Um trecho da barreira às margens da rodovia BR-230, no bairro Castelo Branco, em João Pessoa, desmoronou, na madrugada de ontem (1º), devido às fortes chuvas. A presença de lama e detritos interditou, parcialmente, a pista nas imediações do km 19, sentido João Pessoa–Cabedelo, e interrompeu o fluxo de veículos.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o deslizamento de terra no Castelo Branco aconteceu às 3h40 de ontem, no muro de contenção construído em 2024. Os motoristas enfrentaram longas filas e lentidão até a liberação completa da rodovia, que aconteceu por volta das 10h20. Não há registro de feridos.
Incidentes como esse são preocupações constantes de quem reside na localidade. A aposentada Maria de Lourdes Gonçalves, residente no bairro há mais de 30 anos, teme perder a sua propriedade. “Uma parte bem perto de casa desabou. Toda vez é isso. Dizem que tem risco de desabamento, mas não tem o que fazer. Agora pode ser que a gente precise sair daqui, ainda mais com a minha neta, recém-nascida”, revela.
Catador de recicláveis, Francisco da Silva ouviu o instante do ocorrido. Como ele lembra, as autoridades já alertaram a população acerca da necessidade de evacuar o local em função do risco iminente de desmoronamento. Apesar disso, nenhum órgão implementou uma medida capaz de resolver o problema ou definiu um lugar para a realocação dos moradores.
“Foi um pé d’água daqueles. Toda vez que chove, acontece isso. Quando dá para chover mesmo, aqui alaga tudo. A prefeitura diz que é área de risco, mas até agora nada. Vai fazer quase cinco anos já. Eles vêm conferir a situação e tem reunião, somente. Mas não fazem nada e a rua fica desse jeito. Quando chove, é um pé d’água que desce e leva tudo”, conta.
Mais dificuldades
Outro bloqueio atingiu os bairros Cristo Redentor e Cruz das Armas, por conta de um afundamento na Avenida José Tavares. O asfalto na ponte sobre o Rio Jaguaribe cedeu e formou uma cratera após a elevação do nível das águas. Esse afundamento provocou o desabamento do muro de uma residência. Houve uma interdição parcial da via para carros, mas motocicletas ainda transitam pelo trecho.
Os alertas continuam na Paraíba. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), 206 municípios paraibanos devem enfrentar chuvas intensas, rajadas de vento e transtornos urbanos.
A previsão, de acordo com o órgão de metereologia, é que o clima de instabilidade permaneça nos próximos dias.
Defesa Civil
Em caso de incidentes, a Defesa Civil funciona 24 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Ela pode ser acionada pelo Disque 199 e pelo número (83) 98831-6885 no WhatsApp. Outro canal é o aplicativo João Pessoa na Palma da Mão, disponível gratuitamente nas plataformas Play Store e App Store.
No Sertão, precipitações elevam nível de açudes
Por: Mirvan Lúcio
Março começou com chuvas intensas no Sertão do estado. Precipitações foram registradas em todas as cidades, com registros de acidentes, deslizamentos e danos a equipamentos públicos. Nas zonas Urbana e Rural, moradores sentiram as consequências dos elevados índices pluviométricos, com registro de diversos pontos de alagamento. Por outro lado, a intensidade das chuvas contribuiu para a recuperação dos mananciais da região. Diversos reservatórios receberam recarga de água, saindo do nível crítico.
De acordo com o mapa da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), da última sexta-feira (27) até ontem choveu 172 mm em Patos. Nas proximidades, a cidade com maior índice de chuva nesse período foi Cacimba de Areia, com 257 mm, seguida de Passagem, com 205 mm.
Na Capital do Sertão, o volume de água provocou transtornos e prejuízos à população. Na sexta-feira, o canal de drenagem, conhecido como “Canal do Frango”, transbordou e diversas ruas ficaram alagadas. A ventania arrancou o telhado metálico de uma empresa de produção de bebidas. A equipe de saúde do Hospital Regional foi surpreendida com a água, que transbordou das calhas e invadiu o setor de repouso. As alas com os pacientes não foram atingidas. De acordo com o hospital, o tomógrafo teve que ser desligado, devido à oscilação da energia.
No mesmo dia, um acidente automobilístico vitimou fatalmente o profissional de educação física, Thiago Gomes Martins, de 29 anos, residente no município de Malta. O sinistro aconteceu na BR-230, entre Patos e o distrito de Santa Gertrudes. O carro, modelo Chevrolet S10 branca, capotou na pista, lançando o condutor para fora do veículo. Outros dois ocupantes ficaram feridos. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), chovia na hora do acidente.
Na serra de Teixeira, na madrugada de ontem, os temporais provocaram o tombamento de árvores e, consequentemente, o deslizamento de terra e pedras nas encostas. A pista ficou bloqueada, impedindo a passagem de veículos, incluindo ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que prestavam assistência a pacientes que precisavam de atendimento em Patos.
De acordo com a subgerente de Meteorologia da Aesa, Carmem Becker, essas precipitações já eram esperadas. “A região de Patos está no início do período chuvoso. Nós tivemos um mês de janeiro bem abaixo da média, mas o período de maiores chuvas acontece nos meses de fevereiro, março, abril e maio. Essas chuvas que ocorreram já são típicas do período chuvoso 2026”, explicou.
Recarga dos reservatórios
O volume de água registrado nos últimos dias trouxe também um alívio para os sertanejos, como o início do reabastecimento de açudes e barragens. O Rio da Farinha, principal condutor de água da bacia da Barragem da Farinha, em Patos, teve a primeira cheia do ano. O afluente, que passa por Cacimba de Areia, município já mencionado como mais chuvoso, trouxe bastante água para a barragem, que abastece a cidade de Patos.
Informações da Aesa indicam o aumento expressivo no quantitativo de água. No dia 27 de fevereiro, o reservatório continha apenas 0,51% de sua capacidade. Em um fim de semana, o cenário mudou consideravelmente. No dia 2 de março, o volume armazenado subiu para mais da metade da capacidade, atingindo 57,37%, que equivale a 14.765.191 m³. A Farinha tem a capacidade total de 25.738.500 m³.
No mesmo fluxo das águas, o Açude do Jatobá, também em Patos, recebeu uma forte recarga. Entre os dois primeiros dias de março, o reservatório, que também abastece a população patoense, recebeu 2.606.306 m³, chegando a 25,33% da capacidade. Neste ano, o acumulado é de 4.436.202 m³.
Para a Aesa, existem grandes possibilidades de esses mananciais atingirem o nível máximo. “Nós estamos no início do período de chuva. De março até maio, deve continuar chovendo na região, podendo haver mais recargas”, afirmou Carmem Becker.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 02 de março de 2026.
