A Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa) registra um prejuízo que chega a R$ 1 milhão devido aos furtos de hidrômetros praticados nos últimos 12 meses. No primeiro semestre deste ano, foram registrados 631 furtos, o que mostra uma leve queda em relação ao mesmo período do ano passado. Chama a atenção, no entanto, que aproximadamente 300 desses furtos ocorreram durante o mês de junho, um número recorde.
“O mês de junho registrou um aumento atípico e significativo, tornando-se o mês com o maior número de ocorrências dessa natureza já registradas na história da companhia”, afirmou o gerente do suporte comercial da Cagepa, Isaías Veríssimo.
Nas redes sociais, um vídeo extraído de câmeras de segurança mostra o momento em que um equipamento é roubado da calçada de uma doceria, no bairro de Água Fria. Outro vídeo registrou um furto praticado no Jardim Aeroclube, na mesma semana. Nos comentários, internautas relatam casos semelhantes em Jaguaribe, Manaíra, Jardim Cidade Universitária, entre outros locais.
De acordo com Isaías Veríssimo, embora as ocorrências afetem toda a cidade de forma pulverizada, atualmente há uma maior concentração de casos nos bairros dos Bancários, Jardim Cidade Universitária, Cristo Redentor, Manaíra, Tambaú, Jardim Oceania e Bessa.
A reportagem de A União visitou o Jardim Aeroclube, onde o funcionário de um edifício residencial relatou que, somente nesta semana, três hidrômetros foram furtados na região. Em outro prédio do mesmo bairro, um funcionário contou que o hidrômetro havia sido furtado há cerca de dois meses. Embora essa situação específica tenha sido resolvida, ele disse que têm chegado notícias frequentes de outros casos na região.
O trabalhador, que preferiu não se identificar, comentou ainda que, por se tratar de uma ação muito rápida, não há tempo para acionar a polícia. “Outro dia, o rapaz pegou um cara mexendo no relógio de água do prédio da esquina, começou a gritar, mas o cara subiu na moto e fugiu”, relatou.
Nas redes sociais, algumas pessoas alegaram que a Cagepa estaria lucrando com os furtos, mas Isaías Veríssimo garante que, na verdade, ocorre o contrário. “Ao cliente, cabe o transtorno do desabastecimento temporário e a necessidade de solicitar o reparo. O prejuízo financeiro da reposição do equipamento é integralmente assumido pela Cagepa”, atestou. Por isso, ele explica que a empresa está sempre fornecendo dados à polícia, para facilitar a investigação dos crimes.
Operação
A Polícia Civil explicou que cada caso fica com a delegacia distrital da área onde ocorreu o crime. No ano passado, a 10a Delegacia Distrital, localizada em Tambaú, deflagrou a Operação Hidrômetro, que resultou na prisão de suspeitos de roubo, receptação de equipamentos e tráfico de drogas.
De acordo com o delegado Paulo Josafá, os furtos eram realizados para extrair e revender o cobre presente nas peças. Alguns dos autores foram identificados por meio de imagens de câmeras de vigilância e a polícia acabou encontrando também receptadores em uma residência na comunidade Padre Hildon Bandeira, onde também havia drogas e armamentos.
“Com a operação da 10ª Delegacia, houve uma redução significativa em nossa circunscrição, em Tambaú, Cabo Branco, Miramar e Altiplano”, afirmou o delegado, que ressaltou a importância de responsabilizar não só os autores do furto, mas também os receptadores.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 03 de junho de 2026.