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Ônibus em JP

Passageiros revelam insatisfações

publicado: 27/01/2026 08h30, última modificação: 27/01/2026 08h30
Com a segunda tarifa mais cara do Nordeste, usuários reclamam de longas esperas, superlotação e falta de higiene
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Consumidores cobram explicações sobre as disparidades na distribuição da frota e solicitam mais fiscalização do serviço | Foto: Roberto Guedes

por Bárbara Wanderley*

Desde o último domingo (25), os usuários do transporte coletivo de João Pessoa passaram a pagar mais caro pelas passagens. A tarifa do ônibus convencional aumentou de R$ 5 para R$ 5,45, enquanto a do ônibus com ar-condicionado — conhecido como “Geladinho” — subiu de R$ 5,80 para R$ 6,05.

Com o reajuste, a tarifa praticada na capital paraibana tornou-se a segunda mais cara do Nordeste, ficando atrás apenas de Salvador. Apesar disso, passageiros reclamam que o valor cobrado não condiz com a qualidade do serviço oferecido. “Se fosse R$ 3 ainda era caro”, criticou o armador Luiz Feliciano, ouvido pela reportagem do jornal A União enquanto aguardava o ônibus no Parque Solon de Lucena. “É terrível. Só fazem aumentar o valor da passagem e o serviço é péssimo. Eu cheguei aqui, agora, e vou para a Praia do Seixas; vou esperar cerca de 25 minutos para passar um ônibus”, complementou o passageiro.

Luiz contou, ainda, que tem autorização da chefia para sair do trabalho 20 minutos mais cedo, justamente para não perder o ônibus que passa às 17h. Segundo ele, caso perca esse horário, o próximo só circula após as 18h. “É mais de uma hora esperando. Uma vez cheguei a passar 1 hora e 40 minutos no ponto”, lembrou o passageiro.

A situação é ainda mais difícil para a auxiliar de cozinha Carliane Rocha, que, diariamente, utiliza o ônibus da linha 307 — Penha (Via Pedro II) — para chegar ao trabalho. “Estou aqui há cerca de 20 minutos. Perguntei [ao funcionário na parada] quanto tempo iria demorar e ele disse 57 minutos. Quer dizer, vou esperar mais de uma hora”, reclamou.

Segundo Carliane, para conseguir chegar ao trabalho no horário correto, durante a semana, é preciso chegar ao ponto de ônibus com até duas horas de antecedência; nos fins de semana, a espera costuma ser ainda maior. Ela destacou que a demora afeta diretamente sua rotina. “A empresa não quer saber se você passou duas horas ou 10 minutos esperando, quer saber se você chegou no horário. E toda essa demora prejudica a gente. É o mesmo tempo de espera para voltar para casa: você já chega tarde por causa do ônibus e ainda tem que fazer janta, cuidar dos filhos. Quando percebe, já é meia-noite para dormir e acordar às 4h30 para estar aqui”, desabafou.

A auxiliar de cozinha afirmou ainda que, se o ônibus passasse ao menos a cada meia hora, seria possível ganhar tempo para outras atividades do dia a dia. “Mas não dá. A gente tem que sair mais cedo só para esperar. Nunca há melhoria, só continua do mesmo jeito”, concluiu.

O agente de limpeza Marcelo de Oliveira acredita que existe uma má distribuição dos veículos, já que algumas linhas contam com muitos carros e outras não. Ele citou, por exemplo, que tem dificuldade em pegar o ônibus para o Bairro dos Novaes e Jardim Planalto, mas vê ônibus passando para Mangabeira, Cabo Branco e Altiplano o tempo todo.

Outra queixa dele é em relação ao troco, já que com a passagem a R$ 5,45 os passageiros que pagarem com dinheiro dificilmente receberão o troco correto. “Eles nunca têm cinco centavos e eu também não vou brigar”, comentou.

Outros problemas

Além da demora, os passageiros relataram outros problemas em relação ao serviço. A dona de casa Diana Lima afirmou que os ônibus que pega estão sempre lotados. Ela acredita que seriam necessários mais veículos para resolver o problema.

Já um usuário que preferiu não se identificar reclamou da higiene dos veículos e contou que uma vez chegou a descer do ônibus com uma barata andando na perna da sua calça. “Aí, você leva um bicho desses para casa e infesta a casa”, queixou-se.

A auxiliar de limpeza Ana Lúcia Silva, que trabalha no Distrito Industrial, destacou que o ônibus 115, destinado aquela localidade, não circula em feriados. Nessas datas, quem precisa trabalhar percorre uma longa distância até a BR-101 para ter acesso a algum ônibus. “Não sei como o pessoal que mora no bairro faz”, disse ela.

Outro problema relacionado à mesma linha é que ela passou por mudanças recentes, sendo subdividida em dois itinerários diferentes. Dessa forma, a quantidade de carros para cada um ficou ainda menor. A Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP) informou que a mudança foi uma solicitação da comunidade, mas ainda está em fase experimental. Usuários como Ana Lúcia, porém, afirmam que o tempo de espera aumentou. “Tem dia que eu fico trabalhando e vejo minhas colegas esperarem mais de uma hora”, disse ela.

Responsáveis

A reportagem procurou a Semob-JP e também o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa (Sintur-JP) para saber como é definida a distribuição dos veículos em cada linha e com que frequência é realizada a higienização e dedetização dos carros. O Sintur-JP, por meio de sua assessoria de comunicação, respondeu que “todos os dias, antes do início da jornada, os ônibus são higienizados”. Quanto à Semob, até o fechamento desta edição nenhuma resposta foi enviada.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de janeiro de 2026.