“Em questão de segurança, acho que não há nenhuma. Eu estou achando que vai ter um acidente aí”, notou a motorista Neusa Lima, na saída do estacionamento de um supermercado em João Pessoa, localizado na Avenida Epitácio Pessoa. Na lateral do estabelecimento, a Associação Via Folia está montando um camarote que, pela primeira vez, ficará por sobre a rua, o que tem gerado impedimentos e estreitamentos, tanto em altura como em largura, para os carros que passam por ali — ou não conseguem mais passar.
Quem vive pela área ou frequenta a localidade tem reclamado da falta de sinalização do espaço e da segurança da estrutura. Letícia Libório, outra condutora, disse que havia ficado inclusive com medo de passar por baixo da construção quando caminhava pela manhã. “Acho que tem um problema de segurança tanto para quem passará por baixo como quem estará em cima [da estrutura]”, avaliou. 
Outro motorista, que preferiu não se identificar à reportagem, tem suas dúvidas sobre o empreendimento. “Em São Paulo [SP], eles fazem isso no Réveillon. Agora, será que é a mesma arquitetura, a mesma postura de fazer o negócio? Porque, aí, pode ser diferente”, ponderou. É também a opinião de Sonia Guimarães. “Acho inseguro, pode ter algum acidente de carro aqui e as pessoas em cima também podem ser prejudicadas”, pontuou.
Mobilidade
Sonia também traz queixas de outra ordem. “Em primeiro lugar, não gostei porque eles fecharam o acesso. Passo todos os dias para ir trabalhar. Eu acho que não se pode tomar conta da rua assim”, reclamou.
O condutor Alexandre Lucena acredita que a estrutura atrapalha a mobilidade urbana da região, principalmente, considerando o tráfego, no local e nas adjacências, de motoristas por aplicativo, entregadores e moradores. “A gente está vendo que não tem sinalização. Apenas esses cones, mas isso não é suficiente. O trajeto por aqui, no horário de pico na praia, é muito complicado. Como é que uma ambulância vai chegar até o outro lado? Fazendo contorno, enfrentando trânsito. Na minha opinião, [a estrutura] atrapalha e muito”, argumentou.
Transporte público
O motorista de ônibus Fernando Antonio passou por maus bocados no trecho em questão. Ele precisava acessar a avenida pela rua lateral, mas a estrutura não possibilitava a passagem do veículo. Não havia sinalização na área nem bloqueios voltados para ônibus. “Está vindo muito carro de Recife [PE] para cá. Seria bom que colocassem bloqueios para os motoristas prestarem atenção e os ônibus não passarem por esse transtorno. Graças a Deus, a turma de João Pessoa é gente boa. Se eles não tivessem retirado uns carros ali, eu não ia passar”, relatou Antonio, antes de ter que retornar pelo caminho do qual tinha vindo.
Orientação
Durante o período em que a equipe do jornal A União esteve no local, na tarde da última quinta-feira (22), não havia, no entorno, agentes de trânsito da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) de João Pessoa fazendo qualquer tipo de orientação à população ou qualquer tipo de sinalização visual sobre os riscos e impedimentos do trecho, alem dos cones.
Associação prepara plano junto à Semob
O camarote é de responsabilidade da Associação Via Folia, organizadora do pré-Carnaval de João Pessoa. Não é a primeira vez que estruturas do tipo são construídas naquele entorno, mas isso nunca havia sido feito sobre uma via de passagem de carros.
A reportagem buscou a Semob para comentar sobre a ausência de agentes de trânsito e de uma sinalização mais clara no local. Segundo o supervisor do Centro de Operações do Trânsito e Transporte (Cott) do órgão municipal, Francisco Varela, foi realizada uma visita técnica ao ponto, ontem, e a sinalização já presente, com cones, foi considerada “a contento”. Ele também informou que o tráfego de carros está livre, a não ser a restrição de passagem de veículos grandes que saiam da Avenida Epitácio Pessoa para a Rua Giuseppe Duarte de Queiroz. “Por ora, não há nenhum prejuízo para a segurança, nem de condutores e nem de pedestres”, declarou Varela.
Questionado sobre a situação, o presidente da Via Folia, Francinaldo Bandeira, afirmou que a associação vem “fazendo acompanhamento diário” do trecho. “Nós conversamos com a Semob, no sentido de preparar uma sinalização especial. Mas isso [o camarote] é uma ativação que estamos fazendo para a cidade, para mostrar mais experiência. Pedimos a compreensão dos moradores e das pessoas que estejam, por enquanto, sendo atingidos, mas estamos preparando um plano junto à Semob e aos órgãos para informar melhor sobre isso”, explicou.
Não foi informada, ao jornal A União, a data de divulgação desse planejamento. A organização também não revelou, até o fechamento desta edição, números de metragem do camarote ou de sua capacidade.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 24 de janeiro de 2026.