Segundo novos dados divulgados, ontem (28), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2025, a população paraibana é estimada em 4.164 milhões de habitantes. Os números, atualizados, representam uma alta de 4,77% em relação ao Censo de 2022, quando a população era estimada em 3.974 milhões de pessoas. O número atual, quando comparado à estimativa populacional estadual do ano passado (4.145.040 habitantes), representa um aumento de 0,47%. A pesquisa considera a contagem de pessoas até o dia 1º de julho de 2025.
De acordo com o estudo, a Paraíba é o 14º estado mais populoso do Brasil e sua população corresponde a 2% do total estimado de 213,4 milhões de habitantes do Brasil. A taxa de crescimento anual da população paraibana (0,47%) ficou acima tanto da média brasileira (0,39%) quanto da média nordestina (0,23%), além de ser a 12º maior entre as unidades da Federação.
As cinco cidades do estado com maior número de habitantes são: João Pessoa (897.633), Campina Grande (443.911), Santa Rita (160.852), Patos (108.104) e Bayeux (83.862). Esses municípios, juntos, concentram cerca de 40% da população total do estado.
Entre as capitais brasileiras, João Pessoa fica na 17º posição em número de habitantes, com uma taxa geral de crescimento de 1,01%, a sexta maior do país. Quanto à Região Metropolitana o crescimento é de 0,88%, contabilizando 1,3 milhão de pessoas, nacionalmente o sétimo maior.
Em comparação, outras capitais do Nordeste, como Salvador e Natal, tiveram índices negativos (-0,18% e -0,14%, respectivamente). Os dados confirmam uma tendência de procura pela cidade, que vem se consolidando como um dos destinos mais procurados do país para o turismo e também, em muitos casos, para moradia.
Destino
Esse é o caso de Fabiana Marques Pedrosa, que se mudou de Minas Gerais para João Pessoa, onde passou a residir em janeiro deste ano, no bairro de Manaíra. Ela atua com consultoria no terceiro setor, voltada à implementação de projetos de educação pública. “Já tinha uma convivência aqui no Nordeste e o desejo de trazer minha filha adolescente para estudar em uma instituição com o modelo que eu apoio, o Ensino Médio em tempo integral, como acontece aqui na Paraíba”, explica.
Na escolha entre as capitais nordestinas, Fabiana levou em conta a necessidade de viver em um local com aeroporto, já que viaja com frequência. João Pessoa foi a decisão final. “Faço home office, então posso estar em qualquer lugar. Amigos também me convenceram a vir para cá. Fiz visitas nos últimos quatro anos, gostei e tomei a decisão há dois anos. Aqui encontrei uma capital que oferece tudo em termos de escola, saúde e serviços, mas que ainda mantém qualidade de vida, com baixo índice de violência, proximidade da praia e trânsito menos intenso em comparação a outras cidades da região”, relata.
Do ponto de vista econômico, ela afirma que não houve grandes mudanças, já que morava no interior de Minas Gerais, com custo de vida semelhante. O impacto positivo veio para sua filha, que encontrou em João Pessoa mais opções de lazer e programação do que tinha disponível antes.
Fabiana conta ainda que conheceu melhor a cidade por meio do perfil Calma na Correria, no Instagram, que mantém também um grupo de WhatsApp chamado Conecta, voltado para integração e apoio de mulheres que se mudaram ou pensam em morar em João Pessoa. A iniciativa foi criada por Juliana Frois, que chegou à capital paraibana em 2022, vinda de Brasília, com a família. Hoje, o grupo reúne mais de 300 participantes. “Quando nos mudamos para uma nova cidade, muitas vezes não conhecemos ninguém e sentimos falta de amigos ou grupos para sair. O Conecta serve para isso também”, afirma Juliana.
Outros dados
As estimativas da população mostram que as 27 capitais concentram 49,3 milhões de habitantes em 2025, o equivalente a quase um quarto (23,1%) da população total do país. O crescimento populacional das capitais com mais de um milhão de habitantes ficou abaixo de 1%, com exceção de Manaus (AM), que cresceu 1,05%.
De acordo com o gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE, Marcio Minamiguchi, a tendência de crescimento da população é cada vez menor. “Os resultados mostram uma desaceleração, o que já era indicado pelo Censo 2022 e pelas Projeções da População, ambas pesquisas realizadas pelo IBGE”, avalia.
Na Região Nordeste, a estimativa geral aponta 57.244 milhões de pessoas. Junto com a Região Sul, concentram o maior percentual de municípios com queda na população, respectivamente 41,6% e 39,2%. O Centro-Oeste possui a maior proporção (26,5%) de municípios com crescimento acima de 1%.
Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Porto Alegre (RS) e Natal (RN) foram as cinco capitais com perda na população em relação a 2024, respectivamente, -0,18%, -0,02%, -0,09%, -0,04% e -0,14%. “As capitais maiores, esses municípios mais centrais, em geral têm um entorno mais conturbado e perdem população para ele. O crescimento vai do centro para a periferia. Entre as capitais que perderam população, com exceção de Salvador, houve aumento de habitantes na respectiva região metropolitana”, esclarece Márcio.
As maiores taxas de crescimento anual da população foram registradas em Roraima (3,07%), Santa Catarina (1,6%) e Mato Grosso (1,49%); enquanto no Rio de Janeiro e em Alagoas, ambos com 0,02%, e no Rio Grande do Sul (0,03%), foram constatadas as menores taxas.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 29 de agosto de 2025.