capitão Ataíde, do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba (CBMPB), orienta que os banhistas priorizem localidades com a presença de guarda-vidas e os consultem sobre as áreas mais seguras para banho. “Além de evitar nadar sozinho, deve-se entrar no mar até a água atingir, no máximo, a altura do umbigo. Sabemos que o mar oscila com as ondas, então, se vou até o fundo, há uma chance maior de me afogar, devido à oscilação da água. Também não se deve entrar no mar após ingerir bebidas alcoólicas, pois elas deixam os reflexos mais lentos”.
Para quem vai à praia com crianças, é necessário atenção redobrada, segundo o capitão. “Deve-se mantê-las sempre próximas, não deixá-las sozinhas. Se forem entrar na água, que estejam nos braços de um responsável ou, no máximo, à distância de um braço. Os pais ainda podem procurar os guarda-vidas para obter pulseiras para identificação dos menores. Caso uma criança se perca, quem encontrá-la pode discar 193 ou ir até o posto mais próximo, assim como os pais dela podem acionar os bombeiros para achá-la”.
A professora Thayse Júlia Rodrigues relembra que, na infância, chegou a se perder da família numa praia, e hoje fica atenta à filha, de dois anos e meio. Passando as férias em João Pessoa, junto com o marido e a criança, ela diz mantê-la sempre por perto. “Nunca a deixo só e nunca vamos os três para o mar; vai um de nós com ela e o outro fica na areia, porque, caso perceba alguma emergência, pode pedir ajuda”. A família evita, ainda, ir à praia em dias de maior movimento. “No domingo, por exemplo, preferimos ficar na piscina ou fazer outras atividades, e viemos à praia na segunda-feira, cedo, com menos gente”.
A engenheira Thais Sena revela manter estratégias semelhantes para cuidar de seus dois filhos na praia. “Sempre delimito o espaço em que eles podem ficar e sigo daqui, olhando e controlando. Já usei pulseira de identificação neles, sobretudo em lugares mais desconhecidos”.
Outra dica do CBMPB para os pais é vestir os filhos com roupas de cores chamativas, como laranja e verde-limão, para ajudar a identificá-los em meio aos demais banhistas.
Quedas graves
As barreiras e áreas de pedras na orla também demandam cuidado. No primeiro dia de 2026, um homem foi encontrado morto na Praia do Sol, e a principal suspeita é de que ele tenha caído da barreira local. O corpo não tinha marcas de violência, e a perícia está sendo finalizada para confirmar que o óbito ocorreu, de fato, devido à queda.
A recomendação do capitão Ataíde é que as pessoas não circulem em regiões desse tipo. “Orientamos que se mantenha distância de locais elevados e com pedras — como o que existe na Praia de Tabatinga, em Conde —, porque, mesmo que sejam teórica e aparentemente seguros, podem sofrer deslizamento, pode acontecer de alguém tropeçar e haver acidentes com risco de morte”.
Presença de águas-vivas e caravelas também cresce
Durante o verão, costumam aumentar os casos de acidentes com águas-vivas e caravelas — que se reproduzem nesse período, em razão das águas mais quentes. Os tentáculos desses animais injetam veneno a partir de células microscópicas, e a maioria dos sintomas de contato são queimaduras avermelhadas, dor intensa e formação de bolhas na pele. Devido às toxinas liberadas por esses animais, as vítimas ainda podem sofrer náuseas, vômitos e dor de cabeça — e, em casos mais raros, há dificuldade para respirar ou deglutir.
O capitão Ataíde, do CBMPB, recomenda que, ao sofrer uma queimadura desse tipo, o banhista procure a ajuda dos guarda-vidas. “Se não houver um posto de assistência por perto, deve-se aplicar vinagre ou água do mar na ferida. E, caso aconteça uma reação alérgica ou seja atingida uma área extensa do corpo, é importante buscar uma unidade de Saúde, para evitar agravamentos”. Outra opção é acionar os bombeiros pelo Disque 193. Não é recomendado usar água doce para lavar a região afetada, nem esfregá-la ou coçá-la, porque isso causa a liberação de mais toxinas.
As águas-vivas são transparentes e raramente visíveis quando estão no mar, enquanto as caravelas apresentam uma bolsa púrpura ou avermelhada que flutua sobre a água, sendo facilmente visíveis. As duas espécies têm capacidade de envenenamento por até 24 horas fora do mar, por isso, é importante não tocar nesses animais, mesmo ao encontrá-los na areia.
Fiscalização de embarcações é reforçada
A Capitania dos Portos da Paraíba (CPPB), ligada à Marinha do Brasil, também reforça o trabalho de fiscalização no litoral durante a temporada de veraneio. Por meio da Operação Navegue Seguro, o órgão intensifica o monitoramento do tráfego aquaviário. A campanha integra uma ação nacional, de caráter educativo e fiscalizatório, voltada à prevenção de acidentes, à proteção de vidas e à preservação da segurança nos meios de transporte nos rios e no mar.
As inspeções realizadas no período visam prevenir os principais problemas por trás dos acidentes náuticos, como a ausência de habilitação de condutores, documentação das embarcações vencida ou incompleta, falta de equipamentos de segurança obrigatórios (como coletes salva-vidas, boias e extintores de incêndio), superlotação e condições inadequadas de navegabilidade. Além disso, em 2026, a campanha reforça o controle do consumo de bebidas alcoólicas por parte dos condutores, aplicando testes de bafômetro para coibir a prática.
Lançada no fim de dezembro pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Segurança e da Defesa Social (Sesds), a Operação Verão 2026 é mais um esforço das autoridades para garantir o bem-estar da população que visita as praias paraibanas na estação. Programada para seguir até o Carnaval, em fevereiro, a empreitada mobiliza vários órgãos para uma atuação estratégica e conjunta na faixa litorânea.
O Corpo de Bombeiros, por exemplo, anunciou o acréscimo de 100 profissionais especializados em salvamento aquático para compor seu contingente usual de guarda-vidas, distribuídos nos 25 postos ativos de observação instalados na orla, sem contar com a intensificação das rondas pelo mar. Já o Batalhão Especializado em Policiamento Turístico (Beptur) da Polícia Militar da Paraíba (PMPB) mantém, em média, 200 agentes posicionados para monitorar toda a extensão da orla entre João Pessoa e Cabedelo, incluindo patrulhamento via quadriciclos e motos aquáticas.
O Grupamento Tático Aéreo (GTA) é outra unidade integrante da Operação Verão 2026, provendo duas aeronaves para apoiar o trabalho de policiais e bombeiros na região costeira. Além do monitoramento aéreo, o GTA pode ser acionado para resgates aeromédicos e transporte de vítimas, unindo-se ao CBMPB, ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e à rede estadual de Saúde.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 11 de janeiro de 2026.

