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Vieira lança álbum que marca o início da sua fase solo

Disco reflete as dores de amadurecer

por publicado: 25/11/2021 08h44 última modificação: 25/11/2021 08h44
Foto: Roan Nascimento/Divulgação

Foto: Roan Nascimento/Divulgação

por Guilherme Cabral*

“Um presente para a minha carreira”. É como o músico paraibano Arthur Vieira considera o disco CriseDos20 (assim mesmo, tudo junto), que reúne nove faixas, sendo distribuído pela gravadora norte-americana OAR e cujo lançamento, nas plataformas digitais, ocorre hoje.

Esse novo trabalho – o primeiro do artista após hiato de mais de três anos – marca a investida na carreira solo do músico. “Minha expectativa é gigante, pois esse disco fala muito sobre todo esse meu processo de vivente na música, tanto com o Comercial Sul (2015) como o Parahyba Vive (2018), esse novo disco vem para fechar tudo isso de uma forma geral”, apontou ele.

Todas as faixas de CriseDos20 são inéditas, composições de Arthur Vieira, algumas em parceria com o produtor Benke Ferraz, a exemplo da que abre o álbum, ‘Pandemônio’, e a que fecha, ‘Dias Passam’. A exceção é ‘Anúncio’, autoria de Totonho.

Nesse novo disco, Vieira, que está com 25 anos de idade, faz um apanhado do seu processo de amadurecimento, com letras que refletem sua vivência nos palcos e na vida cotidiana na cidade de João Pessoa. “É um disco que fala mais sobre mim, que tive que me virar sozinho para fazer, mas não que virou um projeto solo, mas por ter mais a minha cara, por causa da pandemia”, explicou o artista.

“Se não existisse pandemia, eu estaria com os meus amigos músicos, todo mundo fixo, mas a pandemia veio para virar tudo de cabeça para baixo. O disco fala muito sobre essa virada de cabeça para baixo, a crise dos anos 20, além de ser o meu primeiro disco ‘cheio’, pois os outros foram EPs, com tempo menor, podendo ser produzido por um cara que sou fã e me inspirou muito, que é o Benke Ferraz, da Boogarins. Além disso, tendo participações incríveis de quem também sou fã e que me inspiram, como Giovani Cidreira, Teco Martins (Rancore) Bixarte, A Fúria Negra, Dinho Almeida, Ynaiã Benthroldo, ambos também da Boogarins. Juntar todos foi muito importante para mim”, confessou o músico.

Arthur Vieira ainda justificou a razão de convidar artistas para participações especiais no álbum. “São amigos que conquistei viajando e tocando pelo Brasil, dividindo palco com eles. Benke Ferraz, produtor do disco, que é da Boogarins, banda de Goiânia renomada internacionalmente, eu o conheci através de shows, mas me aproximei dele mais pela internet, quando o convidei para produzir o CriseDos20, tendo muita inspiração no disco Lá vem a Morte, da Boogarins, que tem uma energia parecida”, analisou Vieira. “Tê-lo como produtor, veio a calhar de forma muito boa, porque ele trouxe essa energia estética do Lá Vem a Morte para o disco, que cria uma familiaridade, uma unidade também com o Boogarins”, disse o paraibano.

“O disco ainda tem a participação, na música ‘Estágio’, do soteropolitano Giovani Cidreira, que é a grande voz marcante da Bahia e que criou uma carreira em São Paulo. Conto com as participações da Bixarte e da Fúria Negra, que são duas rappers de João Pessoa, que têm uma carreira muito forte e explosiva, levando pautas como a da LGBTQIAP+, a pauta trans e a da periferia, com suas letras fortes, e eu consigo trazê-las para esse disco onde as meninas podem falar mais de amor, do love song, como a gente chama, no hip hop. Eu as trouxe para fazer um love song nesse disco, que é a música ‘Fluente’e traz nova roupagem de versos e de rimas que elas puderam acrescentar na música”, comentou ele.

Vieira contou que a gravação do disco possibilitou se aproximar de outros músicos da Boogarins. “Um foi Ynaiã Benthroldo, que gravou bateria na música ‘16h40’, e do Dinho Almeida, que colocou as vozes na música ‘Praia e Granja’, que fala sobre esse retorno, depois da pandemia, com verão, praia, saudade, misturando nostalgia com a vontade de querer curtir”.
Outra participação é a de Teco Martins, paulistano que, por mais de 10 anos, esteve à frente da banda de rock Rancore. “Foi um grupo que formou minha personalidade como adolescente, como músico. Trazê-lo para meu disco, no qual toca na música ‘Capuz da Morte de Rabadon’, foi algo muito importante para mim”, apontou ele. “‘Capuz da Morte de Rabadon’ é um item do jogo mais jogado do mundo, chamado League of Legends, e essa música que o Teco Martins é a mais pesada, com versos incríveis”, afirmou o artista.

Por fim, a nona e última música do projeto, ‘Dias Passam’, é uma composição de Vieira junto com Benke Ferraz. “Foi engraçado porque, um dia antes dele vir para cá gravar, me mandou um áudio com uns acordes no violão e dizendo faz uma letra, aí. E foi assim que surgiu ‘Dias Passam’. Fiz uma letra com os acordes antes dele vir para cá e foi incrível, pois fecha o disco com chave de ouro. Por incrível que pareça, é um tema completamente diferente de todo o disco, com mais violões e umas energias mais sombrias em reverbes, em ambientações, mas é linda e tem muito contexto pandêmico, também. Por mais que o disco não fale, em nenhum momento, sobre pandemia, mas as músicas são de alguém que viveu aquilo. Eu não quis enfatizar o contexto pandêmico de forma alguma, mas está na nossa pele ter vivido tudo isso e as músicas são de um vivente, mas não são sobre a pandemia”, disse Arthur Vieira.

CriseDos20 foi realizado com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, com o apoio da Prefeitura Municipal de João Pessoa, por meio da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) e Fundo Municipal de Cultura (FMC), e do Governo Federal, através da Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa de 25 de novembro de 2021


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