A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) criou uma nova forma de ingresso nos cursos de graduação: o Processo Seletivo Específico (PSE). A iniciativa tem como foco atender a demandas sociais — como pessoas trans, refugiados e pessoas com 50 anos ou mais — e possibilitar a reocupação de vagas residuais geradas por abandono, cancelamento ou evasão de estudantes.
O PSE foi instituído por meio da Resolução no 66/2025, aprovada em janeiro deste ano pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe). A mesma norma também criou o Processo Seletivo Próprio (PSP), voltado à ocupação de vagas novas ociosas.
De acordo com a pró--reitora de Graduação, Ana Cláudia Rodrigues, há diferença entre os dois processos. As vagas residuais surgem ao longo do curso, durante a trajetória acadêmica dos estudantes, enquanto as vagas novas ociosas são aquelas que não foram preenchidas pelos meios tradicionais de ingresso — como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Processo Seletivo de Conhecimento Específico (PSCE), no caso dos cursos de Música — seja por falta de candidatos, seja por matrículas não efetivadas ou canceladas no Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (Sigaa).
Segundo a pró-reitora, o PSP atenderá a cursos que, mesmo após os processos regulares de ingresso, não conseguirem preencher todas as vagas, permitindo a entrada de novos alunos no segundo semestre. Já o PSE será direcionado a públicos específicos, definidos em edital, como pessoas transgêneras, refugiados e portadores de visto humanitário (PSRH), servidores públicos e terceirizados da UFPB, pessoas com 50 anos ou mais, egressos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) ou do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), além de vencedores de Olimpíadas do Conhecimento e estudantes com Bolsa-Atleta, entre outros previstos no Plano de Desenvolvimento Institucional da universidade.
Dessa forma, enquanto as vagas novas serão preenchidas com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — por meio do Sisu, do PSCE e do PSP —, as vagas residuais serão ocupadas por diferentes modalidades: Reopção de Curso (PSRC), Transferência Voluntária (PSTV), Ingresso de Graduado (PSIG) e o próprio Processo Seletivo Específico (PSE).
A resolução também estabelece que o PSE será realizado mediante solicitação à pró-reitora de Graduação, que ficará responsável por avaliar as demandas sociais e definir, por edital, as regras, o número de vagas e os cursos participantes.
De acordo com Ana Cláudia Rodrigues, a previsão é que o PSE comece a ser aplicado a partir de 2027, utilizando as vagas residuais do ano letivo de 2026. O PSP, por sua vez, poderá ser realizado ainda no segundo semestre deste ano, com base nas vagas ociosas de 2025.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 19 de março de 2026.