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Despejos ilegais poluem Açude Velho

publicado: 20/01/2026 08h38, última modificação: 20/01/2026 08h38
Segundo informações apresentadas ao MPPB, foram vistoriados 66 imóveis, dos quais nove receberam notificações
2016.01.19 Reunião no MPPB sobre o Açude Velho - Bruno Cunha Lima e Hamilton de Souza Neves © Julio Cezar Peres (8).JPG

Audiência, realizada ontem, integra o inquérito instaurado pelo Ministério Público desde 2025 | Foto: Julio Cezar Peres

por Beatriz Oliveira*

A Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) de Campina Grande realizou a fiscalização de 66 imóveis — entre residenciais e comerciais — para identificar possíveis despejos irregulares de esgoto no Açude Velho. Como resultado, nove locais foram notificados por irregularidades, sendo um deles reincidente. As informações foram apresentadas ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) durante audiência realizada ontem, na qual representantes do Governo Municipal detalharam um plano de ações de curto, médio e longo prazos para enfrentar a crise ambiental no Açude Velho.

A audiência, conclamada pelo MPPB, integra o inquérito civil instaurado, desde 2025, pelo promotor de Justiça Hamilton de Souza Neves, com o objetivo de eliminar, definitivamente, a contaminação e o assoreamento do Açude Velho, promovendo a recuperação do ecossistema local.

Na reunião, Dorgival Vilar, secretário da Sesuma, detalhou que foram intensificadas as fiscalizações, com a emissão de notificações e multas, para evitar que situações como essa voltem a ocorrer. “Também providenciamos a instalação dos aeradores. Recebemos seis aparelhos de aeração na última quinta-feira (15), já concluímos a montagem e, hoje, iniciaremos a instalação elétrica. O objetivo é melhorar a oxigenação da água, o que deve reduzir o mau cheiro na região, a coloração amarronzada da água e, principalmente, melhorar a qualidade de vida aquática no reservatório”, explicou.

De forma imediata, a instalação dos aeradores no Açude Velho tem como objetivo aumentar a oxigenação da água. Os equipamentos funcionam injetando ar ou oxigênio, gerando bolhas que movimentam a coluna d’água e promovem a troca gasosa. Esse processo eleva os níveis de oxigênio dissolvido, favorecendo a vida aquática, acelerando a decomposição da matéria orgânica e prevenindo doenças e o estresse dos peixes.

De acordo com o promotor Hamilton de Souza Neves, a morte de mais de 10 toneladas de peixes, registrada na semana passada, deve servir como um alerta e impulsionar ações efetivas em defesa do principal cartão-postal da Rainha da Borborema. “Agora é o momento de apagar o fogo e encerrar o lançamento de esgoto no Açude Velho. Em um segundo momento, partiremos para o Riacho das Piabas. Para isso, será necessária uma força-tarefa: vamos cobrar da Prefeitura, mas também buscar a colaboração da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) para ressuscitar o nosso cartão-postal. A última intervenção significativa no Açude foi em 1978, na gestão do prefeito Evaldo Cruz. De lá para cá, alguém viu alguma ação efetiva no local? Isso precisa ser retomado e, sobretudo, tornar-se uma política permanente”, afirmou o promotor.

Soluções

Durante a audiência que tratou da situação do Açude Velho, além das ações emergenciais adotadas como resposta imediata, a gestão municipal discutiu alternativas de médio e longo prazos para a recuperação do reservatório. Na ocasião, o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, ressaltou que a solução definitiva do problema depende do engajamento coletivo, envolvendo o Ministério Público, a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), empresas privadas e, principalmente, a população, a quem também cabe a responsabilidade pela preservação do açude enquanto patrimônio da cidade.

Entre as propostas de médio prazo, a principal ideia é transformar o Açude Velho em uma estação de tratamento de pequeno porte, conhecida como Mini ETE (Mini Estação de Tratamento de Esgoto). A medida busca atacar a origem do problema, uma vez que as soluções de curto prazo têm eficácia limitada e o debate sobre ações de médio e longo prazo precisa ser aprofundado. É de conhecimento público a destinação irregular de esgoto no Açude Velho. Uma das alternativas apontadas é a construção de uma estação de tratamento capaz de captar o esgoto proveniente da Avenida Canal e, somente após o devido tratamento, liberar essa água no açude.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 20 de janeiro de 2026.