Hoje, a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) celebra 60 anos, um marco que transcende a simples efeméride para simbolizar seis décadas de resistência política, transformação social e a consolidação de um dos mais vitais patrimônios públicos dos paraibanos. Essa trajetória, iniciada sob a égide da Fundação de Apoio ao Ensino, à Pesquisa e à Extensão (Furne), em 1966, amadureceu em uma potência tecnocientífica e inclusiva, consolidando-se, hoje, como uma âncora de desenvolvimento que integra do Litoral ao Sertão. 
Ao longo do texto (nas páginas 5 e 6), revisitaremos o percurso histórico de lutas pela autonomia, analisaremos o estágio de excelência e inovação que a instituição ocupa no presente, destacaremos suas singularidades em políticas afirmativas e engajamento regional para, enfim, projetar os desafios de uma universidade que se prepara para liderar a sustentabilidade e a resiliência climática no semiárido.
Luta e resistência
A trajetória da UEPB começa em 1966, com a criação da Fundação Universidade Regional do Nordeste, sob a liderança de Williams Arruda. O projeto buscava suprir a demanda educacional de Campina Grande, mas logo enfrentou o impacto do golpe militar na gestão de Edvaldo do Ó. Em 1969, a fúria da intervenção federal afastou o reitor, impondo um período de repressão política e administrativa severa. Contudo, mesmo sob vigilância, pressão e perseguições políticas “a semente do saber” foi preservada por colaboradores, forjando o caráter resiliente de uma instituição que se recusou a sucumbir.
Os anos seguintes foram marcados por severas dificuldades financeiras. Diversas gestões buscaram a federalização ou o suporte orçamentário do Estado, enfrentando negativas sucessivas ao longo das décadas de 1970 e 1980. Reitores como Vital do Rêgo e Guilherme Cruz tentaram, sem êxito, garantir a sobrevivência da Furne junto aos governadores da época. A mobilização de docentes, estudantes e servidores intensificou-se no período, transformando a precariedade orçamentária em uma causa popular coletiva.
Em 11 de outubro de 1987, a lei sancionada pelo governador Tarcísio Burity transformou a antiga Furne na atual Universidade Estadual da Paraíba. O ato foi o coroamento de uma vigorosa mobilização liderada pelo reitor Sebastião Vieira, com o apoio de entidades representativas dos estudantes, além de professores, técnicos administrativos da instituição e diversos movimentos sociais e políticos do estado.
A estadualização garantiu um novo horizonte jurídico e administrativo, retirando a instituição do isolamento financeiro que a asfixiava. Foi o passo decisivo para que a universidade deixasse de ser um projeto municipal para se tornar um patrimônio estratégico de todo estado. 
O reconhecimento definitivo pelo MEC ocorreu em 1996, coincidindo com os 30 anos de história da universidade. Sob a gestão de Itan Pereira da Silva, o decreto assinado pelo Governo Federal consolidou a UEPB como uma universidade plena e definitiva. Naquele momento, a instituição já contava com mais de 11 mil alunos e atuava em 26 cursos de graduação e diversos programas de especialização. O aval nacional chancelou a qualidade acadêmica construída e permitiu a expansão da sua marca para além das fronteiras originais de Campina Grande.
A conquista da autonomia financeira em 2004, por meio da Lei nº 7.643, inaugurou a fase de maior vitalidade e expansão da universidade. Essa independência orçamentária permitiu a interiorização em oito campi estratégicos e o fortalecimento vigoroso da pesquisa e pós-graduação.
Uma nova UEPB nasceu desse marco, tornando-se uma âncora cívica capaz de fixar talentos no semiárido e combater desigualdades históricas. O controle sobre os próprios recursos transformou a instituição em instrumento soberano de desenvolvimento, ciência e cidadania para todas as gerações.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 15 de março de 2026.
