Os motoristas de ônibus de João Pessoa rejeitaram a nova proposta de reajuste salarial, de 5%, apresentada pela classe patronal, que inicialmente havia oferecido 3%. Pela manhã, houve audiência de conciliação realizada na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) entre a categoria, representada pelo Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Passageiros e Cargas no Estado da Paraíba, e o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de João Pessoa (Sintur-JP). Após duas rodadas de negociação, não houve acordo; com isso, a greve, iniciada ontem, continua por tempo indeterminado.
Para amanhã está prevista uma nova audiência, desta vez de instrução e julgamento por parte do TRT. Até lá, a circulação do transporte público deve se dar com 60% da frota, conforme decisão judicial.
Reivindicações
Os motoristas reivindicam reajuste salarial de 15%, enquanto o sindicato patronal apresentou, inicialmente, uma proposta de 3%. Após a negociação de ontem, a entidade ofereceu 5%, índice que também foi rejeitado.
Entre as reivindicações dos motoristas, também estão: aumento do valor do auxílio-alimentação e da gratificação pelo acúmulo de funções de motorista e cobrador, além de questões ligadas a planos de saúde e odontológico. Segundo o sindicato que representa os trabalhadores, antes da pandemia, os motoristas recebiam R$ 600 de vale-alimentação. O benefício foi reduzido pela metade, ou seja, R$ 300. Encerrado o período da pandemia, houve um reajuste, e atualmente esse valor é de R$ 440.
Quanto à gratificação pelo acúmulo de funções, que é de R$ 100, a categoria pede aumento de 150%. Ainda segundo o sindicato, o salário inicial de um motorista na capital é de R$ 2.598. Com a proposta dos trabalhadores, esse valor chegaria a R$ 2.988.
Após a deflagração da greve, a categoria chegou a afirmar que nenhum ônibus iria sair das garagens das empresas, realizando ato público nas primeiras horas da manhã de ontem, na frente da sede da empresa Transnacional. Mas, por volta das 7h45, os veículos começaram a circular, com frota reduzida. A estimativa é que 100 mil passageiros sejam afetados direta e indiretamente pela paralisação das atividades dos motoristas.
O presidente do Sindicato dos Motoristas, Rone Nunes, relata que não houve avanços na negociação devido à classe patronal. “A desembargadora veio com a proposta de 6% de reajuste no salário, vale-alimentação de R$ 570, e a gratificação do batedor — que são motoristas e cobradores — de R$ 150, mas eles [o sindicato patronal] não aceitaram, disseram que só davam 5% de aumento linear. Então a greve está mantida”, afirma Rone.
Já o diretor institucional do Sintur-JP, Isaac Júnior Moreira, lamentou que os motoristas não respeitaram o percentual de 60% de veículos que deveriam rodar na capital durante a greve, segundo determinação judicial. O Sintur-JP informou que, amanhã haverá uma nova reunião, que pode ou não determinar o encerramento da paralisação.
Transtornos
No Terminal de Integração de Passageiros do Parque Solon de Lucena (Lagoa), no Centro de João Pessoa, muitas pessoas relataram a dificuldade e a demora em conseguir pegar um ônibus na manhã de ontem. Gilcicleide, que esperava ônibus no local, disse que aguardava transporte para o bairro Cabo Branco, onde trabalha. “Consegui pegar um, de casa para cá, mas agora estou aqui esperando o outro, já faz mais de uma hora”, afirma.
Outro morador que esperava no Terminal, Vando, diz que muitas pessoas que estavam ali resolveram pedir carros ou motos por aplicativo. “Estão demorando muito os ônibus; faz quatro horas que eu estou aqui esperando para ir ao Altiplano”, relata ele. Já Juceline Batista Lucena diz que, mesmo com os transtornos, apoia a greve da categoria. “Eles estão sobrecarregados, os ônibus quebrados, a população sofrendo, então eu estou do lado dos motoristas, mesmo sofrendo. Vim a pé da Beira Rio até aqui, mas estou apoiando 100%. A população merece ônibus melhores”, enfatiza.
Com a frota de ônibus reduzida, aumentou a procura por outros meios de transporte, como os motoristas por aplicativo. Com isso, essas empresas registraram preços elevados no dia de ontem. A alta demanda também impactou no tempo de espera para a chegada dos veículos.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 28 de janeiro de 2025.