A Paraíba apresentou, em um ano, um aumento de 18% no número de casos de doenças diarreicas agudas (DDAs), segundo os dados epidemiológicos da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Em 2026, até 16 de maio, foram registradas 125.554 ocorrências, enquanto, no mesmo período de 2025, foram contabilizadas 106.314 notificações.
Especialmente no mês de março, na cidade sertaneja de Sousa, o aumento de atendimentos relacionados às DDAs acendeu um alerta na rede de saúde. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) passou de uma média de 180 pacientes por dia para até 300 atendimentos diários. Já o Hospital Regional, que tinha uma média anterior de 80 casos diários, também passou a atender cerca de 300 pessoas por dia.
As DDAs são popularmente conhecidas pelo termo “virose da mosca”, fazendo referência aos possíveis agentes causador e transmissor da infecção gastrointestinal. Contudo, a SES alerta que essa terminologia é inapropriada, “uma vez que a definição do agente causador depende de identificação etiológica laboratorial” — bactérias, inclusive, podem ser responsáveis pela doença.
O médico André Luís Celestino explica como atua o inseto que dá o nome popular à enfermidade. “A mosca pousa em locais contaminados, como o lixo, e transfere esses agentes para ambientes como cozinhas, onde são encontrados utensílios de alimentação, e até diretamente para a própria comida. Ela funciona como esse carreador”, aponta.
A transmissão ocorre, portanto, quando moscas contaminadas entram em contato com alimentos ou água destinados ao consumo. A SES pontua, porém, que o período chuvoso é favorável para a proliferação de outros vetores, como baratas, formigas e roedores, que também transportam microrganismos para os alimentos. Assim, a medida de prevenção é essencialmente a higienização adequada das mãos, dos alimentos e dos ambientes.
A doença pode provocar sintomas como diarreia, dor abdominal, vômitos, náuseas e febre, além de mal-estar e fraqueza em alguns casos. Os sintomas costumam durar de dois a cinco dias, embora possam se prolongar em alguns pacientes. Apesar de, na maioria dos casos, a enfermidade ter curta duração, alguns grupos exigem atenção especial. “Crianças pequenas têm maior risco porque perdem muito líquido. Idosos também se desidratam rapidamente. Além disso, pessoas com o sistema imunológico comprometido e gestantes precisam de atenção”, alerta Celestino.
O especialista também reforça que é importante procurar atendimento médico em situações como presença de sangue ou muco nas fezes, vômitos persistentes, febre alta ou sinais de desidratação, como boca seca, urina escura, tontura e fraqueza intensa. Já o tratamento é considerado de suporte e tem como principal foco a reposição hídrica. “É fundamental manter a hidratação com água, sucos, chás e soro de reidratação oral”, orienta.
Como se prevenir:
- Higienizar as mãos com água limpa e sabão por, ao menos, 20 segundos;
- Lavar bem legumes, frutas e verduras;
- Ter atenção com alimentos e bebidas consumidos fora de casa;
- Beber água tratada;
- Manter os alimentos devidamente armazenados e protegidos de insetos;
- Para as mães que amamentam, manter o aleitamento materno.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 26 de maio de 2026.