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Internet chega a 93,3% dos domicílios

publicado: 03/07/2026 10h16, última modificação: 03/07/2026 10h16
Índice da PB é o maior da série histórica e supera média nordestina; 3,2 milhões de pessoas estão conectadas no estado
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Jovens lideram o uso da internet no estado, embora com queda na população de 10 a 13 anos | Foto: Antônio Régis

Em 2025, a internet era utilizada em 93,3% dos domicílios paraibanos, de acordo com o Módulo de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As informações apontam que a proporção paraibana superou a observada na média do Nordeste (92,7%) e ficou próxima da média nacional (95%).

Em números absolutos, a internet estava presente em cerca de 1,4 milhões de domicílios no estado. Desde o início da série histórica, em 2016, quando o indicador era de 62,1% (766 mil domicílios), houve um avanço de 31,2 pontos percentuais (p.p.). O crescimento foi consistente ao longo de todos os anos: em 2017, eram 69,2%; em 2018, 73,9%; em 2019, 78,3%; em 2020, 84,3%; em 2021, 87,7%; em 2022, 87,9%; em 2023, 90,2%; e em 2024, 91,8%. Em 2025, a Paraíba atingiu o maior percentual da série.

No topo do ranking nacional, estão o Distrito Federal (98,2%), Santa Catarina (97,1%) e Mato Grosso (97,0%). Entre os estados nordestinos, a Paraíba (93,3%) ficou abaixo de Rio Grande do Norte (94,4%), Sergipe (93,5%) e Piauí (92,5%).

Nos domicílios paraibanos em que havia utilização da internet, o tipo de conexão mais comum era a banda larga fixa, presente em 1,33 milhão de domicílios, seguida pela banda larga móvel, que alcançava 1,11 milhão de domicílios. A combinação de banda larga fixa e móvel estava presente em 1,03 milhão de domicílios no estado. Em comparação, no Brasil como um todo, havia 75,9 milhões domicílios com banda larga, sendo 67,8 milhões com conexão fixa e 65,3 milhões com banda larga móvel.

População

Já o uso da internet pela população paraibana com 10 anos ou mais de idade alcançou o patamar de 89,3%. Esse percentual, o maior da série histórica iniciada em 2016, representa um contingente de cerca de 3,2 milhões de pessoas que fizeram uso da internet alguma vez, em 2025, no período de referência da pesquisa (90 dias que antecederam a realização da entrevista no domicílio). As informações também são do Módulo de Tecnologia da Informação e Comunicação da Pnad Contínua.

De 2016 a 2025, no estado, houve um crescimento expressivo da utilização da internet pelas pessoas de 10 anos ou mais, passando de 55,4% (1,86 milhão de pessoas) para 89,3% dessa população. Isso corresponde a um avanço de 33,9 p.p. no indicador paraibano e significa que mais 1,34 milhão de habitantes passou a estar conectado.

Considerando o recorte temporal de 2024 a 2025, o indicador estadual avançou 1,7 p.p. (de 87,6% para 89,3%), seguindo a tendência de expansão da conectividade digital observada tanto no Brasil (de 89,2% para 90,5%) como no Nordeste (de 87,2% para 88,5%). O número paraibano ficou acima do nordestino, mas continua abaixo da média nacional. O Distrito Federal (96,8%), Goiás (94,4%) e Rondônia (93,7%) seguem liderando o ranking das unidades da Federação organizado em torno desse indicador.

No recorte por idade, de 2016 a 2025, a análise mostra que os jovens paraibanos seguem liderando no uso da internet e que o avanço no percentual de pessoas conectadas ocorreu continuamente em todas as faixas etárias, com exceção do grupo dos mais jovens, de 10 a 13 anos, que apresentou recuo a partir de 2023. No total, houve uma queda de 6 p.p. no indicador desse grupo, que caiu de 89,1%, em 2023, para 85,1%, em 2024 (-4 p.p.), e para 83,1%, em 2025 (-2 p.p.). Entre todas as unidades da Federação, no mesmo período, apenas 10 apresentaram queda nesse indicador, a registrada na Paraíba tendo sido a terceira maior do país, inferior apenas às observadas em Roraima (-6,9 p.p.) e Goiás
(-6,2 p.p.).

