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Educação pública

Motor científico e social da Paraíba

publicado: 16/03/2026 09h22, última modificação: 16/03/2026 09h22
Universidade Estadual promove inclusão e desenvolvimento unindo tecnologia, sustentabilidade e justiça social
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O desenvolvimento educacional se deu, também, por meio de um processo de ampliação, com a criação de diversos campi em cidades estratégicas do estado, além da implementação de laboratórios, incentivando a pesquisa, o ensino e a extensão | Fotos: Divulgação/Codecom-UEPB

por Cidoval Morais de Sousa (Especial para A União)*

A gestão de Marlene Alves e Aldo Bezerra, a primeira no contexto da vigência da autonomia, marcou a expansão estrutural, consolidou os processos de interiorização, investiu na dinâmica de internacionalização, políticas de cotas, aprovação de um novo e robusto plano de cargos e salários para o corpo técnico e docente, e, entre outras realizações, foi responsável pela implantação de uma política potente de capacitação docente, realização de concursos e programas internos de incentivo à pesquisa, que possibilitaram a criação dos primeiros cursos de pós-graduação stricto sensu da universidade — mestrado e doutorados recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O projeto da Biblioteca Central, assinado por Oscar Niemeyer, e o do hoje Museu de Artes Popular Jackson do Pandeiro — ou Museu dos Três Pandeiros —, elevou o patamar cultural e arquitetônico da instituição em Campina Grande. A atuação política firme na Assembleia Legislativa garantiu pleitos decisivos para o corpo docente e estudantil, consolidando a marca da excelência. A gestão também introduziu uma política vibrante de apoio à cultura e de investimentos editoriais, projetando a Editora da Universidade Estadual da Paraíba (EduePB) no cenário nacional com dois prêmios Jabutis. Este legado de modernização acadêmica preparou o terreno para a autonomia. 

Projeto assinado por Oscar Niemeyer, o Museu dos Três Pandeiros elevou o patamar artístico e arquitetônico da UEPB

O reitorado de Rangel Júnior, com Etham Barbosa — no primeiro mandato — e Flávio Romero — no segundo mandato —, focou na consolidação acadêmica e na modernização dos processos internos com uma inovação importante: a introdução de servidores técnicos como pró-reitores — começando pelo planejamento e finanças. Mesmo sob desafios orçamentários, a gestão priorizou a qualificação docente e de técnicos, ampliação das políticas afirmativas, estímulo à pesquisa e à extensão, inovou em projetos culturais, manteve o apoio às publicações docentes e à editora, contribuindo, também, para elevação de conceito dos primeiros programas de pós-graduação e para criação dos primeiros doutorados da instituição.

Além disso, a administração promoveu uma transformação digital significativa, integrando tecnologias de informação para otimizar o suporte ao ensino e à extensão inovadora. A defesa da autonomia foi mantida, apesar das resistências e dos entraves criados pelo Governo Estadual à época.

Ainda assim, a UEPB aprofundou seu papel como uma âncora cívica, incentivando políticas de inclusão voltadas ao desenvolvimento regional. A universidade começou a transição para um modelo engajado, no qual o saber científico é compreendido como um direito democrático e plural. O suporte a grupos vulneráveis foi intensificado, preparando a instituição para as agendas de justiça social mais robustas que viriam a seguir. A articulação entre ensino, pesquisa e extensão tornou-se o motor para solucionar problemas graves de saúde e educação no território paraibano. Esse compromisso social consolidou a legitimidade da universidade no estado.

A atual gestão de Célia Regina e Ivonildes Fonseca projeta a UEPB como referência em inovação e justiça social na terceira década do século. Destaca-se, entre outros processos, a implementação pioneira de cotas para pessoas trans e travestis, reforçando o combate sistemático ao racismo e às desigualdades. O suporte estudantil é robusto, com mais de 23 mil bolsas que garantem a permanência de jovens em situação de vulnerabilidade social. O Observatório do Feminicídio Bríggida Lourenço exemplifica o compromisso ético da instituição com a proteção da vida e a dignidade humana. Esta liderança feminina une humanismo e tecnologia de forma indissociável. No campo da sustentabilidade, a UEPB alcançou a autossuficiência energética com a inauguração de seu parque solar, unindo economia e ecologia.

