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Júlia Sofia é a primeira bebê da PB em 2026

publicado: 02/01/2026 11h49, última modificação: 02/01/2026 11h49
Jaqueline de Lima Bezerra_F. Evandro Pereira (11).JPG

por Joel Cavalcanti*

Há uma expectativa particular no primeiro sopro de um ano. Um desejo coletivo e silencioso por recomeços, por histórias ainda não escritas. Na madrugada de ontem, em João Pessoa, esse sopro ganhou voz. Com um choro firme, anunciado à 1h05, veio ao mundo a primeira criança nascida na Paraíba neste ano. Seu nome é Júlia Sofia, filha de Jaqueline de Lima Bezerra.

A chegada foi preparada desde terça-feira, dia 30 de dezembro. Pedagoga de 35 anos, residente no município de Conde e pós-graduanda em Psicopedagogia, Jaqueline foi internada para indução do parto no Hospital da Mulher. “Como eu sou hipertensa, a doutora achou melhor interromper com 37 semanas”, explicou. A menina nasceu com 3,335 kg e 50 cm, considerada a termo, não prematura.

O processo, por ser sua primeira experiência com a maternidade, foi desafiador para Jaqueline. “Como o corpo não estava preparado, então todo o trabalho de parto foi mais tardio”. Apesar da espera de dois dias e da dor inerente ao novo, o parto normal transcorreu bem. “Foi sofrida essa espera, mas deu tudo certo, graças a Deus”. Jaqueline não estava sozinha: foi acompanhada pela irmã. O pai da criança, “bem ansioso”, aguardava em casa e a conheceu logo pela manhã.

Para a mãe, o fato de Júlia ser a primeira bebê do estado carrega um significado especial. “Ser a primeira criança paraibana trouxe de certa forma muitas bênçãos. Porque foi uma descoberta nova, era um sonho”, refletiu. “Graças a Deus que ela chegou para completar, para trazer alegria e desafios, porque a partir de agora todo dia é um desafio diferente”.

O nome escolhido pela mãe é um tributo afetivo à sua própria história. “‘Júlia’ é em homenagem ao meu avô, porque eu fui criada pelos meus avós. O nome era ‘Júlio‘ e eu sempre disse que um dia quando eu tivesse uma filha ela ia se chamar ‘Júlia’, em homenagem ao meu avô. E ‘Sofia’ é o que eu gosto”.

Ao pensar no futuro da filha, Jaqueline, que é filha de pais analfabetos e hoje construiu sua trajetória como educadora, vê um horizonte de possibilidades. Ela pretende passar adiante a educação que recebeu. “Meus pais sempre me ensinaram a ser livre, me mostrando o que era certo e o que era errado, para que eu pudesse fazer a escolha”. Jaqueline acredita que Júlia terá oportunidades melhores das que teve quando ela era uma criança.

“O pai dela já tem uma condição diferente da condição que meus pais tinham e que eu tenho hoje. Como pedagoga, também vou poder contribuir com o futuro dela”. Seu desejo para a filha, no primeiro dia de 2026, resume-se em poucas palavras, mas carregadas de significado no momento em que o futuro parece, ao menos por instantes, mais aberto e possível.

“Que ela tenha muita saúde, seja uma pessoa batalhadora e guerreira, porque com saúde e sendo guerreira, ela vai chegar onde ela quiser, Porque o mundo é dela”, disse Jaqueline, com a voz suave da exaustão e da felicidade.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 02 de janeiro de 2026.