Já de 2024 a 2025, essa tendência de queda expandiu--se, sendo observada em 15 estados. Em 2025, o indicador paraibano para o grupo de 10 a 13 anos ficou abaixo das médias nacional (84,4%) e regional (83,4%), sendo o 11º menor do Brasil e o terceiro menor do Nordeste.

Inclusão digital destaca-se entre moradores com mais de 40 anos

Outro destaque no recorte por idade envolve as populações mais velhas, com idade a partir dos 40 anos, que chamam a atenção pela magnitude do avanço do uso da internet entre seus componentes. Tradicionalmente menos conectados, esses grupos etários apresentaram avanços significativos no período de 2016 a 2025. No grupo de 60 anos ou mais, a conexão passou de 14,5% para 65,4% (aumento de 50,9 p.p.); no grupo de 50 a 59 anos, o crescimento foi de 51,5 p.p. (36,3% a 87,8%); e no grupo de 40 a 49 anos, houve aumento de 48 p.p. (47,3% a 95,3%).

A análise por sexo mostra que, no estado, assim como nos níveis nacional e regional, as mulheres continuam estando mais conectadas do que os homens. Na Paraíba, em 2025, o percentual de mulheres com 10 anos ou mais que utilizaram a internet, no período de referência da pesquisa, foi de 90,7%, enquanto, no grupo masculino, a proporção foi de 87,7%. 

Conexão cresceu 50,9 p.p. entre os idosos da Paraíba | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Quanto ao equipamento utilizado para acessar a internet, a pesquisa mostra que, no período de 2016 a 2025, houve uma tendência de queda do percentual de pessoas que usaram o microcomputador para esse fim. Esse índice, que, em 2016, era de 53,1%, caiu para 23,8% em 2025. Em contrapartida, o acesso por meio do aparelho de televisão apresentou tendência inversa, aumentando de 9,8%, em 2016, para 57,9%, em 2025. O telefone móvel celular, que, em 2016, já era o equipamento mais utilizado para acessar a internet, com uma taxa de 95,3%, seguiu avançando até 2019, quando atingiu o patamar de 99% e, a partir de então, vem apresentando estabilidade em torno desse percentual.

Causas da desconexão

Em 2025, não saber utilizar a internet continuou sendo a principal razão apontada pelos residentes na Paraíba que se mantiveram desconectados: 64,3% das pessoas de 10 anos ou mais que não usaram a internet alegaram esse motivo. Essa proporção é superior às médias nordestina (55,4%) e brasileira (44,9%). Em seguida, foi apontada como motivo a falta de necessidade (17,5%), que, no cenário nacional, aparece como mais relevante, com 27,8%.

O alto custo do serviço ou equipamento eletrônico apresentou perda expressiva de participação entre os motivos alegados nos últimos anos, passando de 14,7% em 2023, para 8,4% em 2024 e 5,4% em 2025. Já a menção à preocupação com privacidade ou segurança apresentou tendência inversa, ganhando participação no mesmo período: de 1,3% em 2023, para 4,6% em 2024 e 7,1% em 2025. Esse último percentual foi mais significativo do que os registrados no Nordeste (4,4%) e no Brasil (5,3%).

91,8% das residências têm rede móvel e 86% dos paraibanos usam celular

Em 2025, a proporção de domicílios com serviço de rede móvel celular para telefonia ou internet na Paraíba chegou a 91,8%, o maior patamar da série para o estado desde 2017 (quando era de 93,6%, pico que pode refletir variações amostrais do período). Em relação a 2024, houve acréscimo de 2,3 pontos percentuais, acompanhando a tendência observada no Nordeste (de 85,2% para 87,2%) e no Brasil (de 92% para 92,9%).