Inteligência climática

Aos 60 anos, a Universidade Estadual da Paraíba consolida-se como referência tecnocientífica, conectando sua produção acadêmica às agendas de desenvolvimento que moldam o presente e o futuro. Com 35 programas de pós-graduação, equilibra excelência científica e impacto social, transformando conhecimento em cidadania. A última avaliação da Capes elevou o conceito de oito programas, reafirmando sua relevância nacional.

A inovação é um eixo estruturante, com 189 ativos e 118 pedidos de patente. No ranking do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), figura entre as 50 mais inovadoras do Brasil. Esses resultados não significam assumir funções de governo ou mercado, mas oferecer ciência aplicada como suporte estratégico. A UEPB é parceira na construção de soluções coletivas.

A produção acadêmica é vasta e diversificada, com 12.497 artigos científicos que dialogam com diferentes áreas do saber. Com 7.496 livros e capítulos publicados, a instituição posiciona-se como a terceira maior força editorial do estado. A produção artística conecta 64 pesquisadores à cultura e à identidade, reafirmando o papel da universidade como guardiã da memória e da criatividade. Esses números refletem apenas 15 anos de pós-graduação consolidada, demonstrando a intensidade do crescimento institucional. A repercussão internacional é visível em rankings globais que destacam pesquisadores da UEPB. A Stanford University e a British Public Service Broadcaster (BBC) reconhecem nomes que enfrentam problemas críticos do mundo. A internacionalização “Sertão-Mundo” exporta cultura e importa soluções, ampliando o alcance da ciência paraibana.

Sob a liderança das reitoras Célia Regina Diniz e Ivonildes Fonseca, a UEPB projeta um futuro sustentável e inclusivo. O presente é definido por uma base científica fortalecida, capaz de integrar os objetivos de desenvolvimento sustentável à pesquisa e à gestão. Investimentos em infraestrutura e novos concursos para docentes ampliam a capacidade de inovação e ensino. O objetivo é construir uma sociedade mais justa, soberana e democrática. A universidade reafirma sua vocação de ser motor de transformação social.

Para os próximos 60 anos, a UEPB vincula sua produção tecnocientífica às agendas globais de inteligência climática e inteligência artificial. A proposta é converter a universidade em um hub de inovação que integre automação e ciência para responder às vulnerabilidades do semiárido. Esse movimento exige reestruturação do pensamento acadêmico, onde a tecnologia é ferramenta de justiça ambiental. A saúde em contextos de crise climática será prioridade, antecipando respostas a novas patologias e emergências sanitárias derivadas do aquecimento global. Essa visão estratégica desdobra-se em um plano de desenvolvimento territorial robusto, que utiliza o conhecimento científico para reduzir desigualdades regionais.

A UEPB, com o seu sexagenário, não celebra apenas sua história, mas inaugura um novo ciclo de esperança e responsabilidade. Sua trajetória é marcada pela coragem de inovar e pela capacidade de transformar desafios em oportunidades.

A universidade é hoje um farol que ilumina o caminho da ciência, da cultura e da cidadania. O futuro que se desenha é de protagonismo global, sem perder o enraizamento local. A UEPB é Sertão e é mundo, tradição e vanguarda, ética e tecnologia. É motor de uma economia regenerativa e guardiã da sustentabilidade da vida. Mais do que uma instituição, é um projeto coletivo de sociedade. E esse projeto se renova, com potência e compromisso, para os próximos 60 anos.

Para dar conta desses desafios que já estão às portas — e dos que virão —, a UEPB adota o conceito de universidade que se territorializa, isto é, uma instituição que não se limita a produzir conhecimento em abstrato, mas que se enraíza no chão social, cultural e econômico da Paraíba. Territorializar-se, nesse contexto, significa reconhecer que ciência e tecnologia só ganham sentido quando dialogam com as necessidades concretas das comunidades, transformando pesquisa em desenvolvimento e inovação em cidadania. É assumir, por exemplo, que o semiárido, a cultura popular e as vocações produtivas locais não são obstáculos, mas pontos de partida para soluções globais. Nesse movimento, a UEPB articula saberes acadêmicos e saberes do território, criando pontes entre o Sertão, o Cariri, o Curimataú, o Brejo, o Agreste, o Litoral e o mundo. A territorialização é, portanto, segundo a reitora Célia Regina, a coragem de vincular a produção tecnocientífica às agendas de desenvolvimento sustentável. “É a escolha de ser universidade que não se isola, mas que se compromete com a vida, a democracia e o futuro coletivo”.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 15 de março de 2026.