O São João paraibano não começa nem termina em Campina Grande — embora a cidade ostente um dos palcos mais badalados do estado. Quando junho chega, a festa espalha- -se por diversos municípios, do Brejo ao Cariri, revelando um calendário junino com muitos sotaques. O forró pode até ser o cartão de visita, mas cada cidade encontra um jeito próprio de fazer a sua festa: em algumas, ela mistura-se ao frio e aos engenhos; em outras, ganha vida nas comunidades rurais; e há aquelas nas quais a gastronomia típica ajuda a dar o sabor da celebração. No fim, há muitos jeitos de viver o São João, o difícil mesmo é escolher o roteiro.
Famosa por seus casarões históricos e engenhos coloniais, Areia é conhecida por oferecer ao público uma experiência mais interiorana, que conversa com a memória do Brejo paraibano. Depois das comemorações pela emancipação política do município, celebrada em maio, a cidade vira a chave para o São João Raiz, com decoração junina no Centro Histórico e na Praça Pedro Américo, apontada como o coração da festa. Segundo o secretário de Cultura e Turismo, Rinaldo Bandeira, esse movimento potencializa um fluxo que Areia já recebe ao longo do ano, justamente pela sua força turística, cultural e histórica.
Na cidade, o São João mistura-se aos engenhos e museus, às trilhas ecológicas e à gastronomia, dentro de uma rede hospitaleira que ajuda a manter o visitante na cidade por mais tempo. “O nosso diferencial está na hospitalidade, nos incríveis aparelhos turísticos disponíveis no município e na grande oferta de roteiros turístico durante o dia”, enumera Rinaldo. A expectativa, de acordo com ele, é receber de 10 mil a 20 mil pessoas no período, com a ocupação hoteleira podendo chegar a 100%. Para o secretário, não é à toa que a festa em Areia extrapola a fronteira cultural, atuando como “instrumento de desenvolvimento econômico e valorização da identidade areiense”.
A programação será concentrada na Praça Pedro Américo, com montagem de pavilhão, som e iluminação. No dia 21 de junho, o espaço recebe apresentações de quadrilhas juninas. Já nos dias 22, 23 e 24, o forró tradicional ganha vez com trios pé de serra, em shows gratuitos durante a tarde e à noite. A Associação Turística e Cultural de Areia (Atura) também promete ampliar o clima junino ao longo de todo o mês, com programação especial nos estabelecimentos associados. Tem comidinhas típicas, café da manhã ao melhor estilo interiorano, música ao vivo, quadrilha e fogueira, tudo dentro de uma proposta mais rural. Um exemplo disso é o Restaurante Vó Maria, que tradicionalmente realiza uma procissão com a bandeira de São João, hasteada no sítio. Depois, a celebração segue com a quadrilha da comunidade rural Chã de Jardim, em uma programação que combina turismo e tradição. As atrações podem ser conferidas no perfil da Atura no Instagram — @aturaareiapboficial.
Monteiro une atrações nacionais à valorização da tradição local
Já em Monteiro, o São João chega com sotaque do Cariri e alma forrozeira. A cidade, que se apresenta ao visitante como um território multicultural, aposta na festa como vitrine para artistas locais e para expressões culturais que seguem vivas até hoje, para além dos grandes palcos. Como parte da programação principal, de 24 a 28 de junho, nomes como Xand Avião, Michele Andrade, Jonas Esticado, Limão com Mel, Walkyria Santos, Pablo e Noda de Caju garantem presença no tradicional Parque de Eventos Dejinha Monteiro.
Mas o roteiro não acaba nas atrações de maior apelo popular. No Sítio São Francisco e na Zona Rural, o município também abre espaço para quadrilhas, forró pé de serra e coco de roda, mantendo a festa ligada à cultura popular. “Nosso propósito maior é a valorização dos artistas locais para abrilhantarmos os festejos juninos, movimentando, também, o comércio local e o turismo”, resume o secretário de Cultura e Turismo, Nanido Cavalcante.