Outro dado que avançou no estado foi o de domicílios que possuíam microcomputador ou tablet, chegando a 28,8% em 2025, frente a 27,6%, em 2024, e 27%, em 2023. Essa alta sinaliza uma possível recuperação após um período prolongado de queda. Em 2016, a proporção era de 37,7% e recuou continuamente até atingir 26,2% em 2020. O crescimento recente refletiu tanto um avanço na presença de microcomputadores (de 25,6% em 2024 para 27,3% em 2025) quanto de tablets (de 7,1% para 8,1%). A combinação de ambos os dispositivos no mesmo domicílio chegou a 6,6% em 2025, ante 5,2% em 2024.

Já a análise da evolução da posse de telefone celular para uso pessoal entre as pessoas de 10 anos ou mais de idade, na Paraíba, mostra um crescimento contínuo de 2019 (74,5%) a 2025 (86%), indicando um avanço de 11,5 p.p. em seis anos. Em números absolutos, no mesmo período, a população paraibana com celular teve um acréscimo de cerca de 527 mil pessoas, passando de 2,55 milhões para 3,08 milhões de pessoas.

Essa tendência de crescimento foi observada em todas as faixas etárias, com destaque para os adultos de 20 a 39 anos, cujos percentuais superam 95% em 2025. Entre os grupos de idade mais avançada, com 40 anos ou mais, a expansão foi ainda mais significativa: 14,2 p.p. no grupo de 40 a 49 anos, que passou de 79,7% em 2019 para 93,9% em 2025; 12,7 p.p. (de 74,8% para 87,5%) no grupo com idade de 50 a 59 anos; e 12,4 p.p. (de 58,3% para 70,7%) entre as pessoas com 60 anos ou mais. A magnitude de tal expansão evidencia uma tendência de aceleração da inclusão digital entre as faixas etárias mais elevadas.

Já entre os adolescentes de 14 a 19 anos, o avanço no período também foi expressivo, de 11,8 p.p., passando de 74,7% em 2019 para 86,5% em 2025. O mesmo ocorreu na faixa de 10 a 13 anos, apenas com intensidade um pouco menor: 11 p.p. (de 39,5% para 50,5%, respectivamente).

Embora tenha registrado avanços em todas as faixas etárias, os indicadores estaduais para os grupos de idade mais avançada ainda se mantêm abaixo das médias nacionais: de 50 a 59 anos (87,5% na Paraíba contra 93,5% no Brasil) e de 60 anos ou mais (70,7% contra 80,3%, respectivamente). Por outro lado, em segmentos mais jovens, como o de 20 a 24 anos, a Paraíba (95,4%) supera a média nordestina (95,2%) e se aproxima da brasileira (96,6%), o que indica um alinhamento com a tendência nacional entre os mais jovens.

Já a análise por sexo mostra que 88,1% das mulheres tinham telefone móvel celular para uso pessoal na Paraíba, enquanto o percentual entre os homens era de 83,8%, uma diferença de 4,3 p.p. a favor do grupo feminino.

Televisão

O aparelho de televisão estava presente em 93,6% dos domicílios paraibanos em 2025, proporção praticamente estável em relação a 2024 (93,7%) e inferior à registrada em 2016 (98%). Essa redução gradual ao longo da série histórica é observada também no Brasil (de 97,2%, em 2016, para 93,9%, em 2025) e no Nordeste (de 96,2% para 91,9%).

Entre os domicílios com televisão (cerca de 1,4 milhão), 31,3% tinham acesso a serviço pago de streaming de vídeo na Paraíba, em 2025, o que corresponde ao sexto menor percentual no ranking nacional. A média nacional foi de 44,4% e a do Nordeste, de 30,7%. O percentual paraibano avançou de 26,6% em 2022 para 31,3% em 2025, mostrando crescimento consistente.

Por outro lado, apenas 9,5% dos domicílios com televisão (134 mil) dispunham de acesso a serviço de televisão por assinatura, abaixo da média brasileira (23,5%). Nos demais 90,5% (1,3 milhão de domicílios), o principal motivo apontado para a ausência foi a falta de interesse pelo serviço (48,3%), seguido pelo alto custo (42,2%) e pela indisponibilidade na área do domicílio (0,6%).

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 03 de junho de 2026.