Na Rua Maciel Pinheiro, próximo ao Terminal Rodoviário de João Pessoa, há um shopping popular que costumava ser movimentado, mas hoje enfrenta uma série de dificuldades para atrair e receber clientes: o Shopping do Varadouro. Inaugurado em março de 2010, o local tem lidado com a degradação de sua infraestrutura, que gera insegurança e prejudica o movimento do comércio, afetando diretamente a rotina e a renda dos lojistas.
Maria dos Remédios, que atua vendendo jalecos e outras peças de roupa, mantém um boxe no local desde sua fundação, há 16 anos. Ela conta que, no início, ter um espaço integrado e protegido do sol e da chuva foi um presente para os trabalhadores, mas, com o passar do tempo, a deterioração estrutural — e a falta de clientes que decorreu dela — forçou muitas pessoas a fechar as portas dos seus negócios. “Antes, havia duas linhas de ônibus, para Bayeux e Santa Rita, que paravam bem na nossa porta, na Rua Francisco Londres. As pessoas esperavam aqui dentro ou desciam dos ônibus e vinham para cá. Mas, quando tiraram esses ônibus daqui e a estrutura começou a quebrar, os clientes também deixaram de vir”, lembra.
O espaço concentra cerca de 610 boxes — 368 no térreo e 242 no primeiro andar —, onde pode-se ter acesso a itens e serviços dos mais diversos: roupas, acessórios, jogos, ótica, conserto de eletrônicos e até um salão de beleza. No andar mais alto, há também uma praça de alimentação, com 40 boxes que oferecem lanches, espetinhos e refeições mais completas. Entretanto, a maioria dos comerciantes reporta que não há clientes, e, por vezes, os corredores ficam vazios. “Tem dias em que o shopping fica deserto, com a presença, apenas, dos comerciantes. Parece abandonado, como se ninguém soubesse que esse espaço existe”, afirma Maria dos Remédios. 
A comerciante declara, ainda, que a degeneração estrutural do prédio gera descaso nas pessoas. “Os banheiros também não são limpos, alguns estão quebrados, então muita gente entra aqui e faz as necessidades nos cantos mais escondidos. Acabamos tendo que trabalhar em um ambiente sujo, sem segurança”. As portas da entrada do shopping, voltadas para a rua, exibem uma Casa Lotérica e uma farmácia. Nelas, os clientes circulam com mais facilidade. Maria relata que o problema está no fato de que pouca gente entra no local e vê o que é vendido lá. “Ninguém faz isso, porque enxergam as luzes falhando, a sujeira e o teto quebrado, e não querem entrar. Quem não é aposentado, não consegue viver só de um negócio nesse ponto, que poderia ser movimentado. Tem muita variedade aqui, só falta o cuidado com a estrutura”.
Na ocasião de sua construção, o também chamado de “Centro de Comércio e Serviços do Varadouro” recebeu um investimento de R$ 2.277.731,71 e tinha como principal objetivo oferecer um espaço fixo e seguro para os ambulantes, que antes ocupavam as ruas e calçadas do Centro da cidade. Outro comerciante, que pediu para não ser identificado, alega: “A intenção com a criação desse prédio foi boa, e a infraestrutura dele também. O problema é que está tudo abandonado, não tem ninguém que venha aqui revitalizar, cuidar. Estamos precisando de apoio, que as nossas reivindicações sejam atendidas, para que a gente possa, realmente, fazer comércio. Tem muita mercadoria, mas quase nenhum cliente”.
Esperando o conserto do seu celular em um dos boxes, um cliente, Luciano da Costa, fala que passa pelo shopping todos os dias, de ônibus, mas só recentemente descobriu que aquele era um centro comercial popular. “Não tem uma sinalização, a fachada está cheia de letras faltando. Pensei que era só um espaço onde as pessoas ficavam esperando para pegar o ônibus. Só descobri o comércio porque encontrei o contato dessa assistência técnica no Instagram, e recebi o endereço para vir arrumar a tela do meu celular”, ele narra. “Fiquei surpreso, porque tem muita coisa e os preços são bons”.
Poder Público
Para entender se há algum plano de revitalização para o local, bem como o número atualizado de lojistas que ainda encontram--se em atividade no espaço, a reportagem de A União entrou em contato com a Secretaria de Desenvolvimento e Controle Urbano (Sedurb), mas, segundo a assessoria de comunicação do órgão, não foi possível conseguir as informações solicitadas.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 24 de janeiro de 2026.