Segundo ele, o Sítio São Francisco deve receber mais de cinco mil pessoas por dia durante os 10 dias de festa, de 19 a 28 de junho, atraídas por uma programação mais regional. Na abertura, os forrozeiros Rogério Lima e Fagundes Silva prometem celebrar as raízes da música nordestina, tendência que será vivenciada até o último dia da festa. Enquanto isso, o palco principal tem estimativa de, aproximadamente, 15 mil pessoas por noite. A estrutura, aliás, já começou a ser montada e o movimento também aparece pela cidade: Nanido aponta que mais de 90% da rede hoteleira, entre pousadas, hotéis e casas, encontra-se reservada, com expectativa de chegar a 100% até o fim deste mês.
Frio e roteiros de luxo atraemturistas a Solânea e Bananeiras
Na praça pública, as grandes atrações são Mastruz com Leite, Solange Almeida, Batista Lima, Silvânia e Berg, Victor Santos, Cascavel, Eliane, Kelson Kizz, Wagner Viana, Francinaldo e Assum Preto. A festa também ganha as ruas com o trio elétrico comandado por Grafith e Suzy Barbosa, ampliando o clima junino. Mas o diferencial não está apenas na grade musical. Com o colorido das bandeirolas e a tradicional cidade cenográfica montada no coração da Praça 26 de Novembro, Solânea transforma-se no maior palco junino ao ar livre, puxando a cidade toda para dançar. “Assim criamos um ambiente acolhedor e culturalmente simbólico para moradores e visitantes”, reforça Thiago.
De acordo com o secretário, a expectativa é que mais de 60 mil pessoas passem por Solânea durante a temporada, com ocupação próxima de 100% da rede hoteleira. Não à toa, esse movimento também acende a economia local: bares, hotéis, restaurantes, ambulantes, artesãos, pequenos empreendedores e trabalhadores informais entram no ritmo da festa, impulsionados pelo alto fluxo de visitantes. E, se cada cidade tem uma assinatura própria no São João, a de Solânea passa pelo frio. Localizada em uma região serrana, a cidade tem o nevoeiro como marca registrada e pode chegar a 12 °C de temperatura no período junino. “Solânea é um dos destinos mais autênticos do Brejo paraibano”, finaliza.
São João diurno
Em Bananeiras, por fim, o São João não espera a noite cair para começar. Antes dos shows, a festa já aparece no movimento de cafés, restaurantes, pousadas e engenhos, envolvida pelo friozinho da serra. Segundo a secretária de Turismo e Cultura do município, Karina Leon, a proposta para 2026 é fortalecer Bananeiras como destino turístico sofisticado, “de luxo natural”, no período junino, combinando tradição nordestina, conforto, estrutura e experiências espalhadas para além do palco principal. Em outras palavras, o visitante não vai apenas para assistir a uma atração: ele chega para viver a cidade.
Durante o dia, o clima junino espalha-se pelo Centro Histórico, pela gastronomia regional, pelos roteiros turísticos e por espaços que ajudam a apresentar Bananeiras como experiência, e não somente como evento. “A cidade transmite uma sensação de ‘São João vivido’, diferente de eventos em que o público só vai para assistir aos artistas. A imersão cultural é mais forte”, reforça Karina.
Entre os atrativos estão apresentações de forró pé de serra e trios tradicionais, decoração junina, clima serrano e gastronomia típica, com direito a doces artesanais, culinária nordestina, cafés e cachaçarias, além de restaurantes autorais. Não por acaso, a expectativa de público, segundo ela, é de “dezenas de milhares de visitantes” ao longo dos quatro dias principais, um dos maiores da história da festa. Na rede de hospedagem, por sua vez, o movimento também deve ser intenso: o setor turístico trabalha com ocupação entre 90% e 100% nos dias de maior procura.
Já no palco principal, em uma área de 41 mil m², localizado às margens da PB-103, no sentido Bananeiras-Dona Inês, a programação noturna reúne, de 20 a 23 de junho, nomes como Bruno e Marrone, Flávio José, Xand Avião, Eliane, Leonardo, Zé Cantor, Luan Santana e Falamansa. O espaço inclui camarotes, praça de alimentação e estacionamento, dentro de uma estrutura pensada para acomodar o crescimento dos festejos.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 24 de maio de 2026.