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Recém-nascido abandonado morre

publicado: 21/05/2026 08h58, última modificação: 21/05/2026 08h58
Mãe é uma adolescente de 17 anos que disse ter escondido a gravidez da família e teve o bebê sozinha no banheiro
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Bebê foi levado de helicóptero para o Hospital de Trauma | Foto: Divulgação/GTA/Secretaria de Estado da Segurança

por Bárbara Wanderley*

Um recém-nascido abandonado logo após o nascimento em Cupissura, distrito de Caaporã, Litoral Sul da Paraíba, morreu na noite da última terça-feira (19). Com isso, a adolescente de 17 anos que foi identificada como mãe da criança deve responder por atos infracionais análogos a aborto e infanticídio. A jovem havia escondido a gravidez da família e, possivelmente, também do pai da criança.

O recém-nascido, que era do sexo masculino, foi encontrado na tarde da terça-feira (19) no vão entre duas paredes, um espaço de aproximadamente 20 cm entre dois muros de 2,5m de altura. Ele foi encontrado por um vizinho que ouviu barulho de choro.

De acordo com o delegado Edernei Hass, responsável pelo caso, o vizinho em questão relatou ter ouvido um barulho semelhante ao grunhido de um gato, por volta das 6h40. Às 13h, ele e a esposa perceberam o som novamente e ele resolveu investigar. Ao subir no muro, ele avistou a criança, mas percebeu que não conseguiria retirá-la sem quebrar os tijolos, e foi aí que ele acionou as autoridades e o resgate foi realizado por uma equipe do Samu.

O recém–nascido recebeu os primeiros cuidados ainda em Alhandra, mas logo foi transferido de helicóptero para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, de onde foi posteriormente levado para o Hospital Edson Ramalho.

Mistério solucionado

O delegado explicou que foi muito difícil identificar a mãe da criança, já que os moradores das três casas da região afirmavam que nenhuma mulher grávida havia estado ali. Edernei Hass precisou convencer as mulheres a realizarem exames e apenas diante da identificação do médico a adolescente acabou confessando. Ela afirmou que havia escondido a gravidez da família por medo da reação dos pais. Após a confissão, a polícia voltou à casa da jovem, onde encontrou vestígios de sangue em seu quarto dela, no banheiro e no quintal.

“Entre as mulheres que foram fazer o exame, ela era nossa última possibilidade, porque era uma menina franzina, magrinha, que qualquer pessoa perceberia se estivesse grávida”, comentou o delegado.

A adolescente disse não saber quem é o pai da criança, mas o delegado acredita que ela está apenas omitindo a informação. Ele informou que recebeu dicas de terceiros de que o pai poderia ser um homem que foi preso recentemente por ter cometido um crime de tortura em Alhandra. O delegado também comentou que a menina parecia perplexa e em estado de confusão mental, alegando não se lembrar de algumas coisas.

Ela teria dito, porém, que enquanto mantinha a gestação em segredo, tomava chás com a intenção de abortar. Esse pode ter sido o motivo de a jovem ter um parto prematuro, no banheiro de casa, após sentir dores abdominais. Estima-se que ela estava grávida de 30 semanas quando deu à luz. Ela dirigiu-se, então, a um terreno nos fundos da casa, onde subiu no muro com auxílio de um banco e soltou o recém-nascido lá de cima.

Nota do hospital

Após a morte do recém--nascido, a direção do Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER) emitiu uma nota. Conforme o texto, o bebê prematuro foi admitido na unidade às 17h50 da terça-feira (19), após ter os primeiros cuidados no Hospital de Emergência e Trauma, e recebeu toda a assistência médica e multiprofissional necessária desde a chegada à unidade.

“O bebê deu entrada no HSGER em estado extremamente grave, sendo prontamente assistido pelas equipes médica e multiprofissional da unidade. Desde sua admissão, foram adotadas todas as medidas terapêuticas e de suporte necessárias, de acordo com os protocolos assistenciais vigentes”, informa a nota.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 21 de maio de 2026.