O cantor João Lima, acusado de agredir a esposa, a médica e influenciadora Raphaella Brilhante, teve a prisão preventiva mantida após audiência de custódia realizada ontem e foi encaminhado ao Presídio do Roger, em João Pessoa. Ele ficará detido em uma ala específica para acusados de crimes de violência doméstica, conforme decisão judicial.
João Lima apresentou-se na manhã de ontem à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para cumprir o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça da Paraíba. O cantor optou por permanecer em silêncio, por orientação jurídica. De acordo com o advogado Luis Pereira, que representa João Lima, a decisão foi tomada diante da falta de acesso prévio ao conteúdo do inquérito policial e da decisão judicial que determinou a prisão.
“Ele se reservou o direito de permanecer em silêncio para manifestar-se no momento oportuno, no curso da investigação ou de eventual ação penal, quando tivermos acesso integral aos autos”, explicou. Na saída da delegacia, em breve contato com a imprensa, João Lima pediu perdão: “Eu vim colaborar com a justiça espontaneamente. Em respeito a tudo que aconteceu, estou aqui. Perdão a todo mundo”.

- Imagens da violência foram gravadas por câmeras de segurança na casa dos pais da vítima | Foto: Reprodução/Redes sociais
A defesa esclareceu que a declaração não representa, nesse momento, posicionamento sobre o mérito das acusações. Depois da análise técnica do material probatório é que será avaliada a possibilidade de impetração de habeas corpus, em prazo ainda indefinido. Segundo Luis Pereira, a defesa agora aguarda acesso completo ao inquérito policial, incluindo depoimentos, fotos, vídeos e o laudo de lesão corporal. “Nosso trabalho agora é técnico, para avaliar a legalidade e a necessidade da manutenção da prisão”, disse.
Já o advogado Thiago Minagé, que atua auxiliando Raphaella Brilhante, afirmou que o objetivo da acusação é a manutenção da prisão preventiva, além do cumprimento rigoroso das medidas protetivas de urgência. “Mesmo em uma eventual soltura, as medidas protetivas permanecem e qualquer descumprimento pode resultar em nova prisão”, destacou.
João Lima chegou à delegacia acompanhado do pai, o deputado estadual Cicinho Lima, que se manifestou publicamente sobre o caso. Em nota, ele pediu desculpas à vítima e à família, e afirmou não compactuar com qualquer forma de violência, dizendo confiar no trabalho da Justiça. “Não apoiamos violência. Não acobertam os erros. Confiamos na Justiça e respeitamos o devido processo legal. Às mulheres, meu respeito. À verdade, meu compromisso”, afirmou.
Detido
A prisão preventiva de John Kennedy Martins Figueiredo Lima, conhecido como João Lima, foi decretada no último domingo (25). O cantor é acusado de agredir a esposa, Raphaella Brilhante. O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação, nas redes sociais, de vídeos que mostram o que parecem ser agressões.
O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo plantão judiciário do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), com decisão assinada pelo juiz Bruno César Azevedo Isidro. De acordo com a polícia, a vítima registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), no sábado (24), contra o cantor. O depoimento da vítima foi colhido pela delegada Marcela Gonçalves, na Central de Polícia Civil da capital paraibana.
Segundo a PCPB, Raphaella solicitou medida protetiva de urgência, que foi concedida pela Justiça. A medida determina uma distância mínima de 300 m entre João Lima e a esposa. Ele também está proibido de frequentar determinados lugares, como shoppings e academias, a fim de preservar a integridade da vítima e evitar encontros entre os dois.
Raphaella registrou que, no dia 18 deste mês, sofreu agressões com socos, apertos na mandíbula e amordaçamento para silenciar seus gritos. Ainda conforme o relato, o agressor teria entregue uma faca à esposa e pedido que ela o matasse. As agressões foram captadas por uma câmera de segurança instalada no apartamento dos pais da vítima. Três dias depois, no dia 21, João teria ido novamente à casa da mãe da vítima para ameaçá-la, afirmando que “acabaria com a vida dela caso não reatasse o relacionamento”.
Na decisão, o juiz Bruno César destacou que há indícios suficientes de materialidade e autoria, ressaltando a gravidade das condutas, especialmente pelo fato de os crimes estarem registrados em vídeos que circulam amplamente nas redes sociais. “As declarações da vítima, corroboradas por testemunhas e demais provas anexadas ao processo, indicam que o autuado representa sério risco à integridade física da ofendida, uma vez que, reiteradamente, insiste em persegui-la e agredi-la”, afirmou o magistrado.
O juz também pontuou que, diante do contexto, as medidas protetivas, por si só, não seriam suficientes, sendo a prisão preventiva necessária para garantir a ordem pública, o andamento das investigações e a segurança física e psicológica da vítima.
Casamento em novembro
Raphaella Brilhante e João Lima casaram-se em novembro de 2025, e desde então, as agressões aconteciam de maneira recorrente. De acordo com a advogada da vítima, Dayane Carvalho, as situações de violência não ocorreram durante os dois anos de namoro, mas começaram logo após o casamento, já na lua de mel.
A advogada também relata que partes das agressões aconteceram quando os dois já estavam separados. Raphaella havia pedido por uma separação na relação. Durante esse momento, ela havia voltado à casa dos pais, mas não havia comunicado que sofria agressões.
A médica e influenciadora com mais de 600 mil seguidores confirmou publicamente as violências sofridas por meio de um texto nas redes sociais. Ela descreveu a experiência como uma dor profunda que afeta seu corpo, alma e história, afirmando que não existem palavras suficientes para descrever o impacto disso em sua vida. “Tudo isso parece um pesadelo. Tudo dói: doem as lesões, doem as marcas, dói a alma. Eu percebi que o que eu achava que era ciúme já era controle”, relatou Raphaella. Segundo ela, o companheiro controlava seus horários, a proibia de ir sozinha à academia e a acusava constantemente.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de janeiro de 2026.