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suspeita de “rachadinha”

Vereadora investigada é afastada

publicado: 29/04/2026 08h50, última modificação: 29/04/2026 08h50
Segundo apurações, Rosiene Sarinho lidera esquema envolvendo servidores ligados ao seu gabinete, em Bayeux

por Camila Monteiro*

A vereadora Rosiene Sarinho, da cidade de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, foi afastada do cargo após ser alvo da investigação de um suposto esquema de “rachadinha”. A chamada “Operação Mal Partido” foi deflagrada, na manhã de ontem, pela Polícia Civil da Paraíba (PCPB).

Conduzida pela Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor), a força-tarefa resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão nas residências da parlamentar, de seu filho — que atuava como assessor — e do chefe de gabinete da vereadora.

A Justiça determinou o afastamento de Rosiene de suas funções legislativas, bem como dos demais envolvidos no caso, que ficaram proibidos de exercer, por tempo indeterminado, qualquer cargo de confiança, tanto no Poder Executivo quanto no Legislativo do município de Bayeux.

Depoimentos

As investigações policiais indicam que a vereadora é suspeita de liderar um esquema no qual servidores vinculados ao seu gabinete eram obrigados a devolver parte de seus salários. A prática, conhecida como “rachadinha”, teria atingido dezenas de funcionários.

Conforme a delegada Viviane Magalhães, responsável pelo caso, os indícios surgiram a partir de depoimentos de supostas vítimas. Os relatos apontam que os servidores eram convidados a trabalhar em funções como vigilante e auxiliar de serviços gerais, recebendo um salário mínimo, mas tinham que reaver valores mensais aos investigados. “Alguns informaram que repassavam R$ 400; outros, R$ 800. Há indícios de que cerca de 70 pessoas possam ter sido contratadas nesse esquema”, afirmou Viviane.

As investigações também identificaram transferências via Pix e saques em dinheiro, compatíveis com os valores mencionados pelas vítimas, além de mensagens e dados obtidos a partir de celulares entregues voluntariamente por algumas das pessoas supostamente lesadas.

Segundo foi apurado, o filho da parlamentar seria responsável por indicar os servidores, enquanto o chefe de gabinete fazia a coleta dos valores. O dinheiro era sacado em espécie e repassado ao filho de Rosiene, que, posteriormente, entregava à parlamentar.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes da PCPB ainda apreenderam cinco celulares. Um dos aparelhos teria sido arremessado pela própria vereadora, do 19o andar do prédio onde ela mora, no momento da abordagem, mas foi recuperado e encaminhado para a perícia.

Próximos passos

A delegada informou que as investigações continuam para aprofundar a apuração, bem como identificar outros envolvidos e responsabilizar todos os autores das condutas ilícitas. “Com o que foi coletado, vamos fazer o levantamento da quantidade de servidores que foram vitimados por eles e fazer, posteriormente, o interrogatório e a investigação financeira, para saber a quantia a que se chega esse fato criminoso”, esclareceu Viviane.

Até o fechamento desta edição do jornal A União, a defesa de Rosiene Sarinho não havia sido localizada para comentar o caso.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 29 de abril de 2026.