Para quem já sente falta da folia, o bloco Violando a Madrugada promete reacender o clima carnavalesco no próximo sábado (21), no Bar do Baiano, no bairro dos Bancários. Conhecido por atravessar “o menor percurso do mundo”, o grupo, que se concentra na Rua dos Ipês, prova que intensidade não se mede em distância percorrida. Ao longo do trajeto de 300 m, os foliões seguem embalados por frevo, marchinhas, samba e maracatu, em um cortejo marcado por encontros, alegria e muito entusiasmo.
Suelene de Sousa, educadora popular e organizadora do Violando a Madrugada, define a iniciativa como mais do que um evento festivo; trata-se, segundo ela, de uma comemoração permanente da vida, da amizade e da cultura popular paraibana.
A partir das 19h, o público presente ao Bar do Baiano poderá estender a festa de Carnaval ao som de Kennedy Costa, Polyana Resende e da Orquestra Sanhauá. Conforme a organizadora da folia, a proposta também é homenagear quem trabalhou nos bastidores durante o período carnavalesco. “Os convidados especiais são os trabalhadores do Carnaval, que passaram todos esses dias cuidando da alegria da população. Esse é, então, um momento de confraternização e muita animação”, reforça.
De acordo com Suelene, o bloco surgiu há 26 anos, por iniciativa de um grupo de músicos que fazia turnê em cruzeiros marítimos, durante o período de festas, e reunia-se no Bar do Baiano, ainda com os instrumentos, após o Carnaval. “Eles resolveram tocar trompete na mesa, acho que saxofone também, e decidiram dar uma volta em torno do bar”, comenta ela. A partir daí, virou tradição repetir essa celebração depois das festividades típicas de fevereiro.
Dessa forma, o Violando a Madrugada é definido como um bloco formado por amigos e para amigos, o que garante um clima tranquilo e seguro à folia. Como diz a organizadora do evento, nas mais de duas décadas de festa, não há nenhum registro de eventualidades, como brigas e confusões entre os participantes. “Ficamos tranquilos, seguros e um cuida do outro”, frisa Suelene.
Além do ambiente de confraternização entre conhecidos, o que chama atenção sobre o evento é a tradição que se mantém e resiste entre as novas gerações. Para Suelene, o bloco sempre foi fortalecido por essas qualidades. Artistas, poetas e professores ajudam a preservar as características originais do grupo, mantendo o repertório tradicional, entre o frevo e as marchinhas.
Assim, o Violando a Madrugada é construído a muitas mãos. Seus hinos, aliás, são compostos pelos próprios frequentadores — muitos deles, músicos e compositores. A realização conta com a participação ativa de talentos criativos locais, desde a criação das ilustrações para as camisetas personalizadas até a direção musical do desfile. Maestros como Salvador de Alcântara, Bebé de Natércio, Roberto Araújo e Teinha, além de compositores como Demetrius Faustino, Júnior Targino, Kennedy Costa e Acilino Madeira, contribuem para a qualidade artística e o espírito coletivo da festa.
O bloco que encerra as festividades carnavalescas na capital paraibana mostra que a felicidade pode caber em apenas 300 m de rua. Para quem participa, não se trata apenas de estender o Carnaval, mas de compartilhar momentos de resistência, musicalidade e alegria coletiva.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 19 de fevereiro de 2026.
